Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Experiências Espontâneas
Estava em meu apartamento. Achei que ele estava visivelmente alterado. Meu quarto parecia mais ou menos o mesmo, embora o interior estivesse diferente após uma análise detalhada (Raduga: não executou o aprofundamento). Meu telefone celular, que sempre está ao alcance, de alguma forma era um modelo mais antigo e diferente. Ele acabou por ser o primeiro objeto que testei. De repente queria muito saber que horas eram e verificar em que dia do mês estava (Raduga: não tinha um plano de ação). Sentia claramente o telefone na minha mão, mas ao tentar me concentrar e olhar para o visor, fui jogado de volta para a realidade.
Imediatamente saí (novamente) do meu corpo e decidi passear pelo apartamento enquanto tentava lembrar o que eu poderia experimentar. Tentei criar um objeto, mas não deu certo e resultou em alguma atividade mental. Isso fez com que a FASE se dissolvesse e eu fosse jogado de volta à realidade. No total foram cerca de cinco entradas sucessivas na FASE que duraram de 2 a 3 minutos cada. As experiências não eram estáveis e é por isso que fiquei examinando os arredores com pressa, tentando sempre encontrar qualquer coisa sobre a qual pudesse colocar minhas mãos. Houve uma boa quantidade de impressões, considerando que foi a minha primeira entrada.
EXPERIÊNCIAS ESPONTÂNEAS
Às vezes uma pessoa não faz nada para chegar à FASE ou até mesmo não sabe nada sobre isso, mas, apesar disso, ocorre espontaneamente para ela. Isso geralmente acontece durante um relaxamento, um sono, um despertar, um episódio de sonho ou algo semelhante. A análise dos erros nessas circunstâncias foi reduzida ao mínimo, levando-se em consideração o fato de que seus autores não tinham conhecimento prévio sobre a FASE.
025
Jaime Munoz Lundquist
Orange County, EUA
Minha primeira experiência fora do corpo foi muito dramática. Adormeci em torno de 4:00h ou 5:00h. Experimentei uma sensação diferente em todo o meu corpo. Estava em um estado de sono meditativo, mas, ao mesmo tempo, estava ciente do que estava acontecendo comigo. Tive uma sensação de formigamento pelo corpo todo, seguida por paralisia.
De repente me vi levitando e acabei na posição em pé. Fiquei muito assustado e comecei a orar pedindo ao Senhor para me proteger. Voltei para o meu corpo rápido como um raio. Quando acordei tive uma sensação de que precisava entender o que tinha acontecido comigo. Fiz algumas pesquisas e me disseram que você pode viajar a lugares e ir até à lua. Não podia esperar para tentar novamente. Naquele dia estava me sentindo tão bem comigo mesmo que pensei ter descoberto algo novo e excitante!
026
Oksana Ryabova
Moscow, Rússia
Parecia-me que minha profunda sonolência matutina havia sido interrompida por um desconforto e uma leve dor proveniente de uma dormência no braço esquerdo, sobre o qual minha cabeça estava deitada enquanto dormia. Surgiu dentro de mim um desejo de me livrar desse desconforto. Movi meu braço dormente para minha frente e abri meus olhos. Não podia ver o braço físico na minha frente, embora pudesse claramente senti-lo lá. Podia dobrar e desdobrar meus cinco dedos e também podia dobrar o braço. Isso tudo me deixou um pouco confusa. Entendi que algo assim não poderia acontecer no mundo físico normal. Concluí que este era um sonho por demais realista, e, para acordar, deveria fechar meus olhos e tensionar meu cérebro com o desejo de despertar. Esse pensamento foi seguido de ação. Pouco depois abri os olhos pensando que tinha finalmente acordado.
Diante de mim estava a realidade diária que sempre observei ao acordar: uma grande janela por onde a luz do sol ilumina minha cama no centro do quarto, uma escrivaninha e uma cadeira, uma estante de livros de literatura acadêmica e um guarda-roupa, como sempre. Decidi passar este dia-de-semana de folga descansando e me acalmando (eu tinha vários dias de folga naquela semana).
Sentei-me na cama ao estilo indiano: com os cotovelos sobre os joelhos. Apreciei os raios de sol do mês de maio massageando meu rosto. Estava quente, mas o ar estava fresco. Senti uma paz sendo derramada sobre meu corpo como se fosse uma espécie de néctar doce sobrenatural. Eu me virei para olhar ao redor. De repente esse estado de relaxamento mudou abruptamente e passei sentir frio e comecei a tremer. A sensação de paz foi transformada em um terrível medo. Meu corpo estava deitado atrás de mim! Pânico! Tentei olhar para aquelas mãos na minha frente que eu podia sentir, mas não ver. Elas estavam pacificamente estiradas na cama ao lado do meu corpo. Eu as toquei e senti sua pele aveludada, ainda que não tivesse sentido nada com as minhas mãos físicas. Tentei voltar para o meu corpo. Deitei-me nele. Fechei os olhos esforçando-me em uma tentativa de acordar. Abri os olhos e me levantei, mas o corpo ainda estava lá. Medo, medo mortal do outro mundo. Lágrimas. Perplexidade. Incompreensão. A questão: "O que vem a seguir? Ao meu redor estava aquele dia claro e ensolarado.
Tive mais e mais medo. O desejo de deixar aquele estado cresceu exponencialmente. Todas as minhas tentativas de voltar ao meu corpo não deram nenhum resultado. Assustada e com medo me sentei na cama como um manequim. De repente, em meio ao silêncio, ouvi passos na sala. Não pude ver ninguém. O medo cresceu mais e mais. Comecei a gritar com o homem invisível que estava vagando pelo meu quarto, ordenando-lhe que ficasse longe de mim. Perguntei: "Quem é e o que quer aqui, e por que não posso vê-lo?" Tive uma resposta: "Não tenha medo, tudo isso é normal". Ele apareceu, um momento mais tarde, em pé ao lado da minha cama. Ele tinha cerca de um metro e oitenta centímetros de altura e um pouco mais de 30 anos de idade, com um porte físico robusto. Seu cabelo era loiro e curto. Seus olhos eram azuis acinzentados. Ele estava vestindo apenas uma sunga preta. Em volta do pescoço tinha uma grossa corrente de ouro. Ele começou a explicar-me algo sobre uma determinada cidade, chamando-a de um ponto de transferência. Ele disse que muitos passam por tal estado e que era uma coisa normal. Ele pegou minha mão e disse: "Vamos!". Um momento depois nos encontramos em uma rua de uma velha cidade. A casa que ficava em frente tinha um retângulo azul no canto com o nome da rua e número da casa. Eu era facilmente capaz de ler tudo. Fiquei surpresa com o que vi.
Estávamos quase nus no meio da rua, mas os transeuntes não prestavam nenhuma atenção. Percebi que eles não nos viam. Não parei para olhar em volta, pois estava chocada e assustada com o que estava acontecendo. Minha cabeça estava cheia com o que era, na época, uma pergunta terrível: "Como regressar?"
O jovem de repente correu em direção à esquina da casa que estava à nossa frente. Entrando através de sua parede, ele disse que era hora dele voltar, já que seu amigo estava para chegar. Ele desapareceu. Permaneci no mesmo lugar por algum tempo vendo as pessoas passarem por mim. Não sabia como voltar para o meu quarto porque o lugar a partir do qual entramos na rua era uma parede. Que situação! Como eu faria para atravessar a parede? Fechei os olhos e pensei em meu quarto, e recitei: "o que será, será". Dei um passo à frente e encontrei-me na minha cama.
Varrendo meus olhos pelo quarto descobri que nada nele havia mudado. O sol brilhava como antes. Suspirei de alívio e fechei os olhos na grande esperança de que acordaria. Apressei-me para abri-los. Para meu horror, ao invés de acordar, encontrei uma bandeja com instrumentos médicos na minha cama. Ondas de medo tomaram conta de meu corpo com renovada intensidade. Engoli em seco, pois senti que não conseguiria passar pela experiência de ser operada. Fechei os olhos mais uma vez e comecei a rezar. O medo diminuiu gradualmente. Acalmei-me... Finalmente acordei. A primeira coisa que fiz foi certificar-me de que a bandeja com os instrumentos médicos não estava mais lá. Pulei e comecei a bater sobre a cômoda, na parede, e na janela, a fim de me certificar de que estava tudo acabado.
027
Andre Sanchez
theandresanchez@gmail.com
Estava em minha cama e notei dois objetos de plástico na minha mão direita. Pensei que era estranho eles estarem lá. Levantei-me e os joguei no chão. O primeiro não fez qualquer tipo de som. O segundo fez, muito provavelmente porque passei a esperar que ele fizesse algum tipo de som ao cair no chão. Por achar que algo estava estranho fui para o interruptor perto da porta e tentei ligar a luz. Não funcionou. Tive dois pensamentos: "Muito estranho... será que estou na FASE" e "Será que está faltando energia elétrica?"
Saí do quarto e fui para o corredor. Caminhei em direção a sala de estar. Estava muito escuro (o que seria normal se a energia elétrica tivesse acabado durante a noite). Pensei sobre como tudo isso parecia, de alguma forma, estranho, mas sentia como se fosse muito "real". Comecei a me preocupar e tentei acalmar-me, pensando que, se algo muito estranho e/ou assustador tivesse acontecido, eu poderia ter certeza de que estava na FASE, e não deveria me preocupar. Eu me lembro vagamente de uma fraca luz amarelo-esverdeada começando a aparecer a partir da sala de estar, mas não vi nada.
028
Dmitry Markov
Moscow, Rússia
Minha primeira vez foi o evento mais terrível da minha vida. Nunca tinha experimentado tamanho terror. Aconteceu em dezembro de 1990. Estava caindo no sono na minha cama em casa. De repente ouvi alguém entrar no meu quarto. Não prestei atenção no "intruso". Duas mãos femininas me agarraram por trás, e, enquanto pressionam a minha barriga, começaram a levantar meu corpo. Sentia dedos finos com unhas compridas na minha barriga, mas estava completamente paralisado e absolutamente incapaz mover alguma parte do meu corpo ou impor qualquer tipo de resistência. Senti meu corpo passar pelo teto, e, em seguida, ele foi puxado ainda mais alto.
Fiquei com medo que isso pudesse ser a morte. Estava com medo, não tanto da morte como do desconhecido. Tudo isso aconteceu tão rapidamente que não me achei preparado para tal "cruzamento" (para ir além). Comecei a rezar. Pedi a Deus para me ajudar, me libertar e me levar de volta. Entrei em pânico. Não posso dizer quantos segundos a minha levitação forçada durou ou quão alto fui levantado acima da minha casa, mas o momento chegou quando imediatamente retornei a minha cama.
029
April L. Alston
Raleigh, EUA
Tive minha primeira experiência fora do corpo acidentalmente. Depois do meu treino da manhã no ginásio, senti-me exausta e voltei para meu dormitório para tirar uma soneca. Quando estava acordando do sonho, senti que estava localizada em três lugares diferentes ao mesmo tempo. Estava consciente. Podia sentir tudo no meu sonho. Podia sentir tudo no meu corpo que estava deitado na cama. Senti uma terceira consciência caindo da cama. Meu "terceiro eu" era o que eu acreditava ser uma experiência fora do corpo para a "zona de tempo real (ZTR)". Meu corpo energético parecia que estava se separando do meu corpo físico, caindo da cama. Isso aconteceu por acidente.
Senti como se já não tivesse um corpo, como se eu fosse uma esfera flutuante de consciência. Podia sentir as coisas 360 graus ao meu redor, mas não pude ver com meus olhos porque não tinha olhos. Pude perceber que as coisas estavam ao redor. Tive uma sensação de queimação intensa na minha cabeça e, quanto mais tentava concentrar minha consciência no corpo astral, mais a dor piorava. Eventualmente, acordei com a experiência. Ainda fiquei deitada e tentei reentrar no transe, mas não obtive sucesso.
030
Tatyana Kiseleva
Vancouver, Canadá.
Naquela noite especial finalmente decidi lidar com o ruído exterior que havia arruinado algumas tentativas anteriores. Coloquei um conjunto de agradáveis tampões de cor laranja em meus ouvidos.
Tapei meus ouvidos e fui para a cama com a intenção de acordar de manhã e praticar o método diferido (adiado). Pouco antes de ir para a cama li algumas mensagens postadas no fórum no site do Michael sobre as primeiras experiências das pessoas. Tudo isso levou ao seguinte:
Acordei no meio da noite por causa do som muito alto de uma "pancada". Ouvi em algum lugar do prédio. Estava sentada na minha cama pensando que a pancada deveria ter sido muito alta, porque tinha conseguido ouvi-la perfeitamente, mesmo com os meus ouvidos tapados. Decidi ir até a porta da frente na esperança de ver o que estava acontecendo. Ouvi a pancada novamente. Soou um pouco assustador. Baixei os meus pés no chão, levantei-me e sai do meu quarto em direção à porta da frente. Podia sentir o chão frio com os meus pés descalços. Quando me aproximava da porta da frente pude ver um buraco brilhante aparecendo na escuridão. Cheguei a uma conclusão: "Estou na FASE!"
Não acreditei em mim mesma. "Não fiz nenhuma técnica", pensei, duvidando.
Decidi testar se era uma FASE. Levantei meus dois pés para cima, o que me fez ficar "sentada" no ar. Peguei com minha mão direita a borda de uma porta de correr de um armário e empurrei ambas as pernas contra a porta. Voei para trás todo o caminho até o outro lado da minha sala de estar, surpresa que ainda estava sentindo a minha mão segurando a porta do armário! O meu braço deve ter esticado uns 3 metros (Raduga: não executou o aprofundamento e não tinha um plano de ação)!
Estava flutuando direto para minha lareira vendo meus dois pés no ar em minhas calças de pijama. Ainda não acreditava que estava na FASE. Decidi voar para cima, mas não conseguia empurrar o chão porque meus pés estavam no ar. Cheguei à conclusão que não era a FASE (Raduga: lógica errada) e decidi voltar a dormir.
Naquele momento me encontrei sentada na minha cama. Percebendo mais uma vez que minhas orelhas tamponadas estavam me incomodando muito, tirei os tampões dos meus ouvidos. Um segundo depois percebi que meus ouvidos ainda estavam tampados. "Humm", pensei, "que estranho". Tirei os tampões, não tirei?
Foi aí que percebi que estava deitada na minha cama e estava sentindo meus ouvidos reais. Pulei de emoção quando percebi o que tinha acontecido. Foi minha primeira experiência fora do corpo real, embora não tenha acreditado! Estava 100% consciente DA experiência, mas estava cerca de 90% consciente NA experiência, caso contrário iria saber que estava fora do corpo.
Peguei um bloco de notas e como estava escrevendo tudo, vividamente lembrei das vibrações que senti antes de deixar o corpo. Aconteceu exatamente como elas são geralmente descritas: é como sofrer um choque elétrico, sem sentir dor.
031
Joshua Rachels
Belleville, EUA
Eu me vi lutando para cair em um sono completo, com o que pareciam ser "cochilos". A última vez que verifiquei o horário na realidade era 4:30h da manhã.
Tinha mais uma vez recostado minha cabeça. A próxima coisa que lembro é de estar caminhando em direção a uma velha loja que costumava visitar. Não tendo qualquer noção de como tinha chegado lá. Olhei para o chão sob os meus pés e questionei se estava sonhando. Tentei saltar tão alto quanto fosse possível, o que iniciou um salto de vários metros de altura e bem longo, servindo como uma dica de que estava sonhando.
Naquele momento as coisas ficaram um pouco quebradas para mim...
A próxima coisa que me lembro é de estar dentro de um edifício que me disseram que era um centro de reabilitação. Todos ao meu redor estavam vestidos de branco. Nenhuma das faces era completamente reconhecível, exceto duas: um amigo meu chamado Dan e uma mulher sem nome (na FASE me referia a ela como "a pessoa que amo"), e até mesmo o rosto da mulher era uma mistura entre Natalie Portman e uma das minhas ex-namoradas.
Lembro-me de Dan encostado em uma porta ao meu lado enquanto eu estava olhando para um espelho. Eu podia me ver, mas minha mão ficava tocando meu rosto como se estivesse turvo. A única parte visível era a minha roupa branca e meus cabelos. Ele começou a responder o que só posso supor que tenha sido minha pergunta subconsciente: por que eu estava lá e por quanto tempo?. Eu lhe disse que não conseguia me lembrar como tinha chegado lá ou porque estava lá e me lembro de sua resposta clara como o dia:
Dan: "Você sabe por que está aqui?"
Eu: "Não posso nem lhe dizer como cheguei aqui. Maconha?”
Lembre-se que eu estava em um "centro de reabilitação".
Dan: "Haha, você não consegue se lembrar?" Isso aconteceu provavelmente porque você já estava aqui. Você está aqui por volta de um mês. Vá e verifique o calendário.
Naquele momento acredito que meu subconsciente começou a entrar em pânico sobre a possibilidade de ficar preso lá. As pessoas começaram a aglomerarem-se ao meu lado em torno do "calendário". Eu me lembro especificamente de um homem afro-americano gritando ao meu lado, "quem é Josh, quem é Josh!", logo depois levando-me para fora em direção à porta da frente, onde "a pessoa que amo" tinha encostado, apontando-me para que eu chegasse mais perto.
Lembro-me de andar com "a pessoa que amo". Ela começou a chorar implorando para que eu não me acordasse, gritando que nós poderíamos ser felizes juntos lá se eu ficasse. Durante esta birra correntes apareceram nos braços e pernas dela. Comecei a me sentir pesado.
Comecei a pensar em minha família, minha mãe especificamente e pensamentos de ficar preso em um coma, que acredito que levou meu subconsciente para o pânico, ainda mais porque o tempo parecia ainda mais curto.
"A pessoa que amo" me levou para um quarto e, sem querer ficar vulgar, começamos a ter relações sexuais. Um pouco antes que eu chegasse ao orgasmo ela começou a gritar para eu não ir, altura em que me senti sendo puxado dali.
Ora, aqui está o que tocou minha mente sobre toda a experiência: Acordei à luz do dia e corri para fora do meu quarto para encontrar minha mãe e meu padrasto de pé na sala de estar. Peguei o meu telefone e percebi que haviam muitos arranhões e amassados sobre ele. Entreguei meu celular para a minha mãe para ela olhar os danos e quando ela apertou o botão e apareceu a luz de fundo, acordei!
Acordei quase que imediatamente após a abertura dos meus olhos. Ainda estava escuro lá fora e olhei para o horário. Era 5:17h.