Rede de Sussurros

Chandler Baker · Capítulo 32 de 62

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Rede de Sussurros

Capítulo 31

 

7 DE ABRIL

O bar onde Sloane estava sentada, segurando uma taça de Merlot de treze

dólares, era repleto de couro preto e objetos de cobre. A atmosfera era luxuosa e

convidativa, embora ela o tivesse escolhido principalmente pela proximidade —

ficava no mesmo quarteirão do prédio da Truviv — e pelo fato de a iluminação

fraca deixá-la pelo menos dez anos mais jovem. Sloane via seu reflexo no espelho

atrás do bar, entre as garrafas pela metade, com bicos de plástico, prometendo

drinques complexos preparados por homens barbudos com braços cobertos de

tatuagens e alargadores nas orelhas.

Ela deveria ir para casa. Seu telefone não tinha tocado durante todo o dia.

Derek já havia saído quando ela acordou e não respondera a nenhuma de suas

mensagens. Isso fez com que ela se sentisse uma adolescente, insegura, com acne

no queixo e um monólogo interno cruel que surgia do nada. Ele pode arrumar

alguém mais jovem, Sloane. Homens têm condição de fazer isso. E mais bonita

também. Sempre tem uma pessoa mais bonita. E agora você deu permissão a ele

para fazer isso com a consciência tranquila. Parabéns.

Sim, mas ele não vai encontrar a mãe da Abigail, disparou ela de volta. Ele não

vai me encontrar.

— Posso lhe oferecer outra taça?

Ela provavelmente ficou com um olhar surpreso, os músculos no pescoço se

retesando como um réptil. O homem que tinha se sentado ao lado dela não podia

ter mais que vinte e poucos anos. Tinha uma beleza juvenil, barba recém-feita,

esbelto, com cabelo escuro e cheio o bastante para reparti-lo para um dos lados.

Usava uma camisa rosa de mangas curtas com colarinho, estilosa, mas sem se

esforçar demais.

Ela notou com uma ligeira surpresa que restavam apenas alguns goles em sua

taça.

— Sou casada.

E tenho quase o dobro da sua idade, embora não tenha considerado necessário acrescentar essa parte.

— Que bom que minha pergunta não foi “Quer casar comigo?”. — Ele

tamborilou os dedos no balcão. — Porque nesse caso eu ficaria devidamente

constrangido.

O homem tinha covinhas nas bochechas, porque é claro que tinha que ter.

Sloane o ignorou. Detestava quando os homens faziam isso, fingiam que ela

estava sendo presunçosa — pior, convencida — por supor que lhe pagar uma

bebida era uma maneira de dizer “Você está interessada em mim?”.

Eles ficaram sentados em um silêncio desconfortável.

— Sloane Glover, certo?

Pelo canto do olho, ela viu que ele estava estendendo a mão direita.

Ela se virou devagar e olhou para o barman que estava secando copos na outra

extremidade do bar.

— Isso — respondeu, apertando a mão dele.

— Cliff Colgate. Dallas Morning News. — Ele deslizou um cartão de visita pela

madeira lisa na direção dela. A palavra “Repórter” aparecia embaixo de seu

nome. — Você tem um minuto?

Sloane não fez menção de sair.

— Estou trabalhando em uma matéria sobre uma planilha que anda

circulando por um grupo de mulheres profissionais na área de Dallas. A lista de

homens CILADA, que detalha o comportamento sexualmente predatório de

homens em cargos de poder aqui na cidade. Tenho certeza de que estou lhe

contando algo que você já sabe.

— Interessante.

Ela girou a base da taça de vinho, o líquido remanescente dando voltas em

torno das bordas.

Um caderninho surgiu, junto com um daqueles lápis que as pessoas usam

para registrar suas pontuações no minigolfe.

— Gostaria de comentar?

— O quê? — A mente de Sloane estava calculando os riscos.

— A lista de homens CILADA, seu conteúdo, sua utilidade, sua ética,

qualquer coisa.

O cotovelo dele estava confortavelmente apoiado no bar, o lápis preso entre

os dedos. Ela imaginou vagamente como seria transar com ele, mas foi apenas

um pensamento passageiro. Sloane já havia passado da idade em que poderia ter

uma transa casual sem nunca ter feito isso. Ela não sabia se deveria lamentar ou

ficar grata.

Tomou outro gole do vinho. Estava acabando, e ela ainda não decidira se

devia ou não pedir outra taça, agora que tinha companhia.

— O que faz você pensar que eu teria algum comentário a fazer?

— O nome de Ames Garrett apareceu na lista. — Ele tinha um ar de

estudante, talvez um pouco puxa-saco. — Não muito tempo depois, você e suas

colegas, Adriana Valdez e Grace Stanton, entraram com um processo contra ele

por assédio sexual. — Ele deu batidinhas na têmpora com a ponta do lápis. — O

poder da dedução.

Estava brincando, é claro.

— Parece que você andou investigando. — Ela tomou mais um gole do vinho.

As gotas vermelhas que restavam no fundo da taça eram tão poucas que ela

pareceria desesperada se tentasse bebê-las. — Sinto muito, mas você não me

parece uma “mulher profissional”, como você mesmo colocou.

Sloane mudou de posição no banco; sua saia subiu, expondo um ou dois

centímetros a mais da coxa, mas por puro acidente.

Ames tinha descoberto sobre a lista — ela não sabia exatamente como —,

então ela deveria supor que qualquer um poderia ter visto, mas, ainda assim, não

esperava um repórter. De repente, sentiu que estava na linha de largada de uma

corrida; o tiro acabara de ser dado e ela não tinha ideia da distância que teria que

correr.

— Mais de três mil pessoas tiveram acesso a essa lista, Sloane. — Ele usou seu

primeiro nome. Os pelos de sua nuca se arrepiaram de leve. — Você realmente

acha que três mil pessoas podem guardar um segredo?