Rede de Sussurros
Capítulo 31
7 DE ABRIL
O bar onde Sloane estava sentada, segurando uma taça de Merlot de treze
dólares, era repleto de couro preto e objetos de cobre. A atmosfera era luxuosa e
convidativa, embora ela o tivesse escolhido principalmente pela proximidade —
ficava no mesmo quarteirão do prédio da Truviv — e pelo fato de a iluminação
fraca deixá-la pelo menos dez anos mais jovem. Sloane via seu reflexo no espelho
atrás do bar, entre as garrafas pela metade, com bicos de plástico, prometendo
drinques complexos preparados por homens barbudos com braços cobertos de
tatuagens e alargadores nas orelhas.
Ela deveria ir para casa. Seu telefone não tinha tocado durante todo o dia.
Derek já havia saído quando ela acordou e não respondera a nenhuma de suas
mensagens. Isso fez com que ela se sentisse uma adolescente, insegura, com acne
no queixo e um monólogo interno cruel que surgia do nada. Ele pode arrumar
alguém mais jovem, Sloane. Homens têm condição de fazer isso. E mais bonita
também. Sempre tem uma pessoa mais bonita. E agora você deu permissão a ele
para fazer isso com a consciência tranquila. Parabéns.
Sim, mas ele não vai encontrar a mãe da Abigail, disparou ela de volta. Ele não
vai me encontrar.
— Posso lhe oferecer outra taça?
Ela provavelmente ficou com um olhar surpreso, os músculos no pescoço se
retesando como um réptil. O homem que tinha se sentado ao lado dela não podia
ter mais que vinte e poucos anos. Tinha uma beleza juvenil, barba recém-feita,
esbelto, com cabelo escuro e cheio o bastante para reparti-lo para um dos lados.
Usava uma camisa rosa de mangas curtas com colarinho, estilosa, mas sem se
esforçar demais.
Ela notou com uma ligeira surpresa que restavam apenas alguns goles em sua
taça.
— Sou casada.
E tenho quase o dobro da sua idade, embora não tenha considerado necessário acrescentar essa parte.
— Que bom que minha pergunta não foi “Quer casar comigo?”. — Ele
tamborilou os dedos no balcão. — Porque nesse caso eu ficaria devidamente
constrangido.
O homem tinha covinhas nas bochechas, porque é claro que tinha que ter.
Sloane o ignorou. Detestava quando os homens faziam isso, fingiam que ela
estava sendo presunçosa — pior, convencida — por supor que lhe pagar uma
bebida era uma maneira de dizer “Você está interessada em mim?”.
Eles ficaram sentados em um silêncio desconfortável.
— Sloane Glover, certo?
Pelo canto do olho, ela viu que ele estava estendendo a mão direita.
Ela se virou devagar e olhou para o barman que estava secando copos na outra
extremidade do bar.
— Isso — respondeu, apertando a mão dele.
— Cliff Colgate. Dallas Morning News. — Ele deslizou um cartão de visita pela
madeira lisa na direção dela. A palavra “Repórter” aparecia embaixo de seu
nome. — Você tem um minuto?
Sloane não fez menção de sair.
— Estou trabalhando em uma matéria sobre uma planilha que anda
circulando por um grupo de mulheres profissionais na área de Dallas. A lista de
homens CILADA, que detalha o comportamento sexualmente predatório de
homens em cargos de poder aqui na cidade. Tenho certeza de que estou lhe
contando algo que você já sabe.
— Interessante.
Ela girou a base da taça de vinho, o líquido remanescente dando voltas em
torno das bordas.
Um caderninho surgiu, junto com um daqueles lápis que as pessoas usam
para registrar suas pontuações no minigolfe.
— Gostaria de comentar?
— O quê? — A mente de Sloane estava calculando os riscos.
— A lista de homens CILADA, seu conteúdo, sua utilidade, sua ética,
qualquer coisa.
O cotovelo dele estava confortavelmente apoiado no bar, o lápis preso entre
os dedos. Ela imaginou vagamente como seria transar com ele, mas foi apenas
um pensamento passageiro. Sloane já havia passado da idade em que poderia ter
uma transa casual sem nunca ter feito isso. Ela não sabia se deveria lamentar ou
ficar grata.
Tomou outro gole do vinho. Estava acabando, e ela ainda não decidira se
devia ou não pedir outra taça, agora que tinha companhia.
— O que faz você pensar que eu teria algum comentário a fazer?
— O nome de Ames Garrett apareceu na lista. — Ele tinha um ar de
estudante, talvez um pouco puxa-saco. — Não muito tempo depois, você e suas
colegas, Adriana Valdez e Grace Stanton, entraram com um processo contra ele
por assédio sexual. — Ele deu batidinhas na têmpora com a ponta do lápis. — O
poder da dedução.
Estava brincando, é claro.
— Parece que você andou investigando. — Ela tomou mais um gole do vinho.
As gotas vermelhas que restavam no fundo da taça eram tão poucas que ela
pareceria desesperada se tentasse bebê-las. — Sinto muito, mas você não me
parece uma “mulher profissional”, como você mesmo colocou.
Sloane mudou de posição no banco; sua saia subiu, expondo um ou dois
centímetros a mais da coxa, mas por puro acidente.
Ames tinha descoberto sobre a lista — ela não sabia exatamente como —,
então ela deveria supor que qualquer um poderia ter visto, mas, ainda assim, não
esperava um repórter. De repente, sentiu que estava na linha de largada de uma
corrida; o tiro acabara de ser dado e ela não tinha ideia da distância que teria que
correr.
— Mais de três mil pessoas tiveram acesso a essa lista, Sloane. — Ele usou seu
primeiro nome. Os pelos de sua nuca se arrepiaram de leve. — Você realmente
acha que três mil pessoas podem guardar um segredo?