Sobre Heróis e Tumbas
Capítulo 3
Enquanto esperava no The Criterion, olhando fotografias da rainha Elisabeth em um lado e gravuras de mulheres nuas em outro, como se o Império e a Pornografia (pensava) pudessem honradamente coexistir, assim como coexistem as famílias honestas e os prostíbulos (e não apesar disso, mas, como Molinari lhe explicara brilhantemente, por isso mesmo), seu pensamento voltava a Alejandra, perguntando-se como e com quem teria descoberto aquele bar vitoriano.
No balcão, debaixo do sorriso pequeno-burguês da rainha (“nunca houve uma família real tão insignificante”, Alejandra disse-lhe depois), executivos e altos funcionários ingleses tomavam seu gim ou seu uísque e riam das próprias piadas. A pérola da Coroa, pensou, bem na hora em que a viu entrar. Ela pediu um Gilbey e, depois de escutar Martín, comentou:
— Molinari é um homem respeitável, um Pilar da Nação. Em outras palavras: um perfeito canalha, um notável filho-da-puta.
Chamou o garçom, enquanto dizia:
— Falando nisso várias vezes você me perguntou por Bruno. Agora vou apresentá-lo a você.