Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Michael Raduga · Capítulo 73 de 154

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Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Capítulo 7: - Manutenção

 

O CONCEITO GERAL DE MANUTENÇÃO

Manutenção da FASE ou simplesmente "manutenção", refere-se a técnicas que permitem que o praticante permaneça na FASE pelo máximo período de tempo possível. Sem o conhecimento das técnicas de manutenção, a duração da FASE seria várias vezes mais curta do que poderia ser. As menores FASES duram apenas alguns segundos. Praticantes novatos geralmente temem não serem capazes de sair de uma FASE, o que não deve jamais ser uma preocupação, porque o verdadeiro desafio é ser capaz de manter o estado de FASE, que é facilmente perdido a menos que sejam utilizadas as técnicas de manutenção.

 

Manter-se na FASE consiste em:

a) Resistir ao retorno para a vigília

b) Resistir ao adormecimento

c) Resistir ao não reconhecimento da FASE

 

A manutenção da FASE consiste em três princípios básicos: resistir a um retorno espontâneo ao estado de vigília, resistir ao adormecimento e resistir a uma falsa saída da FASE. Como regra geral, os dois primeiros problemas (voltar ao estado de vigília ou adormecer) são frequentemente experimentados por iniciantes, mas a terceira dificuldade (saída falsa) manifesta-se em etapas posteriores da prática.

A resistência para retornar ao corpo é auto-explicativa, enquanto que a resistência em adormecer não é clara para muitos. Nem todo mundo sabe que quase a metade das experiências de FASE geralmente terminam de uma forma bastante trivial, o adormecimento. O praticante geralmente perde a atenção, a consciência dele ou dela dissipa-se e tudo ao redor gradualmente perde clareza e se transforma em o que é, para todos os efeitos, um sonho costumeiro.

Resistir a uma falsa saída da FASE é muito mais surpreendente e dramático. Às vezes o praticante detecta uma saída iminente da FASE e subsequentes técnicas de aprofundamento deixam de funcionar resultando no que parece ser um retorno para o corpo e para uma realidade física. Nesses casos, o adormecimento na maioria das vezes acontece sem nenhum movimento, enquanto ainda estava deitado na cama. O problema é que a diferença entre a FASE e a realidade pode ser tão sutil que, em termos de indicadores internos ou externos, a FASE praticamente não pode ser distinguida da realidade. É preciso conhecer as ações necessárias a se tomar no caso de que a FASE cesse, mesmo porque, o fim de uma FASE pode ser um truque; fruto de pura imaginação.

Existem soluções específicas para os três problemas descritos, além de regras gerais que se aplicam a qualquer experiência de FASE. Ao estudo dessas regras deve ser dado uma prioridade tão elevada quanto para o estudo das soluções específicas, uma vez que apenas algumas delas, quando aplicadas isoladamente, podem ajudar o praticante a permanecer na FASE uma quantidade de tempo várias vezes maior que o normal.

Em alguns casos as técnicas para a manutenção não são aplicáveis. Contudo, o conhecimento sobre a manutenção é útil para a maioria das experiências. Pode haver situações em que alguém só precisa resistir a um retorno espontâneo, enquanto outra pessoa pode precisar resistir ao adormecimento. Tudo isso é muito específico para cada caso e pode ser determinado apenas durante a prática.

Com perfeito conhecimento de todas as técnicas para a manutenção, uma FASE pode durar de 2 a 4 minutos, o que a princípio pode não soar como um período prolongado, mas é. Uma particularidade do espaço da FASE é que, para alcançar alguma coisa ou para se mover é requerida uma quantidade mínima de tempo, meros segundos. Tantas coisas podem ser feitas durante 3 minutos na FASE que se faz necessário a confecção de uma lista, de modo que não haja perda de tempo.

Existem teorias que nunca foram comprovadas, nem refutadas, alegando que o tempo nos estados de FASE se contrai e se expande em relação ao tempo real. Um minuto de tempo real pode parecer muito mais tempo durante a FASE.

A percepção do tempo varia de praticante para praticante. Especialmente os novatos percebem um minuto de tempo real como 5 a 10 minutos na FASE. Isto é determinado pelas particularidades da psicologia individual, o estado mental do praticante e os tipos de eventos que ocorrem na FASE.

Para compreender qual é a duração de uma FASE, não é preciso tentar usar um cronômetro no mundo real. É melhor contar quantas ações aconteceram na FASE e depois calcular a quantidade de tempo que seria necessário para realizar as mesmas ações no mundo real. O resultado será quase sempre diferente de uma estimativa preliminar.