Rede de Sussurros
Capítulo 43
26 DE ABRIL
Depois disso, elas não viram mais Katherine. Mas isso não significava que ela não
estivesse lá. Ela se tornou um fantasma, assombrando-as. Parecia ainda mais
próxima na imaginação delas, porque de repente se tornara intangível.
Incorpórea. Escondida em algum lugar. Um espaço em branco para ser
preenchido com motivações, histórico e astúcia. Na ausência dela, as outras três
questionavam seu discernimento. Elas questionavam a si mesmas.
Os depoimentos começaram, depois de passados vários dias desde a última
vez que Sloane tivera notícias dos detetives e sem indício algum do rumo que as
investigações estavam tomando.
Sloane, Grace e Ardie haviam contratado Helen Yeh, do Scott, Wasserstein &
McKenna. Na verdade, Sloane tinha cobrado um favor. Ela conseguira um
estágio no Jaxon Brockwell para o filho de Helen no ano anterior, e agora ele era
calouro na faculdade de direito da Universidade da Pensilvânia. Desde o início,
Helen concordou em aceitar a causa em regime de contingência, o que
significava que, se elas ganhassem alguma coisa, ela levaria 40%. Elas não tinham
que pagar um centavo adiantado, embora estivesse rapidamente começando a
parecer que não haveria um centavo a se ganhar, e Helen provavelmente
estivesse começando a se perguntar quanto a formação jurídica do filho
realmente valia para ela.
A estratégia da Truviv, ao que parecia, consistia em desgastar metodicamente
a credibilidade das mulheres — sobretudo a de Sloane. Fazer com que suas
alegações parecessem exageradas. Traçar uma linha tão clara quanto possível
ligando a lista e o processo à morte de Ames. Horas se passavam, pontuadas por
café morno retirado de uma garrafa térmica, durante as quais Sloane tinha que
tomar cuidado com cada palavra que proferia. No fim da tarde, elas encerravam
o expediente e Sloane, Ardie e Grace se reuniam em uma das muitas saladerias
que povoavam o centro de Dallas. Durante essas reuniões, Sloane tentava animá-
las. Ela repassava a linha de interrogatório — o caso que tivera com Ames era irrelevante, a carta de Grace fora escrita sob coação, o que na verdade poderia ser
interpretado como um ponto a favor delas. Elas eram funcionárias antigas e
responsáveis, com um histórico de lealdade à empresa.
Mas não havia leveza alguma nesse tempo que passavam juntas e, de qualquer
maneira, o tom de Sloane a entregava. Uma ponta embotada de mágoa ainda
persistia pelo fato de Ardie ter reclamado dela. Será que Sloane era alguém sobre
quem as pessoas se queixavam? Ela temia isso. Temia que Derek estivesse se
preparando para deixá-la. (O que ele fazia todas aquelas horas sozinho no quarto
de hóspedes?) Temia perder o emprego.
Ainda assim.
— Como eles podem dizer que algo que fizemos levou o Ames a se matar? —
Sloane dizia diante de uma salada intocada de alface roxa e queijo de cabra.
Mas a conversa sempre voltava para Katherine.