Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Técnicas Indiretas Primárias
É necessário entender qual é o momento certo para empregar essas técnicas e a importância de despertar do sono sem abrir os olhos e sem mover o corpo. A tentativa de entrar na FASE imediatamente após o despertar deve ser aprendida e praticada a ponto de se ter o domínio, uma vez que constitui a principal barreira para uma prática bem-sucedida.
Depois de examinar as informações relacionadas com as técnicas indiretas serão examinados seus ciclos, incluindo o que são, como funcionam e como podem ser mais bem utilizados. O sucesso da entrada na FASE é o resultado direto da realização destes ciclos. Existem exceções. Não é totalmente necessário prosseguir com estes ciclos se a própria mente do praticante, de alguma forma, sugerir exatamente a partir de onde se deve começar. Isso também será examinado separadamente.
Dominando as Técnicas Indiretas
TÉCNICAS INDIRETAS PRIMÁRIAS
Atenção! As técnicas descritas abaixo são os componentes básicos dos ciclos de técnicas indiretas. Implementar apenas o que é descrito em cada técnica está longe de ser eficaz. Da lista abaixo é necessário que o praticante escolha as técnicas mais compreensíveis e interessantes e estude e aplique ativamente suas instruções de utilização.
Observação de Imagens
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Olhe para o espaço vazio que existe entre os olhos e a parte de trás das pálpebras por 3 a 5 segundos e tente localizar figuras reconhecíveis, imagens ou símbolos. Se nada aparecer durante este tempo, a técnica deverá ser substituída. Se alguma coisa aparecer, continue a observar as imagens. Rapidamente as imagens tornar-se-ão cada vez mais realistas, absorvendo o praticante. Em nenhuma hipótese deverá ser observada apenas uma parte específica de uma imagem, caso contrário, a imagem poderá sofrer uma mudança ou desaparecer. A imagem deverá ser observada de forma panorâmica. Observe as imagens enquanto a qualidade e o realismo estiverem aumentando. Procedendo desta forma, serão possíveis dois resultados: o praticante tornar-se-á parte da imagem e alcançará a FASE ou a imagem tornar-se-á absolutamente realista possibilitando a separação do corpo.
Treinamento. Para treinar o uso desta técnica, deite-se no escuro, mantenha os olhos fechados e observe o espaço vazio que existe entre os olhos e a parte de trás das pálpebras. Identifique eventuais imagens específicas que possam surgir, começando por pontos sem sentido e gradualmente procedendo à transição para fotos inteiras, cenas ou cenários. Um erro comum cometido durante a prática desta técnica ocorre quando o praticante tenta forçar o aparecimento de imagens, ao invés de observar passivamente o que é naturalmente apresentado.
Movimento Fantasma
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Tente mover uma parte do corpo por 3 a 5 segundos sem utilizar nenhum músculo. Se nada acontecer durante este período de tempo, tente uma técnica diferente. Se ocorrer uma sensação, por menor que seja, de que alguma parte do corpo esteja se movendo, continue a empregar a técnica esforçando-se para aumentar a amplitude do movimento tanto quanto for possível. Esta técnica deve ser realizada com muita determinação (agressividade). Tão logo a amplitude do movimento se aproxime ou exceda 10 centímetros, o que pode levar apenas alguns segundos, poderão surgir as seguintes situações: o praticante encontrar-se de alguma forma na FASE ou parte do corpo começar a mover-se livremente. A ocorrência de movimentos durante a prática dessa técnica permite ao praticante a transição para uma técnica de separação e uma subsequente tentativa de deixar o corpo.
Ao praticar a técnica do movimento fantasma poderão ocorrer fortes vibrações, momento no qual deverá ser tentada a separação. Sons também poderão surgir, oportunidade em que se deverá praticar a técnica da audição interna.
A técnica do movimento fantasma não se destina a produzir um movimento imaginário sobre alguma parte fantasma do corpo. O objetivo da técnica é a tentativa de se produzir um movimento real de uma parte do corpo físico sem a utilização dos músculos. O foco deve estar em uma intenção interna de realizar um movimento sem que haja uma ação física. Quando ocorrem sensações elas diferem pouco da sua contrapartida real, e, muitas vezes, são acompanhadas de peso e resistência. Geralmente há pouco movimento no início, mas, com esforço concentrado, a amplitude pode aumentar consideravelmente.
Não importa qual parte do corpo seja utilizada para exercitar a técnica do movimento fantasma. Pode ser o corpo inteiro ou apenas um dedo. Nem é importante a velocidade do movimento. O objetivo da técnica é aumentar a amplitude do movimento percebido.
Treinamento. Para treinar a técnica do movimento fantasma, deite-se, feche os olhos e relaxe a mão e o antebraço por alguns minutos. Sem mover nenhum músculo, tente, por 2 a 3 minutos cada, fazer os seguintes movimentos: para cima e para baixo, para esquerda e para direita, fazer rotação, estender e contrair os dedos, abrir e fechar o punho. Inicialmente nenhuma sensação irá ocorrer. Gradualmente a sensação de ação muscular se tornará tão evidente que o movimento percebido será indistinguível do movimento real. Durante as primeiras tentativas de treino os praticantes frequentemente tentam abrir os olhos para ver se o movimento real está ocorrendo. Isso mostra o quão real a sensação parece.
Visualização
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Tente examinar atentamente algo previamente determinado e próximo (10 a 15 centímetros dos olhos) por 3 a 5 segundos. Pode ser suas próprias mãos esfregando uma na outra ou pode ser uma maçã. Se não surgirem imagens dentro de 5 segundos, mude para outra técnica. Se surgirem imagens, mesmo que estejam fracas, desfocadas ou embaçadas, mantenha a técnica e tente examiná-las da melhor maneira possível. A imagem tornar-se-á mais vívida e saturada de cores. Tão logo ela se tornar perceptivelmente real você poderá separar-se do corpo.
Ao executar a técnica evite o erro mais comum: somente imaginar que está vendo o objeto, ao invés de procurar ter uma visão real do mesmo. A principal diferença entre observar imagens e visualiza-las está no desejo ativo de ver algo previamente determinado, ao invés de olhar passivamente para o vazio em busca de algumas imagens espontâneas.
Treinamento. Para praticar essa técnica, deite-se com os olhos fechados em um quarto escuro e tente detectar várias imagens predeterminadas no vazio diante de seus olhos, começando por objetos simples (maçãs, velas, um X, etc) e chegando até objetos mais complicados (paisagens, interiores de quartos, cenas de ação, e assim por diante). Tente ser capaz de ver todos os detalhes dos objetos visualizados o mais claramente possível. Quanto mais vívidas e mais detalhadas forem as imagens, melhor será o resultado final. É também desejável tentar ver objetos que estão um pouco acima do nível dos olhos, próximos da testa.
Movimento Imaginado
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Por 5 a 10 segundos, concentre-se na visualização de qualquer das seguintes ações: correr, pular corda, etc. Se nada acontecer, uma técnica diferente deverá ser empregada. Se a sensação de movimento for fraca ou surgir a sensação de estar em dois corpos ao mesmo tempo, mantenha a técnica e aumente o grau de realismo da sensação para o mais alto possível: ao nível da sensação real. Nesse momento a sensação imaginada tornar-se-á dominante e você poderá tentar se separar de seu corpo, pois você já estará na FASE. Ao implementar esta técnica poderá haver uma translocação espontânea. Caso ocorra uma translocação espontânea, a separação se torna desnecessária.
Treinamento. Para praticar a técnica, deite-se com os olhos fechados em um quarto escuro e tente sentir tão autenticamente quanto possível vários tipos de movimentos imaginados: nado livre, corrida, caminhada rápida, pedalar com as mãos e com os pés, pular corda, esfregar as mãos uma contra a outra em sua frente e etc. Esse treinamento vai te ajudar a aprender a criar rapidamente a intenção de se ter uma sensação específica, que irá desempenhar um papel chave justamente quando for mais necessário.
Audição Interna
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Tente ouvir um barulho (um ruído) proveniente do interior de sua cabeça. Faça isso por 3 a 5 segundos, sem se mover e sem abrir os olhos. Se não acontecer nada durante este período de tempo, mude para outra técnica. Se algum som similar a um zumbido, assobio, tilintar, ou mesmo um som melodioso ocorrer, preste atenção ativamente. O resultado é que o som irá aumentar em volume. Ouça atentamente enquanto haja algum dinamismo no volume do som. Quando o som parar ou torna-se alto o suficiente, uma técnica de separação poderá ser tentada. Às vezes o próprio barulho lança o praticante para dentro da FASE. Em um certo estágio os sons poderão tornar-se extremamente altos e, inclusive, já foram descritos como semelhantes ao rugido de um motor a jato.
A ação de ouvir os sons internos consiste em explorar um som com atenção, toda a sua tonalidade e amplitude, e como ele reage ao ouvinte.
Existe uma técnica opcional conhecida como audição forçada. Para executá-la é necessário querer fortemente ouvir algum som. Fazer esforços internos intuitivos, via de regra, está correto. Se a técnica for realizada corretamente, os sons forçados intensificar-se-ão da mesma forma que acontece com os sons obtidos através da técnica da audição interna padrão.
Treinamento. Para praticar audição interna, deite em um lugar silencioso, mantenha os olhos fechados e ouça os sons originados no interior de sua cabeça. Estas tentativas são geralmente coroadas com sucesso após alguns minutos, e se começa a ouvir aqueles barulhos que todo mundo tem dentro de si. O praticante tem que saber como entrar em sintonia com ele.
Rotação
Testando a Eficácia Individual. Imediatamente após ter despertado de um sono, permaneça imóvel e com os olhos fechados. Imagine que o corpo físico esteja girando em torno de um eixo por 5 a 10 segundos. Se não ocorrerem sensações incomuns, tente outra técnica. Se vibrações ocorrerem durante a rotação, ou o movimento de repente parecer real, continue com a técnica enquanto houver progresso no desenvolvimento da sensação. Há vários resultados possíveis quando a rotação é praticada. A rotação imaginária poderá ser substituída por uma sensação muito real de girar ao longo de um eixo. Se isso ocorrer, o praticante poderá facilmente deixar o corpo. O outro resultado poderá ser a presença repentina de fortes vibrações ou sons altos, tornando-se possível a separação do corpo. Durante a rotação é sabido que a separação pode ocorrer espontaneamente, proporcionando ao praticante a entrada na FASE.
Treinamento. Para praticar a rotação, deite-se, mantenha os olhos fechados e, durante vários minutos, imagine que esteja girando em torno de um eixo que vai da cabeça aos pés. Não é necessário concentrar a atenção sobre os efeitos visuais da rotação ou pequenas sensações no corpo. O fator-chave é a sensação vestibular (sensação de desequilíbrio) que surge da rotação interna. Como regra geral, muitos praticantes encontram dificuldades para realizar a rotação completa. Enquanto uma pessoa poderá estar limitada a 90 graus de movimento, outra poderá girar até 180 graus. Com a prática correta e consistente, poderá ocorrer uma rotação completa (360 graus).