Rede de Sussurros

Chandler Baker · Capítulo 7 de 62

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Rede de Sussurros

Capítulo 6

 

21 DE MARÇO

Estávamos sempre à procura do homem perfeito. Mesmo aquelas que não

desejavam uma experiência heteronormativa tradicional ficavam fascinadas com

a busca antropológica por um, como uma caça ao unicórnio. Casadas ou

solteiras, estávamos à procura dele ou tentando criar um a partir do que já

tínhamos disponível. Esse espécime perfeito possuiria os seguintes atributos

essenciais:

Ele divide a comida e sempre pede sobremesa. Quando recomendamos um

livro, ele o compra sem precisar que um amigo reforce a sugestão primeiro. Sabe

como arrumar uma bolsa de fraldas sem precisar de orientação. É um cavalheiro

sulista com uma mãe da Costa Leste que estimula suas sensibilidades

discretamente progressistas. Diz “eu te amo” depois de dois meses e meio. Não

fica bêbado. Sabe fazer o imposto de renda. Nunca questiona nossos ideais

feministas quando nos recusamos a matar insetos ou trocar o óleo do carro. Não

se senta no chão para calçar os sapatos. Tem dinheiro suficiente para se

aposentar. Deseja com veemência um método anticoncepcional hormonal

masculino. Sente um ligeiro incômodo diante do conceito de mulheres

totalmente depiladas, mas não o suficiente para se posicionar contra ou a favor.

Acha Mindy Kaling engraçada. Gosta de almofadas. Não se importa que

ganhemos mais do que ele. Gosta de mulheres da mesma idade que ele.

Éramos razoáveis e irracionais, cínicas e ingênuas, mas estávamos sempre,

sempre à procura.

É claro que esta não é uma história sobre homens perfeitos, mas Ardie Valdez

infelizmente ainda não sabia disso quando, um dia depois da morte prematura

de Desmond, seu telefone vibrou: uma notificação do aplicativo de

relacionamento.

Caramba, aquilo ainda a deixava sobressaltada. Seu telefone passava tanto

tempo vibrando que ela queria ter economizado o dinheiro gasto depois do

divórcio com o brinquedinho sexual e simplesmente esperado seu telefone tocar.

Ardie olhou para a tela:

Você está com tudo. Você tem 1 nova mensagem.

 

* * *

 

Havia até mesmo um emoji de “fogo” ao lado do texto, como se o aplicativo

estivesse se esforçando para lembrar a Ardie que ela era velha demais para

namorar. O mundo agora era dos emojis, e Ardie estava apenas vivendo nele.

Ela começou a trabalhar na Truviv um ano e meio antes de Sloane. A mesma

Ardie desconfiada e que não se deixava impressionar facilmente, só que com

roupas muito melhores. Sloane gostava de contar para as pessoas que, se não

fosse por sua saia lápis rasgada e pelo kit de costura de emergência de Ardie, elas

provavelmente nunca teriam ficado amigas. Mas Ardie sabia que isso não era

verdade. Sloane sabia escolher amigas muito bem, e pouco tempo depois desse

episódio Ardie descobriu que ela sempre mantinha um kit de costura de

emergência em uma das gavetas de sua mesa. Mas Ardie nunca lhe contou que

descobriu isso.

A vida era muito mais alegre naquela época, tinha que admitir. Cheia de

possibilidades e piadinhas bobas. Antes de Ardie se tornar aquela nova pessoa,

uma mulher de quarenta e dois anos, divorciada.

No ano anterior, na fila da Starbucks, Ardie finalmente tinha tomado

coragem e contado a Sloane que ia se separar do marido, Tony. Meu marido está

dormindo com outra mulher, dissera, com seu jeito sarcástico característico.

Então acho que ele pertence a ela agora.

Sloane ficou furiosa. Como Tony pode ter feito isso? E o Michael? E a casa?

Ardie simplesmente se virou para ela, lhe entregou o café com leite e baunilha

e disse uma única palavra: Não.

A mensagem estava clara: não, você não, nem ouse começar.

Depois disso, as coisas entre as duas ficaram estranhas por um tempo.

Ela sabia sobre Sloane e Ames havia anos. Ela não era como Sloane. Para

Ardie, a melhor amiga era uma pessoa, não um rótulo. Ardie não tinha uma

melhor amiga do colégio, uma melhor amiga da faculdade, uma melhor amiga

mãe da pré-escola e uma melhor amiga do trabalho, que era como Sloane se

referia a Ardie quando falava com as outras melhores amigas. Então, com uma

única palavra — não —, ela disse para sua única melhor amiga que não, ela tinha

que parar, não, elas não iam conversar a respeito, não, ela não teria permissão

para expressar seu pesar pelo ser humano desprezível que o marido dela havia se revelado.

Porque, como ambas sabiam, Sloane também já tinha sido a amante. De outro

homem, claro, mas que importância isso tinha? Aquilo era uma categoria. Um

rótulo, na verdade. E havia culpa por associação.

Era incrível como, mesmo então, mesmo na privacidade de sua mente, Ardie

diminuía seu papel na história. O segredo enterrado tão fundo que provocava

apenas uma ínfima alteração em sua pulsação quando ela o repassava

rapidamente na memória. Um espaço em branco. Uma mentira.

Mas que importância isso tinha agora? Haviam superado aquilo. Eram gins

passados, por assim dizer. Na verdade, seis semanas antes, Sloane tinha insistido

para que Ardie se inscrevesse no Match.com, e Ardie, como era típico, obedeceu.

Deixou até que Sloane preenchesse seu perfil uma noite após o trabalho, e, pela

manhã, o resultado foi apresentado como se fosse um carro novo sendo revelado

na garagem.

— Derek disse que eu estava sendo agressiva demais. — Sloane falava muito

rápido, descrevendo como tinha preenchido o perfil ao lado do marido na cama.

— Mas ele não entende nada. Ele é homem.

(E o que os homens sabiam sobre encontros, afinal? Para nós, era um esporte

olímpico, enquanto eles acumulavam amigas solteiras como se estivessem se

preparando para o apocalipse.)

Ardie não teve coragem de dizer à amiga que ninguém se importava mais com

o Match.com e que àquela altura ela já estava usando três aplicativos de

relacionamento ao mesmo tempo. Mas gostou, mesmo sem demonstrar tanto, da

intromissão de Sloane em sua nova vida amorosa — ainda parecia nova, mesmo

um ano e dois meses depois do divórcio. Era bom ter a opinião de uma amiga.

Ardie colocou o telefone na mesa. A foto do homem que tinha enviado a

mensagem parecia promissora. Seu coração estava na boca. Ela gostava dessa

parte. Era como abrir um pequeno presente.

 

Oi. Meu nome é Colby. Sou um cara de gostos simples. Gosto de

pescar e só uso calça jeans, mas juro que tenho um emprego. Vendo

granito, pedras e outros materiais de construção para reforma de

residências. Isso parece meio sem graça, então você sabe que não

estou inventando essa parte. Nos fins de semana, levo meu cachorro

para passear no lago White Rock e gosto de passar o tempo vendo

Netflix. Já fui casado uma vez. Sem filhos, infelizmente.

Entre em contato comigo se quiser me conhecer.

Abraço, Colby

P.S.: B/D, AMG

 

Ardie leu o e-mail duas vezes. Ela não costumava se interessar por “caras do

campo”, mas gostou da praticidade de Colby. E não era que conseguia se

imaginar aprendendo a pescar? Michael não ia adorar?

Ela não sabia o que o post scriptum queria dizer. Hoje em dia, os encontros

on-line tinham praticamente uma linguagem própria. Ela digitou o primeiro

acrônimo na barra de pesquisa. B/D.

A resposta surgiu rapidamente: bem-dotado.

Ardie ficou cabisbaixa. Foi por pouco, Colby, foi por pouco. A decepção foi

profunda. Por mais que ela e Sloane gostassem de zombar dos millennials, os

encontros on-line haviam lhe ensinado que as pessoas mais novas tinham um

tipo estranho de resiliência: eram imunes a algumas coisas, mas completamente

abertas e vulneráveis a quase todo o resto.

Ela digitou o segundo acrônimo no site de pesquisa mesmo assim. AMG.

Apreciador de Mulheres Gordas.

Ardie fez um bico. Olhou para o pneuzinho que escapava da cintura da calça

e, em seguida, como referência, para a foto de seu perfil.

Ela não se incomodava com o fato de estar gorda. O que a incomodava era o

fato de não saber disso, como se seu corpo tivesse mudado sorrateiramente sem

que ela notasse, porque estava, de modo geral, sozinha, sem ninguém que

reparasse nesse tipo de mudança além dela mesma. O que não parecia justo, o

que parecia terrivelmente cruel, era que Ardie já tinha passado por todos os

rituais excruciantes de um encontro antes dos trinta anos, reduzindo aos poucos

a pilha de homens que iam e vinham. Tinha escolhido uma pessoa, e ele a

escolhera, e isso deveria significar que ela nunca mais teria que se preocupar se

coisas como ser gorda eram certas ou erradas, porque para alguém, para aquela

única pessoa, estava tudo bem. Ela estava bem. Até não estar mais.

Ardie fechou os olhos. Tentou parar de pensar naquilo. Mas os pensamentos

já estavam lá, como névoa se infiltrando por uma janela.

Ela sentia falta do marido. Ou sentia falta de estar casada. Não estava segura

se ainda sabia a diferença. Ardie sentia falta das conversas com ele enquanto ele

tomava banho. Sentia falta de verem TV juntos. Sentia falta de compartilhar com

a única pessoa no mundo que se importava tanto quanto ela um relato

meticulosamente detalhado de todas as coisinhas engraçadas e incríveis que

Michael tinha feito naquele dia. Sentia falta de acordar no meio da noite na cama ao lado de alguém.

Simplesmente sentia falta.

 

* * *

 

A cozinha do escritório tinha um acabamento elegante. Fora recentemente

reformada com paredes verdes opacas e revestimento de pedra nas bancadas,

além de eletrodomésticos chiques de aço inoxidável que Ardie não ostentaria na

própria casa. Como empresa, a Truviv tinha certo complexo psicológico. Era,

para os parâmetros locais, uma empresa cool, mas que seria ainda mais cool em,

digamos, Austin ou Portland. Tinha uma academia bonita, mas não muito

pomposa, com uma variedade razoável de aulas em grupo. Era uma marca de

roupas esportivas, afinal de contas. Cultivava um discreto ar de saúde e

refinamento, desencorajando os funcionários a fumar do lado de fora do prédio

(os fumantes tinham que ir até uma das sacadas — havia uma imagem a zelar) e

incentivando os homens a usar as camisas dry-fit da marca por baixo do terno.

Esportivo, mas ainda assim elegante, em Dallas, onde ninguém nunca

demonstrou muito entusiasmo pela febre de mesas de totó e barras de cereais das

empresas de tecnologia de conceito aberto.

Ardie pegou uma caneca no armário. No ano anterior, a empresa também

tinha trocado todas as cafeteiras por máquinas Keurig, então ela escolheu uma

cápsula que prometia um toque de noz-pecã e a enfiou na máquina. (Ah, como

adorávamos as coisas gratuitas como aquelas cápsulas de café e os frascos de

álcool gel, e agradecíamos a Deus pelas bolsas que podíamos encher com eles.)

Em casa, Michael adorava usar a Keurig. Ele faria quatro anos em duas semanas e

ela vinha selecionando no Pinterest imagens de festas de aniversário com tema

de super-heróis e se perguntando se era o tipo de mãe que faria cidades de

mentirinha com caixas de papelão. A nova esposa do ex-marido, Braylee, era

exatamente esse tipo de pessoa.

Aliás, que espécie de nome era Braylee? Ela nem era tão nova. Trinta e nove

anos. Como a esposa desprezada, Ardie se sentia no direito de zombar da

novinha burra que agora era a esposa do ex-marido. Mas Braylee trabalhava no

mercado de investimentos e não era nem nova nem burra, o que só a tornava

ainda mais irritante.

Braylee estaria na festa de aniversário.

Ardie vinha cultivando uma vaga esperança de que encontraria alguém para ir

com ela à festa de Michael. Uma companhia! Para o aniversário do filho!

Quando a Keurig roncou e começou a funcionar, Ardie viu Katherine

entrando na cozinha. A garota tinha uma postura impecável. Será que ter uma

postura impecável era um pré-requisito para cortar o cabelo bem curto? Ardie

lançou mão de seu sorriso educado e profissional e acenou para cumprimentá-la.

— O que está achando da empresa?

A luz azulada da geladeira iluminou as bochechas e o nariz de Katherine.

— Ah, hum, ótima. — Katherine pegou uma Coca Zero. — É só diferente, eu

acho.

— Com certeza. — Ardie mal conseguia se lembrar de quando não trabalhava

na Truviv. Na faculdade de direito ela já sabia que queria sair dos escritórios de

advocacia para o departamento jurídico de uma empresa assim que possível.

Honorários não eram com ela. — Mudanças podem ser boas. Nem que seja pela

comida mexicana.

— Talvez.

— Então, você tem filhos? — perguntou Ardie.

As pessoas podiam ser completamente rabugentas no trabalho, mas bastava

falar dos filhos que elas se tornavam mais humanas.

Katherine começou a abrir as gavetas da cozinha, procurando por algo que

Ardie não fazia ideia do que era. Ela fez uma pausa.

— É permitido perguntar isso?

— Eu… acho que sim.

— Ah, então não. Não tenho. — Katherine encontrou um guardanapo,

envolveu a lata de alumínio e fechou a gaveta com um empurrãozinho do

quadril. — Também não sou casada.

A vaga insinuação de um sorriso. Ardie pigarreou.

— Nem eu. Então acho que agora só falta falarmos de religião e orientação

sexual, certo?

Katherine estreitou os olhos até quase se fecharem e soltou uma risada

delicada, em seguida pressionou a cabeça com as mãos.

— Ai. Desculpa. — Katherine balançou a cabeça, como se estivesse

envergonhada.

A porta se abriu atrás dela, seguida do ruído de sapatos masculinos, um

chiado contra o azulejo, pontuado de tempos em tempos pelo bater de um salto.

— Senhoritas.

Ames passou por Ardie, indo na direção da enorme jarra de biscoitos em

formato de animais em cima da bancada. Ardie tinha propensão a notar os

aspectos mais trivialmente humanos de Ames Garrett. Como os tufos de pelos brancos que cresciam no dorso de suas mãos. Ou a dobra de pele flácida entre o

queixo e o pescoço.

— O que achou do Savor? Legal, né? — perguntou ele a Katherine, inclinando

a cabeça para trás para jogar um dos biscoitos em formato de tigre, elefante ou

leão na boca aberta. — Ardie — cumprimentou ele, por educação. — Eu conheço

o dono.

Ele começou a mastigar, olhando novamente para Katherine.

— Sim, muito obrigada pelo convite — respondeu ela. — Foi muito gentil da

sua parte se dar ao trabalho. — O barulho de Ames mastigando soava alto entre

os três. — Ainda não conheço os lugares legais da cidade — finalizou ela, com

um aceno de cabeça educado.

Sloane tinha razão, como sempre. Katherine não era naturalmente calorosa ou

vivaz. Parecia uma mulher tentando ser levada a sério. Ardie descobrira que esse

era um problema característico das mulheres jovens e bonitas: a necessidade de

se estabelecer com base em algo que não fosse a aparência, enquanto, ao mesmo

tempo, tentavam tirar vantagem dela.

— Fica na minha cola, garota. — Uma explosão estelar de rugas se espalhou

pelos cantos dos olhos de Ames. — Fique à vontade para passar na minha sala

mais tarde. Podemos discutir os próximos passos. Podemos até falar sobre a

equipe de aquisições da qual você quer fazer parte, o que acha? — Em seguida: —

Seu café está pronto — disse para Ardie enquanto pegava uma lata de Coca-Cola

na geladeira. Ele passou por ela novamente para sair da cozinha, os sapatos

chiando, mas hesitou à porta. — De tudo o que essa aí falar de mim, só acredite

nas coisas boas, Katherine.

Seu riso permaneceu no ar por um instante depois que a porta se fechou.

Ardie olhou para a cafeteira, lançando mão de sua considerável expertise na

arte de parecer imperturbável. Ames deixara picadas invisíveis na sua pele e um

vácuo de silêncio em seu rastro.

— Bem — disse ela, fazendo um esforço consciente para preenchê-lo e

retomar o equilíbrio. — Se precisar de alguma coisa, pode falar.

E se virou para sair, deixando um rastro de vapor de sua xícara ao passar.

Quando ia abrir a porta, Katherine a chamou.

— Na verdade, você tem remédio para dor de cabeça? — perguntou ela. —

Desculpa, acho que estou ficando com enxaqueca. Eu tenho às vezes. Você… por

acaso sabe se tem analgésico em algum lugar por aqui?

Ardie amoleceu. Ela costumava ter enxaquecas na adolescência. Experiências

pavorosas. Mal conseguia fazer o básico. Embora fosse possível, pensando melhor, que ela tivesse tomado mais do que apenas um drinque na noite

anterior… Sloane não tinha mandado mensagem para ela depois de voltar para o

escritório, e Ardie pegara no sono antes de se lembrar de verificar.

Sloane tinha prometido que seria apenas um drinque.

Ela observou Katherine.

— No armário de cima, à esquerda. — Ela apontou, e Katherine pressionou as

têmporas, soltando um suspiro profundo de alívio.

Ardie a observou por um momento, sua expressão de dor enquanto girava a

tampa à prova de crianças de um frasco de Advil.

— Katherine — disse ela, sentindo uma vontade repentina e urgente de trazê-

la para o seu lado antes que Ames fizesse isso. — Vou fazer uma festinha para

comemorar o aniversário de quatro anos do meu filho no próximo fim de

semana. A Sloane e a Grace estarão lá. Quer ir?

Transcrição de depoimento

 

26 DE ABRIL

Sra. Sharpe: Por favor, diga seu nome.

Ré 2: Adriana Valdez.

Sra. Sharpe: Há quanto tempo trabalha na empresa, sra. Valdez? Ré 2: Trabalho na Truviv há quase doze anos. Sra. Sharpe: Incrível. Há quanto tempo conhecia Katherine Bell antes do

incidente?

Ré 2: Cerca de um mês, acho.

Sra. Sharpe: Qual foi sua primeira impressão da srta. Bell? Ré 2: Ela foi bastante simpática. Parecia inteligente, jovem,

determinada. Não era do tipo calorosa e animada, mas eu também não sou. Achei que a entendia.

Sra. Sharpe: A senhora diria que se tornou amiga da srta. Bell ao longo

desse mês?

Ré 2: Não tenho certeza.

Sra. Sharpe: Pode explicar melhor?

Ré 2: Na época, achei que tínhamos nos tornado amigas. Só que algumas

coisas vieram à tona desde então.

Sra. Sharpe: Pode ser mais específica?

Ré 2: Claro. Katherine mentiu.