Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Michael Raduga · Capítulo 55 de 154

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Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático

Melhor Momento para Tornar-Se Consciente em um Sonho

MELHOR MOMENTO PARA TORNAR-SE CONSCIENTE EM

UM SONHO

Tal como acontece com outros métodos de entrada na FASE, o melhor momento para tornar-se consciente durante o sonho ocorre quando se utiliza o método diferido (adiado). É necessário dormir por 5 a 7 horas, acordar e realizar atividades físicas durante 3 a 50 minutos a fim de consolidar o efeito do despertar, e finalmente voltar a dormir com a intenção de tornar-se consciente durante os episódios de sonho a seguir. Quanto maior for tempo entre o despertar e o retorno ao sono, maiores serão as chances de sucesso. Existem alguns praticantes que são capazes de voltar a dormir depois de uma longa interrupção. Existem outros que são incapazes de adormecer depois de apenas alguns minutos após ter acordado, e assim eles devem fazer com que essa pausa seja tão breve quanto for possível.

A consciência durante o sonho também surge facilmente durante uma soneca diurna. Também pode ocorrer no meio da noite, mas por razões fisiológicas tais experiências tendem a ser breves e geralmente são parcialmente lúcidas.

 

TÉCNICAS PARA TORNAR-SE CONSCIENTE EM UM SONHO

É possível simultaneamente praticar várias técnicas para tornar-se consciente em um sonho, uma vez que cada uma delas é diretamente compatível e complementar em relação a outra.

Lembrando dos Sonhos

Existe uma falácia bem conhecida e difundida que supõe que os sonhos não ocorram para algumas pessoas. Todo mundo sonha, mas nem todo mundo se lembra de seus sonhos. Mesmo aqueles que sonham ativamente se lembram apenas uma pequena fração dessas excursões noturnas. Não se deve pensar que é impossível para alguém que não se lembra de seus sonhos tornar-se consciente em um deles. Tal pessoa deve tentar usar as técnicas.

Há uma correlação direta entre o número de sonhos lembrados e a probabilidade de tornar-se consciente durante o sonho. É por isso que é crucial o desenvolvimento da capacidade de lembrar-se dos sonhos. A capacidade de atingir a consciência no sonho pertence à mente consciente, que é muito interligada com os processos relacionados com a memória.

A consciência é naturalmente inerente aos sonhos, mas ela carece de memória rápida e eficiente. Sonhadores podem saber quem são, seus nomes, como andar e como falar, mas podem não saber como os eventos ao seu redor estão relacionados ou a natureza do seu significado.

Ao aumentar a frequência dos sonhos lembrados, a memória de curto prazo relacionada ao sonho torna-se mais desenvolvida, permitindo experiências de sonhos mais realistas, seguido por uma maior probabilidade de obter a consciência dos mesmos.

Existem três técnicas dedicadas a aumentar o número de sonhos lembrados.

A primeira é lembrar dos detalhes dos sonhos ao acordar. Dentro dos primeiros minutos após acordar tente lembrar-se da maior quantidade possível de sonhos ocorridos durante aquela noite. Isto deve ser feito com uma grande quantidade de atenção e assiduidade, pois este exercício fortalece a memória. Se possível durante o dia, ou melhor ainda antes de ir dormir à noite, é altamente benéfico recordar os sonhos da noite anterior.

Segundo: Escrever os sonhos em um diário é muito mais eficaz do que a simples recordação. Registre os sonhos de manhã enquanto as lembranças ainda estão frescas. Quanto mais detalhes forem lembrados durante o registro de um sonho, melhor será o resultado final. Escrever os sonhos em um diário, aumenta significativamente a consciência das ações e aspirações.

Terceiro: Outra maneira de se lembrar dos sonhos é criar um mapa do mundo dos sonhos. Isso é chamado de cartografia do sonho e é semelhante a manter um diário, porém, um maior nível de conscientização é desenvolvido quando se ligam episódios de sonho em um mapa.

Registre um sonho no mapa descrevendo locais e eventos. Este processo cartográfico deve ser repetido com cada sonho subsequente, e, após vários sonhos, um episódio que irá ocorrer estará de alguma forma relacionado com a localização de um sonho já registrado. Dois sonhos que aconteceram em locais próximos deverão ser colocados no mapa um ao lado do outro. Ao longo do tempo, mais e mais sonhos interligados irão ocorrer e o mapa tornar-se-á cada vez mais concentrado. Como resultado, a frequência e o realismo dos sonhos lembrados irão aumentar e o sonhador também terá aumentado a capacidade de atingir a consciência durante o sonho.

É melhor registrar os sonhos dos quais se lembrou após um despertar temporário, ao invés de esperar até de manhã. Para conseguir isso, ajuda ter uma caneta e um pedaço de papel nas proximidades, de forma que o praticante possa anotar rapidamente a experiência de FASE ou várias palavras-chave do enredo do sonho antes de cair no sono novamente. Ao fazer uso dessa informação, a maioria dos sonhos serão rápida e completamente lembrados.

O resultado inicial da aplicação dessas técnicas é um rápido aumento no número de sonhos lembrados. Quando este número tornar-se significativo (algo entre 5 e 10 por noite), a consciência do sonho seguirá em uma base regular.

Intenção

A intenção é crucial para o sucesso de qualquer técnica. No que diz respeito à consciência do sonho, seu significado é multiplicado. A criação da intenção está intrinsecamente ligada à criação da aspiração interna, que tem reverberações em ambos os estados, consciente e inconsciente. Na realidade, um elevado grau de intenção funciona como um poderoso método de programação mental.

Esta técnica é realizada antes de adormecer, afirmando um forte desejo de tornar-se consciente durante o sonho. Para melhores resultados, junto com uma forte e claramente definida intenção, o praticante deve pensar a respeito das ações que deverão ser executadas quando for alcançada a consciência no sonho.

Criando uma Âncora

A consciência no sonho não está ligada a ações específicas que ocorrem dentro do próprio sonho, no entanto a percepção sensorial continua funcionando, tornando-se possível o desenvolvimento e a utilização de um reflexo artificialmente condicionado. A essência desta técnica é treinar a consciência para reagir uniformemente a determinados estímulos que ocorrem tanto durante o período de vigília quanto nos sonhos, estabelecendo um hábito de resposta específica cada vez que uma determinada situação ocorrer.

 

Quando estiver acordado o praticante deve perguntar "Eu estou sonhando?" cada vez que ver uma âncora. Uma âncora é qualquer objeto frequentemente encontrado tanto nos sonhos quanto em vigília. Exemplos de âncoras incluem as próprias mãos do praticante, objetos vermelhos ou água corrente. No início da utilização desta técnica o praticante não será capaz de distinguir se é um sonho que está em andamento cada vez que uma âncora pré-estabelecida for encontrada. Com o treinamento e um forte desejo esta técnica rapidamente produzirá resultados. Ao longo do tempo o subconsciente questionamento do estado do praticante tornar-se-á um hábito, acontecendo tanto quando está acordado quanto quando está sonhando. O resultado final é a consciência dos sonhos.

É importante notar que não é necessário somente fazer esta pergunta, mas também é importante respondê-la atentamente tentando isolar-se dos eventos que estão acontecendo em seu entorno, a fim de ser capaz de respondê-la de uma maneira mais objetiva e menos predeterminada possível. A incapacidade em responder objetivamente sempre resultará em uma resposta negativa e a consciência do sonho não será alcançada.

Âncoras naturais

Objetivando a deliberada criação de âncoras que induzem o sonho consciente, deve ser dada atenção especial às âncoras naturais. São objetos e ações que regularmente causam a consciência do sonho, mesmo quando ela não é desejada. Estar ciente da existência de âncoras naturais dobra as chances delas aparecerem.

As experiências a seguir são âncoras naturais comumente presentes nos sonhos: morte, dor aguda, medo intenso, estresse, vôo, choque elétrico, sensações sexuais e o sonho com a entrada na FASE ou com seu ambiente. A identificação de âncoras naturais produz a consciência do sonho em quase 100% das ocorrências.

Pode-se tentar começar a voar cada vez que se responder a pergunta. Isto não faz sentido quando em vigília. Quando nos sonhos, isto provavelmente irá levar ao vôo e, mais uma vez, provar que tudo em volta é apenas um sonho.

Auto-análise

A análise consistente dos sonhos ajuda a determinar as razões para a ausência de consciência: estas análises são importantes para atingir a consciência dos sonhos. Ao longo de uma vida, a mente acostuma-se com a natureza paradoxal dos sonhos e presta menos atenção a eles. Isto torna-se aparente quando se tenta entender que um crocodilo é incapaz de falar, não pode ser vermelho, nem pode alugar um apartamento. Enquanto sonhamos, essas impossibilidades nunca são questionadas. A essência da auto-análise é: lembrar dos sonhos e pensar muito sobre o porquê que suas características paradoxais não foram devidamente reconhecidas.

Com a experiência, a análise diária da correspondência dos sonhos com a realidade começa a ter um efeito sobre o raciocínio do praticante dentro do sonho. A presença de um crocodilo vermelho em um apartamento alugado poderia gerar dúvidas e, por sua vez, causar uma pausa para reflexão, o que levaria ao entendimento de que tudo o que está acontecendo é apenas um sonho.