Rede de Sussurros

Chandler Baker · Capítulo 38 de 62

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Rede de Sussurros

Capítulo 37

 

17 DE ABRIL

A mulher de pé no saguão do prédio da Truviv tinha a postura de alguém que

começava a se acostumar a conseguir o que queria. Não tinha exatamente porte

de modelo, mas era alta e elegante, e com certeza estava mais perto disso do que

Sloane, que só tinha sido chamada de “explosiva” ou “ousada”

(inexplicavelmente, palavras que não costumavam ser usadas para descrever

mulheres mais altas). O cabelo ruivo da mulher — nem de longe natural —

estava preso em um coque banana, e seu nariz reto era digno de uma estátua

grega. Outra mulher, mais jovem, talvez na casa dos trinta anos, e um homem

grisalho e bonito a acompanhavam, como dois acessórios de luxo.

— Cosette? — Sloane se aproximou rapidamente da mulher, que usava os

polegares para digitar uma mensagem no celular. Tocou seu cotovelo com

delicadeza. — Oi, sinto muito, mas nós tínhamos alguma reunião marcada?

Sloane já estava fazendo um inventário dos compromissos da semana, mas

nenhuma lembrança de uma reunião com Cosette lhe veio à mente.

Cosette Sharpe colocou o celular no bolso do blazer. Sorriu para Sloane e se

inclinou para lhe dar dois beijinhos nas bochechas.

— Não, não. Eu acabei de chegar.

Como se alguém simplesmente acabasse de chegar de Nova York. Um Rolex

com diamantes incrustados despontava debaixo da manga. Custava, no mínimo,

quarenta mil dólares, pelas contas de Sloane. Ela fez um gesto para que os dois

colegas lhe dessem licença, e um arrepio, tão frio quanto os quilates no pulso de

Cosette, percorreu o corpo de Sloane.

Cosette era uma ex-colega de faculdade, bem próxima de Jenny, uma das

melhores amigas de Sloane. Sete anos antes, Jenny tinha marcado um encontro

para que as duas tomassem um café enquanto Cosette estava “na cidade”. Ela

havia feito uma proposta para ficar com a maior parte do trabalho externo de

fusões e aquisições da Truviv, e Sloane foi pessoalmente falar com Ames para

defender essa ideia, porque se esforçava para fazer esse tipo de coisa por outras mulheres quando estava a seu alcance. Agora, Cosette era a sócia de

relacionamento de uma empresa que fazia parte da Fortune 500, e Sloane tinha

uma excelente assessoria jurídica externa, além de receber uma caixa de Veuve

Clicquot todo Natal. Todo mundo saiu ganhando.

Sloane encarou Cosette, tentando detectar se ela havia feito ou não outra

plástica.

— Sloane. O conselho me chamou para cuidar do processo de assédio.

Com uma notícia dessas, ela poderia pelo menos ter começado com um pedido

de desculpas!

— Você não trabalha com processos litigiosos — disse Sloane.

— Eu sei. Pode acreditar, falei isso para eles. Mas somos um grande escritório.

Trouxe outros membros da nossa equipe. — Ela indicou com a cabeça os dois

advogados que olhavam para seus celulares. — A Truviv se sente segura conosco.

E, como sócia de relacionamento, estarei aqui para aconselhar a empresa.

— Não é possível. Isso só pode ser brincadeira.

Sloane precisou de todo o seu autocontrole para não soltar um palavrão.

— Olha. — Cosette se aproximou. — Aqui entre nós, você sabe que estou

inclinada a acreditar em vocês. Mas a Truviv é um cliente importante para nosso

escritório, sobretudo para mim. Não é nada pessoal.

— Eu consegui esse trabalho para você, Cosette. — Uma onda de calor subiu

pelo peito de Sloane. — Você me procurou pedindo ajuda. As mulheres da área

jurídica têm que se unir. — Ela adotou uma voz falsamente doce. — Acho que

essas foram exatamente as suas palavras.

Ela inclinou a cabeça e esperou pela resposta, ao mesmo tempo que se

perguntava quanto tempo os seguranças na cabine do outro lado do saguão

levariam para chegar se ela torcesse o pescoço de Cosette. (Era só uma ideia.)

Cosette apertou o ombro de Sloane.

— Eu não esqueci e, acredite, vou fazer tudo o que puder para ajudá-la do

meu lado da mesa, está bem?

Lá estavam as piscadas exageradas outra vez. Derek provavelmente estava

certo, não era sua melhor expressão, mas...

— Hum, não, Cosette. Não está nada bem.

Ela tirou a mão que estava em seu ombro.

Cosette suspirou. Seus dentes inferiores estavam começando a se projetar.

— Estou ajudando a causa do meu jeito, entende? Sou a sócia mais jovem no

comitê executivo e sou mulher. Não é uma mensagem tão ruim assim para as

jovens, não acha? E posso fazer minha parte de dentro. Mais poder, mais influência.

Cosette alisou a blusa, endireitando a postura para ficar ainda mais alta.

— Espero que você tenha feito um aquecimento antes de realizar uma

ginástica mental como essa.

— E eu espero é que possamos retomar nosso relacionamento profissional

quando tudo isso acabar. — Ela sorriu. — Posso até ajudá-la a encontrar um

emprego em outro lugar, com salário melhor, se você decidir assim. Da mesma

forma como você me ajudou. Você é uma ótima advogada.

Cosette uniu as mãos e, em vez de apertar a mão de Sloane, fez uma pequena

reverência antes de voltar para perto dos colegas, que esperavam diante dos

elevadores.

Sloane esperou que ela se afastasse alguns passos.

— E você é uma vaca.

As palavras ecoaram no saguão, e Sloane achou ter visto as costas de Cosette

se enrijecerem.