A Torre Negra, Vol. 7

Stephen King · Capítulo 66 de 66

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A Torre Negra, Vol. 7

Nota do Autor

 

Às vezes penso que escrevi mais sobre os livros da Torre Negra do que es-crevi sobre a própria Torre Negra. Estes volumes interligados incluem a sempre ampliada sinopse (conhecida pelo velho e curioso termo Argumento) no início de cada um dos primeiros cinco livros e posfácios (em geral to-talmente desnecessários e alguns me parecendo agora realmente constran-gedores) no final de todos os volumes. Michael Whelan, o extraordinário artista que ilustrou tanto o primeiro volume quanto este último, também provou não ser nada mau como crítico literário quando, depois de ler um esboço do Volume Sete, sugeriu — em revigorantes termos diretos — que o posfácio que eu pusera um tanto leve no final do livro não combinava e estava fora de lugar. Dei mais uma olhada na coisa e percebi que ele tinha razão.

A primeira metade daquele ensaio bem-intencionado, mas deslocado, pode agora ser encontrada como introdução aos primeiros quatro volumes da série; é chamado “Sobre Ter 19 Anos”. Pensei em deixar o Volume Sete sem absolutamente qualquer posfácio, fazendo com que a descoberta de Roland no topo de sua Torre fosse minha palavra final sobre o assunto. Então percebi que tinha mais alguma coisa a dizer, algo que de fato precisa-va ser dito. Tem relação com a minha presença em meu próprio livro.

Há um rebuscado termo acadêmico para isto: “metaficção”. Acho de-testável. Acho detestável sua pretensão. Só estou na história porque come-cei a perceber, já ha algum tempo (conscientemente desde que escrevi Insô-nia em 1995, inconscientemente desde que, perto do fim de A Hora do Vampiro, perdi temporariamente de vista o padre Donald Callahan), que muitos livros meus acabam se referindo ao mundo de Roland e a história de Roland. Como fui eu quem os concebeu, pareceu lógico que eu fosse parte do ka do pistoleiro. Minha idéia era usar as histórias da Torre Negra como uma espécie de súmula, capaz de unificar o maior número possível de minhas histórias anteriores sob o arco de uma narrativa über-história. Nunca pensei nisso por pretensão (espero não ser pretensioso), mas como meio de mostrar como a vida influência a arte (e vice-versa). Acho que, se você leu os últimos três volumes da Torre Negra, percebera que minha con-versa de aposentadoria tem mais lógica neste contexto. Em certo sentido, não falta dizer mais nada agora que Roland alcançou seu objetivo... e espe-ro que o leitor perceba que, por ter descoberto a Corneta do Eld, o pisto-leiro pode estar a caminho de uma definição final. Quem sabe até a reden-ção. Tudo girava em torno de alcançar a Torre, é claro (um objetivo meu assim como de Roland), o que finalmente foi realizado. Você pode não gostar do que Roland encontrou no topo, mas não é absolutamente disso que estou tratando aqui. E não me escreva cartas mal-humoradas a esse respeito, porque não vou responder a elas. Não resta nada a dizer sobre o assunto. Não fiquei exatamente extasiado com o final, se quer mesmo sa-ber a verdade, mas é o final correto. Na realidade, o único possível. Não es-queça que, no fundo, eu não invento as coisas; só registro o que vejo.

Os leitores vão especular sobre até que ponto é “real” o Stephen King que aparece nessas páginas. A resposta é “não em excesso”, embora aquele encontrado em Bridgton por Roland e Eddie (A Canção de Susannah) esteja bem próximo do Stephen King que eu me lembro de ter sido naque-la época. Quanto ao Stephen King que comparece neste último volume... bem, vamos por a coisa assim: minha esposa me pediu que eu fizesse a gentileza de não dar aos fãs da série indicações muito precisas de onde mo-ro ou de quem realmente nós somos. Concordei com isso. No fundo, não porque eu quisesse (acho que parte do que faz esta história avançar e a sen-sação do mundo ficcional irrompendo no mundo real), mas porque se trata não só da minha vida, mas também da vida de minha esposa e ela não deve ser penalizada por me amar ou viver comigo. Então acabei inventando, em grande parte, a geografia do oeste do Maine, confiando que os leitores a-preendam o sentido da ficção e compreendam por que tratei minha parti-cipação nela de uma determinada forma. E se mesmo assim você sentir a necessidade de passar por aqui para dizer alo, por favor pense duas vezes. Eu e minha família temos bem menos privacidade do que costumávamos ter e não tenho vontade de continuar abrindo mão dela, é o que espero que compreenda. Meus livros são meu modo de travar relações com você. Dei-xe-os ser também seu modo de travar relações comigo. É o bastante. E em nome de Roland e de todo o seu ka-tet — agora disperso, lamentemos — agradeço por você ter me acompanhado e ter compartilhado esta aventura comigo. Nunca me empenhei tanto num projeto em minha vida e sei — ninguém melhor que eu, ai de mim — que ele não foi inteiramente bem-sucedido. Mas que obra fictícia consegue sê-lo? De qualquer modo, eu não devolveria um único minuto do tempo que vivi no onde e quando de Ro-land. Aqueles dias no Mundo Médio e no Fim do Mundo foram realmente extraordinários. Foram dias em que minha imaginação estava tão clara que eu podia cheirar a poeira e ouvir o ranger do couro.

 

Digitalização/Revisão: SAYURI

 

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