Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Michael Raduga · Capítulo 21 de 154

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Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Explicações Místicas e Esotéricas

Há também uma teoria que afirma que a FASE é um produto da evolução da consciência humana. A consciência surgiu pela primeira vez em vigília e gradualmente começou a infiltrar-se no estado REM, o estado seguinte mais próximo, ainda sem consciência. Possivelmente a existência consciente em dois mundos, o da vigília e o da FASE, serão tão comuns para homens e mulheres do futuro quanto é hoje apenas a consciência durante a vigília. Há também uma teoria completamente oposta que afirma que a capacidade de estar em FASE costumava ser inerente, mas está gradualmente desaparecendo. Isto se deve à facilidade e à frequência com que as crianças mais novas entram na FASE, mas depois perdem a capacidade com a idade devido à sua negligência.

 

EXPLICAÇÕES MÍSTICAS E ESOTÉRICAS

Embora o tom geral deste material de aprendizagem até agora tenha mantido um rumo bastante materialista, não é teorizar sobre a FASE que une as pessoas, mas sim a sua prática. A prática é indiscutível enquanto a teoria sempre leva à contestação. Por essa razão, não faz diferença que o praticante considere a natureza do fenômeno como sendo esotérico ou místico. Toda pessoa tem direito à sua própria perspectiva. De maneira alguma o objetivo deste livro é influenciar qualquer filosofia de vida ou incentivá-la a se dobrar a qualquer teoria. O mais importante é que o leitor seja capaz de obter a prática real do fenômeno.

Infelizmente ainda não há definição clara do fenômeno na cultura esotérica nem um termo inequívoco para ele. Dependendo da prática esotérica, o estado de FASE é alternativamente confundido com projeção astral ou viagens fora do corpo e às vezes com o sonho lúcido. É postulado que a alma ou o corpo astral deixa o plano físico e encontra-se em algum lugar: no mundo físico, no mundo dos sonhos, no plano astral e etc. O número de mundos que podem ser visitados varia dependendo da escola mística. O plano astral pode ser mais alto ou mais baixo, ou também o plano mental, o plano etéreo e assim por diante. Em algumas escolas místicas esta é considerada a maior experiência em termos de uma prática pessoal e do estado de ser. Em outras é equiparada ao mundo físico e é apenas mais uma camada entre reinos etéreos. As explicações sobre a natureza do fenômeno e seu significado também variam amplamente.

Também é frequentemente considerado o mesmo estado que as pessoas experimentam quando morrem. Em muitas práticas e religiões orientais, como o budismo por exemplo, onde o principal objetivo é interromper o ciclo das reencarnações através de permanecer consciente enquanto morre, acredita-se que morrer consciente só pode ser realizado através da capacidade de entrar na FASE, o que seria uma forma de treinamento para o momento da morte, permanecendo consciente durante a mesma.

Há discordâncias intermináveis sobre como sonho lúcido, ou seja, consciência do sonho, difere da chamada "viajem para fora do corpo", e se a sua classificação na FASE se justifica. A mesma controvérsia estende-se para outro termo esotérico: projeção astral. Essas dúvidas só se constituem em problemas para os novatos e para aqueles cuja familiaridade com a FASE é superficial. Nenhum praticante experiente é capaz de diferenciar inequivocamente esses fenômenos, embora as explicações para isso possam variar. Ao classificar todos esses fenômenos juntos, um praticante concluirá que é um mundo paralelo, enquanto outro pode afirmar que tudo é gerado pela mente.

Há muitas razões para classificar o sonho lúcido, ou seja, a consciência do sonho, juntamente com as viagens fora do corpo. Isto não é provado somente através das pesquisas já existentes e do grande número de experiências pessoais. Há uma série de perguntas que os adeptos da divisão dos fenômenos da FASE em vários estados não podem responder. Primeiro: Porque os "sonhadores lúcidos" e os "viajantes para fora do corpo" usam exatamente as mesmas técnicas para conseguir seus estados, mas apenas chamam o resultado por nomes diferentes? Segundo: Porque as propriedades fundamentais do plano fora do corpo e do mundo do sonho lúcido são exatamente as mesmas? Terceiro: Se o mundo dos sonhos pode assumir qualquer forma externa com quaisquer propriedades, como é que se diferencia uma separação real entre a alma e o corpo no mundo físico e uma separação num astral paralelo a partir de um espaço de sonho simulado? Muitos podem oferecer explicações teóricas, mas ninguém pode comprová-las na prática.

As pessoas costumam encontrar dificuldades fisiológicas extremas em deixar para trás a idéia de que há uma infinidade de mundos para onde eles podem ir. Isto geralmente está firmemente entrelaçado com sua filosofia de vida e visão de mundo, cujas costuras podem ser puxadas por esse tipo de questionamento. Porém, mesmo os adversários da classificação conjunta das experiências de FASE podem facilmente usar as técnicas para alcançá-la de uma forma compatível com suas perspectivas. Isto novamente demonstra o papel secundário da teoria e mostra a importância primordial da prática.