A Torre Negra, Vol. 7

Stephen King · Capítulo 18 de 66

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A Torre Negra, Vol. 7

Capítulo IV · A Porta para Trovoada

 

 

UM

Quando os quatro viajantes despertaram de seu sono (Roland primeiro e após exatamente seis horas), havia mais popquins empilhados numa bande-ja coberta de pano e também mais refrigerantes. Não havia, contudo, sinal do robô doméstico.

— Tudo bem, então — disse Roland após chamar Nigel pela terceira vez. — Ele nos disse que estava nas últimas; parece que enquanto dormí-amos o ciclo se completou.

— Estava fazendo algo que não queria fazer — disse Jake. Seu rosto parecia pálido e inchado. De dormir demais, foi o primeiro pensamento de Roland, mas logo ele se perguntou como podia ser tão tolo. O garoto esti-vera chorando por Père Callahan.

— Fazendo o quê? — Eddie perguntou, passando a tralha sobre um ombro e levantando Susannah para apoiá-la no quadril. — Para quem? E por quê?

— Não sei — disse Jake. — Ele não queria que eu soubesse e não me senti no direito de me intrometer. Sei que era apenas um robô, mas com aquele belo sotaque inglês e tudo parecia muito mais.

— Isso é um escrúpulo que talvez você precise superar — disse Ro-land, o mais gentilmente que pôde.

— Estou muito pesada, docinho? — Susannah perguntou jovialmen-te a Eddie. — Ou talvez o que eu devesse perguntar fosse: “Está sentindo muita falta daquela boa e velha cadeira de rodas?” Para não mencionar o colete de ombro.

— Suze, você sempre detestou ser metida naquele suporte e nós dois sabemos disso.

— Num tava perguntando sobre isso, e tu sabe disso.

Roland sempre ficava fascinado quando Detta deslizava de mansinho para a voz de Susannah ou — de forma ainda mais fantasmagórica — para seu rosto. Susannah, no entanto, parecia inconsciente dessas incursões, como seu marido agora constatava.

— Eu te carregaria até o fim do mundo — disse Eddie sentimental-mente, beijando a ponta do nariz dela. — Claro, a não ser que você ganhe mais uns quatro ou cinco quilos. Então talvez eu tenha de deixá-la e procu-rar uma dama mais leve.

Ela lhe deu uma cotovelada — e não das mais suaves — e se virou para Roland:

— Este lugar é grande pra caramba quando a gente chega aqui em-baixo. Como vamos achar a porta que leva a Trovoada?

Roland balançou a cabeça. Não sabia.

— E você, bacurau? — Eddie perguntou a Jake. — Você é o melhor no toque. Não pode usá-lo para encontrar a porta que queremos?

— Talvez se eu soubesse como começar — disse Jake —, mas não sei.

E com isso, os três olharam de novo para Roland. Três não, calculem quatro, porque até o maldito trapalhão estava olhando. Eddie teria feito uma piada para afastar o mal-estar que ia sentir se fosse alvo daquele olhar conjunto. Roland chegou a procurar uma. Alguma coisa sobre como olhos demais podem azedar o pastel, quem sabe? Não. Aquela tirada, que ouvira de Susannah, envolvia cozinheiros e caldo, não pastel. No fim, ele se limi-tou a dizer:

— Vamos sondar um pouco por aqui, como fazem os cães quando perdem o cheiro da presa, e ver o que encontramos.

— Talvez outra cadeira de rodas onde eu possa viajar — disse Susan-nah num tom animado. — Este horroroso rapaz branco tem posto as mãos por toda a minha intimidade.

Eddie deu-lhe um olhar sincero.

— Se fosse realmente pura, querida — ele disse —, não seria rachada como é.

 

DOIS

Foi Oi quem realmente assumiu a coisa e conduziu-os, mas só quando re-tornaram à cozinha. Os humanos rodavam de um lado para o outro com uma espécie de falta de objetivo que Jake estava achando um tanto pertur-badora quando Oi começou a latir o nome dele:

— Ake! Ake-Ake!

Eles se juntaram ao trapalhão numa porta semi-aberta que dizia NI-VEL-C. Depois de avançar um pouco pelo corredor, Oi sé virou e olhou para trás, olhos brilhantes. Quando viu que não o estavam seguindo, latiu desapontado.

— O que acham? — Roland perguntou. — Devemos segui-lo?

— Sim — disse Jake.

— Que cheiro ele pegou? — Eddie perguntou. — Você sabe?

— Talvez alguma coisa vinda do Dogan — disse Jake. — O verdadei-ro, do outro lado do rio Whye. Onde eu e Oi ouvimos por acaso o pai de Ben Slightman e o... você sabe, o robô...

— Jake? — Eddie perguntou. — Tudo bem com você, garoto?

— Sim — disse Jake, embora não tivesse uma sensação de todo agra-dável ao se lembrar de como o pai de Benny gritara. Andy, o Robô Mensa-geiro, aparentemente cheio das reclamações de Slightman, tinha golpeado ou beliscado alguma coisa no cotovelo do homem (provavelmente um nervo) e Slightman havia “berrado como uma coruja”, como Roland diria (e provavelmente com pelo menos um leve desprezo). Slightman, o Jovem, estava agora além dessas coisas, é claro, e era essa percepção (um garoto, que fora um dia cheio de alegria e agora estava frio como barro em beira de rio) que tinha feito o filho de Elmer vacilar. Você tinha de morrer, sim, e Jake esperava poder fazer isso pelo menos moderadamente bem quando a hora chegasse. Afinal, já tivera algum treinamento sobre como fazer. Foi a idéia de todo esse tempo de sepultura que lhe deu calafrios. Esse tempo inativo. Esse tempo tipo repouse-quieto-e-continue-a-estar morto.

O cheiro de Andy (metálico, mas oleoso e singular) impregnara todo o Dogan na outra margem do rio Whye, pois ele e Slightman, o Velho, se encontraram muitas vezes lá antes da incursão dos Lobos, a incursão que ia se deparar com Roland e sua milícia improvisada. Aquele odor não era exa-tamente o mesmo, mas era interessante. Por certo era o único cheiro fami-liar que Oi tinha descoberto até agora, e ele queria segui-lo.

— Espere um minuto, espere um minuto — disse Eddie. — Estou vendo algo de que precisamos.

Pôs Susannah no chão, atravessou a cozinha e voltou empurrando uma mesa de aço inox provavelmente destinada a transportar pilhas de pra-tos lavados ou utensílios maiores.

— Cá em cima, beleza, é sua mesa — disse Eddie, pondo Susannah sobre a mesa.

Ela se sentiu bastante confortável, agarrando as bordas, mas mostrou um ar de dúvida.

— E quando houver um lance de degraus? E aí, garotinho doce?

— Garotinho doce queimará a ponte quando se deparar com ela — disse Eddie, empurrando a mesa com rodinhas para o corredor. — Oi, vamos lá! Em frente, você puxa o trenó!

— Oi! Nó! — O trapalhão correu com disposição à frente, abaixando de vez em quando a cabeça para mergulhar no cheiro, mas não aparentan-do grande preocupação. O cheiro era fresco e forte demais para precisar de muita atenção. Era o odor dos Lobos que tinha encontrado. Após uma hora de caminhada, passaram por uma porta do tamanho de hangar com a inscrição AOS CAVALOS. Atrás dela, a trilha levou-os para outra porta, agora com a inscrição ÁREA DE CONCENTRAÇÃO e SÓ PESSOAS AUTORIZADAS. (Que tivessem sido seguidos durante parte da caminha-da por Walter das Sombras era coisa de que nenhum deles, nem mesmo Jake — forte no toque como era —, suspeitava. Pelo menos com o garoto o “bloqueador de pensamento” do homem do capuz funcionara bastante bem. Quando Walter teve certeza do lugar para onde o trapalhão os estava levando, dera meia-volta para ter uma palestra com Mordred — um erro, como ficou provado, mas pelo menos com uma consolação: ele jamais cometeria outro.)

Oi sentou-se diante da porta fechada, do tipo que abria para ambos os lados, com sua cauda retorcida de desenho animado presa ao traseiro, e latiu.

— Ake, abi-abi! Abi, ake!

— É, é — disse Jake —, num minuto. Segure sua água.

— ÁREA DE CONCENTRAÇÃO — disse Eddie. — Isto soa pelo menos moderadamente promissor.

Continuavam empurrando Susannah na mesa de aço inox, tendo ven-cido a única escada por que tiveram de passar (uma escada razoavelmente curta) sem muito problema. Susannah descera primeiro de bunda seu mo-do habitual de descer — enquanto Roland e Eddie carregavam a mesa a-trás dela. Jake ia entre a mulher e os homens com o revólver de Eddie pre-parado, o comprido cano ornado por volutas apoiado na cavidade do om-bro esquerdo, uma posição conhecida como “em guarda”.

Roland agora puxava seu próprio revólver, encostava-o na cavidade do ombro direito e empurrava a porta. Atravessou-a numa posição ligeira-mente agachada, pronto para mergulhar para um lado ou saltar para trás se a situação o exigisse.

A situação não exigiu. Se Eddie tivesse sido o primeiro, podia ter a-creditado (mesmo que só momentaneamente) estar sendo atacado por al-guma espécie de Lobos voadores, como os macacos voadores de O Mágico de Oz. Roland, no entanto, não tinha exatamente excesso de imaginação e, embora a maioria das lâmpadas fluorescentes do teto estivessem apagadas naquele espaço enorme como um celeiro, ele não perdeu tempo — nem adrenalina — confundindo os objetos suspensos com qualquer outra coisa além do que realmente eram: carcaças de robôs quebrados esperando repa-ro.

— Vamos entrar — disse, e suas palavras voltaram ecoando para ele. De algum lugar, das sombras no alto, veio um agitar de asas. Andorinhas ou talvez rouxinóis que tinham encontrado o caminho para lá. — Acho que está tudo bem.

Entraram e olharam para o alto em respeitoso silêncio. Só o amigo quadrúpede de Jake não ficou impressionado. Oi aproveitava o intervalo para se arrumar, primeiro à esquerda, depois à direita.

— Vou dizer uma coisa a vocês — disse Susannah por fim, ainda sen-tada na mesa de aço rolante —, já vi muita coisa, mas nunca vi nada que pudesse se comparar a isso.

Nem os outros tinham visto. O enorme salão estava repleto de Lobos que pareciam suspensos no meio de um vôo. Alguns usavam os capuzes e capas de cavaleiros do apocalipse; outros balançavam vestindo apenas pei-torais de ferro. Alguns estavam sem cabeça, outros sem braços e em alguns faltava uma perna ou outra. As cinzentas faces metálicas pareciam estar rosnando ou sorrindo, dependendo de como fossem atingidas pela luz. Caídos no chão, uma camada de capas verdes e um monte de manoplas também verdes. E a cerca de 40 metros de lá (o salão se estendia pelo me-nos por 200 metros de uma ponta à outra) havia um único cavalo cinza, deitado de costas, as pernas rigidamente esticadas para cima. Perdera a ca-beça. Do pescoço emergiam emaranhados de fios encapados de amarelo, verde e vermelho.

Andaram vagarosamente atrás de Oi, que trotava com animada des-preocupação. A mesa rolante fazia muito barulho lá dentro e o eco que retornava era um ronco sinistro. Susannah continuava olhando para cima. A princípio — e só porque havia agora pouca luz no que antes devia ter sido um local de muito brilho — achou que os Lobos estavam flutuando, mantidos por algum tipo de sistema antigravitacional. Então o grupo che-gou a um lugar onde a maioria das lâmpadas fluorescentes ainda funciona-va e ela viu os fios de sustentação.

— Os reparos aconteciam aqui — disse ela. — Isto é, se sobrara al-guém para fazer isto.

— E acho que era aí onde eram providos de energia — disse Eddie apontando. Ao longo da parede oposta, que só agora começavam a ver com clareza, havia uma fileira de boxes. Havia lobos rigidamente parados em alguns. Outros estavam vazios e, nesses, via-se um certo número de tomadas para a plugagem em alguma rede.

Jake irrompeu de repente numa risada.

— Que foi? — Susannah perguntou. — O que é?

-— Nada — disse ele. — É só que... — Seu riso tornou a ressoar, pa-recendo fabulosamente jovem naquela câmara sombria. — É só que pare-cem passageiros de trem, na estação Pennsylvania, fazendo fila junto aos telefones públicos para ligar para casa ou para o escritório.

Eddie e Susannah pensaram um momento naquilo e também explodi-ram numa risada. Então, Roland pensou, a visão de Jake devia ser verda-deira. Depois de tudo que passaram, isto não o surpreendia. O que o dei-xava feliz era ouvir o riso do garoto. Jake, sem dúvida, tinha toda a razão em chorar pelo Père, que fora seu amigo, mas era bom que ainda pudesse rir. Muito bom mesmo.

 

TRÊS

A porta que queriam ficava à esquerda dos boxes de recarga. Todos identi-ficaram de imediato o sigul nuvem-e-relâmpago que havia nela pela nota que “R.F.” tinha deixado no verso de uma folha do Diário Marrom de Oz, mas a porta em si era muito diferente das que tinham encontrado até ali; tirando a nuvem e o relâmpago, parecia estritamente utilitária. Embora es-tivesse pintada de verde, perceberam que era de aço, não de carvalho ou de alguma pesada madeira reutilizada. Em volta dela havia uma moldura cin-zenta, também de aço, com numerosos e grossíssimos fios elétricos insula-dos de cada lado. Os fios entravam em uma das paredes. De trás dessa pa-rede vinha um ronco áspero que Eddie achou que estava reconhecendo.

— Roland — ele disse em voz baixa —, está lembrado daquele Portal do Feixe a que nós chegamos bem no início da viagem? Antes mesmo de Jake se unir ao nosso grupo de gente feliz.

Roland abanou a cabeça e confirmou:

— Onde atiramos nos Pequenos Guardiães. O séquito de Shardik. Aqueles que ainda sobreviviam.

Eddie assentiu.

— Encostei minha orelha naquela porta e ouvi. “Tudo silencioso nas sa-las da morte” pensei. “Estas são as salas da morte, onde as aranhas tecem e os gran-des circuitos caem, um a um, em silêncio.”

Na realidade, Eddie dissera aquilo em voz alta, mas Roland não estava espantado por Eddie não se lembrar disto; estivera hipnotizado ou próxi-mo disso.

— Estávamos então do lado de fora — disse Eddie. — Agora esta-mos no interior. — Apontou para a porta que ia para Trovoada, depois traçou com um dedo o curso dos fios gordos. — A maquinaria que trans-mite energia através deles não parece muito saudável. Se vamos usar esta coisa, acho que devemos pôr mãos à obra. A qualquer momento isso pode parar para sempre e aí o que vamos fazer?

— Chamamos a Triple-A Viagens — disse Susannah num tom so-nhador.

— Acho que não. Íamos ser torrados... como era mesmo, Roland?

— Torrados no forno. “Estas são as salas da ruína”, isso foi você quem disse. Está lembrado?

— Eu disse isso? E em voz alta?

— Foi. — Roland levou-os até a porta. Estendeu a mão, tocou a ma-çaneta e recuou.

— Quente? — Jake perguntou.

Roland balançou negativamente a cabeça.

— Eletrificada? — Susannah perguntou.

O pistoleiro tornou a negar.

— Então ande, vá em frente — disse Eddie. — A dança continua.

Todos se amontoaram atrás de Roland. Eddie estava mais uma vez segurando Susannah pelo quadril e Jake tinha posto Oi no colo. O trapa-lhão arfava por entre o habitual sorriso alegre e dentro dos círculos doura-dos os olhos brilhavam como ônix polido.

— O que vamos fazer... — se estiver trancada, era como Jake pretendia terminar, mas, antes que o fizesse, Roland girou a maçaneta com a mão direita (tinha o revólver que lhe restava na esquerda) e puxou a porta. O barulho das máquinas atrás da parede aumentou um pouco, o que pareceu quase desesperador. Jake achou que estava sentindo o cheiro de alguma coisa quente: isolante queimado, talvez. Acabava de dizer a si mesmo para não ficar imaginando coisas quando alguns ventiladores começaram a fun-cionar no alto do galpão. Eram barulhentos como caças taxiando num fil-me sobre a Segunda Guerra Mundial e todos deram um salto. Susannah chegou a pôr uma mão na cabeça, como se quisesse se proteger de objetos caindo.

— Vamos — Roland falou asperamente. — Rápido! — Deu um pas-so à frente sem um único olhar para trás. Durante o breve momento em que esteve a meio caminho entre dentro e fora, pareceu estar quebrado em duas partes. Atrás do pistoleiro, Jake pôde ver uma sala vasta e sombria, muito maior que a Área de Concentração. E linhas prateadas se cruzando, que pareciam traços de pura luz.

— Vamos, Jake — disse Susannah. — Você agora.

Jake respirou fundo e passou. Não houve correnteza forte, tal como havia experimentado na Gruta das Vozes, nem estrépito de sinos. Nenhu-ma impressão de estar entrando em todash, nem sequer momentânea. Em vez disso, teve a horrível sensação de ser virado pelo avesso e foi atacado pela náusea mais violenta que jamais conhecera. Deu um passo e o joelho se curvou. Um momento depois estava arriado em ambos os joelhos. Oi pulou de seus braços. Jake mal reparou. Começou a vomitar. Roland estava de quatro ao lado dele, fazendo o mesmo. De algum lugar veio o barulho baixo, mas nítido, de descarga de motor, o persistente ding-ding-ding-ding de um sino e uma ecoante voz amplificada.

Jake virou a cabeça, pretendendo dizer a Roland que agora entendia por que tinham mandado robôs incursionarem através daquela maldita porta e então tornou a vomitar. Os restos da última refeição escorriam, soltando vapor pelo concreto rachado.

De repente Susannah estava gritando: “Não! Não!”, com uma voz transtornada. Depois:

— Me ponha no chão! Eddie, me ponha no chão antes que eu... — Sua voz foi interrompida por ásperos sons ofegantes. Eddie conseguiu de-positá-la no concreto rachado antes de ela virar a cabeça e se juntar ao Co-ro do Vômito.

Oi caiu de lado, com uma tosse rouca, depois voltou a ficar de pé. Pa-recia tonto, desorientado... ou talvez Jake estivesse somente atribuindo ao trapalhão o modo como ele se sentia.

Quando a náusea começava a diminuir um pouco, Jake ouviu passos estalando, ecoando. Três homens corriam para eles, todos vestindo calças jeans, camisas de cambraia azul e meias e calçados estranhos, que pareciam artesanais. Um deles, um sujeito idoso com um monte desgrenhado de ca-belo branco, estava à frente dos outros dois. Todos os três tinham as mãos no ar.

— Pistoleiros! — gritou o homem de cabelo branco. — Vocês são pistoleiros? Se são, não atirem! Estamos do lado de vocês!

Roland, que não parecia estar em condições de atirar em ninguém (se bem que eu não gostaria de colocar isto à prova, pensou Jake), tentou se levantar, quase conseguiu, mas voltou a cair sobre um joelho e a produzir um novo ruído estrangulado de vômito. O homem de cabelo branco pegou um de seus pulsos e levantou-o sem cerimônia.

— O enjôo é muito ruim — disse o velho —, ninguém sabe disso melhor que eu. Felizmente passa depressa. Vocês têm de vir conosco ago-ra. Sei que não sentem a menor disposição de fazer isto, mas façam, há um alarme no escritório do Ki’-dam...

Ele parou. Os olhos, quase tão azuis quanto os de Roland, estavam se arregalando. Mesmo na obscuridade Jake conseguiu ver a face do velho perdendo a cor. Seus amigos tinham se emparelhado com ele, mas ele pa-recia nem reparar. Era para Jake Chambers que estava olhando.

— Bobby? — disse num tom não muito mais alto que um sussurro. — Meu Deus, é Bobby Garfield?