Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Michael Raduga · Capítulo 34 de 154

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Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Despertar Consciente

Despertares noturnos são menos eficazes para a experimentação da FASE, pois nestes momentos o cérebro ainda necessita de uma grande quantidade de sono profundo. Ao despertar durante a noite, a mente ainda está fraca e dificilmente capaz de qualquer esforço. Mesmo que alguns resultados sejam observados, o despertar muitas vezes termina com o rápido retorno ao sono. Isto não quer dizer que a prática da FASE não possa ocorrer à noite. Ela só não será tão eficaz como em outros momentos. A opção noturna é melhor para aqueles que não têm a oportunidade de usar as outras janelas de tempo.

Despertamos à noite a cada 90 minutos, razão pela qual um mínimo de quatro despertares é quase garantido enquanto dormimos, mesmo por apenas seis horas. Quando o praticante sabe disso e se esforça para aproveitar esses momentos, com o tempo ele irá obter vantagens.

DESPERTAR CONSCIENTE

Despertar consciente é acordar com um pensamento em particular, e, em nosso caso, um pensamento sobre as técnicas indiretas. Devido às peculiaridades da mente humana e seus hábitos, nem sempre é fácil conseguir lembrar de qualquer idéia em particular ao acordar.

Fato interessante!

Existe uma crença de que o fenômeno de viagens fora do corpo seja praticamente inatingível e seja acessível apenas a uns poucos eleitos através de práticas que requerem conhecimentos secretos. A maior dificuldade quando se tenta experimentar viagens fora do corpo em um curto período de tempo reside apenas em lembrar imediatamente das técnicas ao acordar e permanecer imóvel. Isso tudo é simples e direto. Mas é precisamente esse detalhe o maior obstáculo que as pessoas encontram ao tentar experimentar um fenômeno tão incomum.

Isso não é difícil para aproximadamente 75% da população. Para o quarto restante da população esta é uma barreira tão difícil que pode até parecer insuperável. Se tais pensamentos surgirem, deve-se entender que as tentativas persistentes e os treinamentos são a chave para superá-los.

As razões pelas quais as pessoas são incapazes de se lembrar das técnicas para entrar na FASE ao acordar são: não ter o hábito de fazer alguma coisa imediatamente após o despertar, o desejo de dormir mais, o desejo de ir ao banheiro, sentir sede, o desejo de começar a resolver os problemas do dia-a-dia, e assim por diante.

O despertar consciente com a intenção de tentar uma técnica indireta deve ser a meta principal do praticante. A velocidade com a qual a FASE é experimentada e desenvolvida depende disso.

Existem vários truques eficazes para a aprendizagem do despertar consciente:

Intenção ao adormecer:Um fato científico muito claro tem sido comprovado por sonologistas (cientistas que estudam o sono): ao acordar as pessoas costumam pensar o mesmo que estavam pensando antes de adormecer. Este fenômeno é fácil de ser observado quando as pessoas enfrentam um problema sério na vida; elas dormem e acordam pensando nele. Se o problema for substituído por um desejo de praticar a FASE, será obtido o efeito desejado. Não é necessário pensar apenas sobre o despertar consciente enquanto adormece. É suficiente afirmar a intenção de forma clara e distinta, até mesmo em voz alta. A prática desses tipos de ações conscientes no momento em que se está adormecendo auxilia decisivamente no sucesso das técnicas indiretas ao acordar.

Intenção geral: Quanto mais claramente o praticante concentrar-se na importância e necessidade de acordar e imediatamente lembrar-se de praticar as técnicas, mais sólida a intenção se tornará e maior será a probabilidade do processo cumprir seu papel e gerar resultados.

Afirmando desejos: Às vezes, para algumas pessoas, afirmar uma intenção interna não é o suficiente, pois são incapazes de fazê-la corretamente em virtude de características individuais. Uma afirmação dos desejos deve ser introduzida no nível físico. Isso pode ser implementado na forma de uma nota com a descrição de um objetivo. Essa nota deve ser colocada ao lado da cama, sob o travesseiro ou pendurada na parede. Pode também ser uma conversa com amigos ou familiares sobre o desejo particular ou a vocalização por várias vezes das ações que precisarão ser executadas ao acordar. Pode até ser uma nota escrita em um diário, blog ou mensagens de texto num telefone celular.

 

Fato interessante!

Há casos conhecidos de praticantes que programam a ingestão de

comida e água para induzir a entrada na FASE. Eles estão essencialmente empregando tanto auto-sugestão quanto o efeito placebo. Estão programando sua mente subconsciente para perceber a comida como algo que traz não só a saciedade, mas também uma alta probabilidade de entrar na FASE.

Analisando tentativas fracassadas de despertar consciente: Ao lembrar da tentativa fracassada depois de vários minutos, várias horas ou mesmo no final do dia, concentre-se e decida ter sucesso durante a próxima tentativa. A exploração profunda do fracasso é altamente eficaz e prática, uma vez que o praticante está aprendendo o que funciona, o que não funciona e tomando decisões saudáveis visando o sucesso.

Criando motivação: Quanto maior for o desejo de entrar na FASE para realizar um objetivo, mais rápido será alcançado o sucesso no despertar consciente. A motivação deve ser criada por um grande desejo de fazer ou experimentar algo na FASE. Visitas anteriores à FASE são uma grande motivação, mas uma pessoa que não a conhece precisará de algo com o qual possa relacionar. Poderia ser o sonho de infância de voar até marte, a oportunidade de ver um ente querido que faleceu, a chance de obter informações específicas, influenciar o curso de uma doença física e assim por diante.

Além dos métodos naturais utilizados para se conseguir um despertar consciente existem vários dispositivos e ferramentas que podem ser empregados como facilitadores. Estes serão abordados no Capítulo 5, na seção que descreve maneiras não autônomas de entrada na FASE.

O melhor momento para o despertar consciente acontece ao sair de um sonho. Este é o momento mais eficaz e produtivo para se tentar a separação ou a realização das técnicas. Neste momento a consciência física do corpo está em seu mínimo. A conscientização no final de um sonho muitas vezes ocorre após pesadelos, experiências dolorosas no sonho, sonhos sobre quedas ou qualquer sonho que provoque um despertar repentino.

Ao longo do tempo o praticante deve desenvolver um reflexo que permita que se executem ações planejadas no momento do despertar, quando a própria consciência ainda não teve tempo para retornar (ao estado de vigília). Esse tipo de reflexo é altamente benéfico para aproveitar o momento mais oportuno de entrar na FASE.

Devido a vários fatores psicológicos e fisiológicos é pouco provável conseguir um despertar consciente após todos os ciclos de sono. Não tem sentido ficar chateado se o despertar consciente não ocorrer o tempo todo. Ter apenas 2 a 3 despertares por dia é normal. Quando praticado diariamente, 2 a 3 despertares são suficientes para a tentativa de entrada na FASE de 2 a 5 vezes por semana.

Não vale a pena se deixar levar por um número excessivo de tentativas. Durante os cursos da Escola de Viagens Fora do Corpo foi observado que 10 despertares conscientes ou mais (alguns alunos tentam 20 ou mesmo 30) ao longo de uma noite e uma manhã raramente produzem resultados. Se o praticante impõe a si mesmo uma meta tão desejada a ponto de sua realização quebrar o ritmo natural do corpo ele é privado dos estados intermediários de transição que tornam a FASE efetiva. O praticante também pode rapidamente tornar-se emocionalmente esgotado em consequência do grande número de tentativas e ser incapaz de empurrar os limites na direção correta. O praticante apenas ficará cansado. Se isso começar a acontecer, é melhor acalmar-se e tentar abordar o assunto de uma forma mais relaxada, uniforme e gradual.