Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Empregando as Técnicas Indiretas
Em êxtase me esqueci de todas as técnicas e fui olhar o quarto (Raduga: não tinha um plano de ação). Tudo era muito parecido com a realidade, mas algumas coisas estavam fora de lugar. Tentei levitar e me dobrar para trás e fui, de alguma forma, empurrado para fora. Anoitecia lá fora e havia muita neve no chão. Circulei a casa e tentei levitar. Fui capaz de flutuar para cima e vi o horizonte e o pôr-do-sol. Mas comecei a perder altitude. Depois de ter voado para a janela do outro lado da casa, quis ir até o telhado, mas depois ocorreu um retorno espontâneo (Raduga: não executou a manutenção). Em uma fração de segundo tive a sensação de que não estava em nenhum lugar. Meus olhos reais se abriram (com dificuldade) e lá estava mais uma vez a sensação de algum tipo de lapso (Raduga: não tentou a re-entrada na FASE). O nível de consciência esteve fraco durante a FASE, aparentemente devido a não ter dormido o suficiente.
EMPREGANDO AS TÉCNICAS INDIRETAS
Se a separação ao acordar não tiver êxito ou por alguma razão essa tentativa nem tenha sido feita, então a alternância rápida através das técnicas deve ser empregada. A separação pode ser tentada no momento em que uma das técnicas alternadas começar a funcionar.
005
Dodd Stolworthy
Ventura, USA
Fui para a cama às dez horas da noite. Acordei às 5:30h, usei o banheiro e voltei para a cama. Levei algum tempo para cair no sono. Após ter dormido, acordei umas duas vezes e mudei de posição (em cada uma das vezes). Senti vibrações chegando e ouvi pessoas falando enquanto vinham até minha casa. Também ouvi passos bem perto da minha cama e pensei que poderia ser um dos meus filhos. Felizmente lembrei-me que este tipo de fenômeno acontece quando se entra na FASE (Raduga: não tentou a separação). Fiquei quieto e tensionei o cérebro para aumentar as vibrações. Isso funcionou muito bem (Raduga: não tentou a separação). Usei a técnica do movimento fantasma e consegui a separação do meu braço esquerdo. Neste ponto tentei a separação por rolamento, mas não obtive sucesso. Consegui separar meu braço direito, mas pensei que tinha movido meu braço real. Estava preocupado, pois achei que tinha posto tudo a perder, mas decidi continuar de qualquer maneira. Tentei ver ambos os braços na minha frente. Eles rapidamente apareceram e os vi, mesmo com os olhos fechados! Comecei a balançar os braços de um lado para o outro e rolei para fora do meu corpo.
Estava agora no chão, ao lado da minha cama. Estava tão excitado! Tinha acabado de conseguir fazer o que estava lendo a respeito nos últimos 10 meses! Lembrei-me de estabilizar a experiência esfregando as mãos. Como estava fazendo isso, olhei para baixo e percebi que minhas mãos pareciam gordas e inchadas. Vi minha mulher sair do quarto e descer as escadas (Raduga: não tinha um plano de ação). Eu a segui e notei que o sol brilhava através das janelas. Ainda estava escuro na vida real. Minha esposa subiu as escadas. Decidi ir para fora. Comecei pela porta da frente, mas decidi voar através da janela. Caí na rua e caminhei um pouco. Comecei ir até a casa da minha vizinha, mas notei que tudo estava desaparecendo (Raduga: não executou a manutenção). Eu tinha perdido a experiência e agora estava de volta na cama. Rapidamente virei (na minha mente) e percebi que tinha retornado ao mesmo ponto em que estava (indo para a casa da minha vizinha) antes de retornar para a cama! Andei até a porta da minha vizinha, toquei a campainha e esperei que ela viesse. Perdi novamente e tentei girar, mas não funcionou.
006
Maxim Shvets
Moscow, Rússia
Fui para a cama com a intenção de entrar na FASE enquanto estivesse sonhando ou ao acordar pela manhã. Acordei por volta das 6:30h e decidi tentar o método da visualização, pois o movimento fantasma não tinha funcionado nos últimos dois dias (Raduga: não tentou a separação). Imagens vagas gradualmente criaram uma cena em minha frente e me vi participando da cena. Senti que estava me separando, e rolei para fora do meu corpo. Abri meus olhos. Um cara me agarrou pelo ombro e disse: "Você deixou seu corpo, fique tranquilo". Eu disse a ele que estava pronto. Ele me virou e eu vi meu corpo.
Meu corpo estava deitado de costas com os olhos abertos, mesmo tendo começado a visualização deitado de barriga para baixo. Não atribuindo qualquer significado especial para isso, decidi aprofundar imediatamente. Agachei-me rapidamente e comecei a apalpar o chão e as paredes com as palmas das minhas mãos. Olhei para o meu dedo indicador e pude discernir as linhas na pele. Imaginando que tudo isso era maravilhoso, fui para a cozinha a fim de voar (Raduga: não tinha um plano de ação). Lembrei-me que era melhor os novatos não tentarem isso. Voltei à minha porta do quarto e imaginei a existência de uma praia ensolarada por trás dela. Abri a porta e imediatamente acordei deitado de costas (Raduga: não executou manutenção e não tentou entrar novamente na FASE)...
007
Alan
Plymouth, Reino Unido
Acordei (Raduga: não tentou a separação) e imediatamente apliquei o movimento fantasma no meu braço esquerdo durante cinco segundos, e meu braço começou a se mover livremente (Raduga: não tentou a separação).
Eu poderia neste momento ter tido uma experiência fora do corpo, mas queria um sonho lúcido (Raduga: lógica errada). Depois de cinco segundos de movimento fantasma troquei para cinco segundos de audição interna (Raduga: ação errada). Após cerca de dois segundos de audição de um som natural em alta frequência dentro da minha cabeça, ele começou a aumentar em volume (Raduga: não tentou a separação). Depois de cinco segundos eu ainda não havia entrado em um sonho e por isso troquei para cinco segundos de observação de imagens. Não vi nada. Mudei para o tensionamento do cérebro. Imediatamente o som agudo na minha cabeça ficou muito alto e troquei novamente para a audição interna (Raduga: não tentou a separação). Vi uma piscina de água roxa e senti que sua clareza era muito boa. A partir daí me vi totalmente imerso em um sonho lúcido.
Eu estava em um vale profundo, bonito, com cordeiros brincando ao redor. Olhei à minha volta e fiquei maravilhado por ter sido capaz de ter um sonho lúcido em questão de segundos (Raduga: não executou o aprofundamento). Aproveitei meu sonho lúcido...
008
Artem Arakcheev
Moscow, Rússia
Executei técnicas indiretas. Enquanto examinava as imagens, avistei o mesmo episódio de sonho que estava observando antes de ter acordado a primeira vez. A imagem era muito realista. Pareceu-me que eu poderia mudar tudo neste sonho. Tentei sair do meu corpo e imediatamente voei através da minha cabeça para aquele sonho. Aterrissei na porta da casa em que cresci. Encontrei-me em uma janela no segundo andar.
Ao lembrar das técnicas de aprofundamento rapidamente comecei examinar minuciosamente a própria janela. Tudo estava em seu lugar como na vida real. Um homem aproximou-se da porta. Não sei porque, mas tinha certeza de que precisava ver o que ele estava fazendo. Instintivamente decolei da janela do segundo andar e atravessei o vidro. Desci ao nível do piso térreo. O homem entrou pela porta da frente. Eu o segui. Voei através da porta e comecei a persegui-lo.
Lembrei que tinha um plano para a FASE. Precisamente naquele momento o espaço da FASE começou a enfraquecer e a desaparecer. Percebi que deveria aplicar as técnicas de manutenção, mas não consegui fazê-lo em tempo. Dentro de um momento acordei e percebi que estava deitado na cama. Minha temperatura corporal subiu. Minha respiração e batimentos cardíacos tiverem um aumento na frequência. Uma segunda tentativa de separação não tinha utilidade.
009
Wagner
Porto Alegre, Brasil
Eu fui acordado pelo meu gato e acabei acidentalmente empregando o método diferido (ou adiado), já que eu tinha dormido algumas horas antes dessa experiência fora do corpo. Utilizei a técnica do adormecimento forçado e, em seguida, executei ciclos de técnicas indiretas: rotação, observação de imagens, audição interna, movimento fantasma e etc. Não me lembro qual delas resultou em Vibrações. Intensifiquei as vibrações assim que as percebi (elas eram uma sensação desconhecida para mim, até então) mas eu não conseguia me lembrar o que mais deveria fazer: esperar pela paralisia do sono ou tentar uma separação. Decidi fazer qualquer coisa e tentei me separar por "levitação", como se eu e meu corpo tivéssemos cargas magnéticas iguais e repelíssemos um ao outro, porque eu já tinha arruinado algumas tentativas de separação tentando rolar e movendo meu corpo de verdade.
Funcionou, até certo ponto. Senti como se eu estivesse flutuando a uns 30 centímetros de altura. Até ali, meu plano era me separar, me virar, ver meu corpo e pensar "Cara, funciona!". Eu iria começar a esfregar as mãos, fazer palpação, fazer algum exame visual e realizar uma lista de coisas enquanto praticava técnicas de manutenção. Porém, ao invés disso, flutuei sem ver nada, apenas sentindo o "empuxo" me empurrando para cima, que durou cerca de meio segundo ou menos e sem visão alguma. Eu simplesmente "estava" em um lugar que não havia escolhido conscientemente e, de alguma forma, esqueci que poderia tomar decisões. Daquele momento em diante, passei a assistir a tudo passivamente. Antes me lembrava de todas as técnicas que deveria empregar, mas dali em diante as esqueci completamente.
Fui para um lugar onde, de alguma forma, sabia que só músicos iam, para encontrar outros músicos e tocar com eles. O lugar tinha um ótimo ambiente, com um astral animado e positivo e ouvia vozes de pessoas falando ao meu redor. Havia uma voz feminina e essa guria (garota) passou da direita para a esquerda por trás de mim, mas de alguma forma "vi" os tênis “All Star” que ela usava. Ela estava comentando com alguém sobre quão legal e amistoso era aquele lugar.
Havia um cara com um sobretudo preto e cabeça raspada, tocando um instrumento que era algo entre um pistão e um trombone, de um azul escuro, quase preto e ele o tocava apenas com uma mão e uma guitarra com a outra, e produzia uma música incrível. Não havia ninguém em volta dele ouvindo, mas mesmo assim, ele tocava como se não houvesse amanhã. As chaves do pistão na verdade eram tarraxas de baixo tipo Fender "elephant ear" cromadas. Ele não pôs a boca no instrumento em nenhum momento e o tocou apontando-o para seu pé o tempo todo. A guitarra estava suspensa na frente dele com uma tira normal, no seu lado esquerdo e com o braço apontando para cima. Ela às vezes soava como um piano. Não havia amplificadores, pedais ou quaisquer cabos.
Quando percebi que ele estava a ponto de terminar a música, quis aplaudir e dizer a ele que tinha sido fantástico, mas ele simplesmente desapareceu, não sei por onde, e foi estranho porque as últimas notas da música ainda estavam soando e não ousaria abrir minha boca enquanto ele ainda estivesse tocando. Era uma música linda.
Um homem com aproximadamente 60 anos que estava vestido de certa forma como um marinheiro (pelo menos foi isso que pensei) aproximou-se de outro cara que estava tocando algum instrumento desconhecido, apoiando o negócio no ombro esquerdo como um violino. Acho que não era um instrumento de verdade, mas algo como uma daquelas máquinas de costura antigas ou algo desse tipo, de natureza onírica. O marinheiro parou ao lado do cara da máquina de costura e de dentro de um saco plástico preto e gasto, pelo qual a maioria das pessoas (e nem eu) não daria um centavo, puxou uma placa de acrílico transparente com as bordas cheias de rebarbas de corte que pareciam ter recém passado pela serra, e parecia um retalho aleatório que caiu, enquanto a peça principal, o que quer que fosse, estava sendo feita. A placa tinha aproximadamente 30 x 40 cm e não era exatamente retangular. Nunca imaginaria que aquilo pudesse produzir música.
Quando ele tocou acompanhando perfeitamente o cara da máquina de costura, eu estava me perguntando: "O quê? Ele vai tocar com..." Inclinei-me para frente e abri a boca em completa surpresa. Tratava-se de um Instrumento de Flexão. Nunca tinha pensado nesse conceito óbvio antes e talvez nunca o tivesse feito se não tivesse tido essa experiência. Todo mundo conhece o som grave que chapas de diversos materiais fazem ao ser flexionadas, um "wok" ou "pook" característico. Uma chapa de raio-x ou chapas metálicas dão uma boa idéia. A maioria das pessoas conhecem o som agudo, "kweek", que uma tampinha de lata faz quando dobrada da mesma maneira. Quando o marinheiro segurava a placa de acrílico com as pontas dos dedos perto das bordas, a área dobrada era maior, e produzia um som mais grave. Quando ele a segurava com as pontas dos dedos perto do centro da placa, a área dobrada era menor e o som era mais agudo. Ele conseguia aproximar ou afastar as mãos tão rápido como qualquer outro instrumentista escolheria as notas em seu instrumento e conseguia tocar apanhando cada nota do cara da máquina de costura. Era impressionante. Não me lembro como essa FASE terminou. (Raduga: não executou a manutenção)