Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Retorno de Emergência. Paralisia
É possível a utilização de técnicas que só podem ser realizadas no estado de FASE. Se o praticante ficar em pé e não reconhecer o seu entorno, poderá supor que esteja de pé num estado de FASE. Muitas vezes, baseado na observação de que "tudo é como na realidade", um praticante pode levantar-se e observar que tudo é "como na realidade", porque o praticante “ainda está na realidade". Através do uso da hiper-concentração é sempre possível verificar se o praticante está na FASE. Como regra, a hiper-concentração raramente se faz necessária. Na maioria das vezes os sinais a seguir indicam que a separação tenha ocorrido na FASE: sensações incomuns no corpo durante o movimento, rigidez extrema durante o movimento, um forte desejo físico de deitar-se, ambiente com detalhes desconexos (algum detalhe do ambiente não coincide com a realidade), visão turva ou total ausência da visão.
Muitas vezes o problema reside no uso de técnicas diretas, onde o praticante espera resultados rápidos e tenta determinar se a FASE foi alcançada. A princípio isso não deve ser feito. Ao usar técnicas diretas a FASE manifesta-se claramente. Se uma tentativa para determinar a sua presença for feita, já será um indicador de que a FASE muito provavelmente ainda esteja longe.
RETORNO DE EMERGÊNCIA. PARALISIA
As estatísticas mostram que em um terço das experiências iniciais de FASE, o praticante se depara com um determinado grau de medo que força um retorno para o corpo. Periodicamente até mesmo os praticantes experientes enfrentam situações que exigem um retorno abrupto a vigília. Isso apresenta uma série de preocupações.
O retorno ao corpo acontece quase sempre sem problemas. Lembrar e pensar sobre o corpo muitas vezes é o suficiente para que dentro de instantes o praticante seja devolvido a ele a partir de qualquer local na FASE. É aconselhável, durante este tipo de situação, fechar os olhos e abster-se de tocar em qualquer objeto. Como regra geral, quando essas ações são executadas, levantar-se no mundo físico é tudo o que é necessário fazer para completar o retorno, no entanto isso nem sempre é alcançado de forma tão simples.
Às vezes, depois de entrar novamente no corpo, o praticante de repente percebe que a funcionalidade física cessou devido ao início da paralisia do sono ou a sensação de que o corpo tenha sido desligado. Durante a paralisia do sono é impossível gritar, pedir ajuda ou até mesmo mover um dedo. Na maioria dos casos também é impossível abrir os olhos. Do ponto de vista científico, este é um caso de uma interrupção artificial e abrupta do estágio do sono chamado "movimento rápido dos olhos (REM)", durante o qual esta paralisia está sempre presente e pode persistir por algum tempo após a FASE ser interrompida.
Este é o momento em que a coisa fica interessante. Pessoas no mundo físico estão acostumadas a uma regra importante: se você deseja alcançar algo, deve fazê-lo tão ativamente quanto possível. Essa regra, apesar de boa, nem sempre é aplicável a certas condições relacionadas com a FASE e aplica-se menos ainda quando se deseja sair da FASE. Às vezes, um esforço extremo torna possível o rompimento da paralisia do sono e a retomada do movimento, embora a maioria desses esforços tendam a exacerbar a imobilidade.
Devido à natureza incomum de uma situação negativa, após um deliberado retorno ao corpo induzido pelo medo, a profundidade da FASE pode aumentar consideravelmente devido à uma propriedade natural do corpo em provocar uma inibição protetora das funções originadas no córtex cerebral, o que resulta em uma agitação e um medo ainda maior. A paralisia torna-se ainda mais forte. Este é um círculo vicioso que leva a sentimentos e emoções desagradáveis e que pode fazer evaporar qualquer desejo de praticar a FASE.
A ignorância referente aos procedimentos corretos tem levado à opinião generalizada de que tais situações adversas podem tornar impossível o retorno do estado de FASE. Estas opiniões supõem também que seja perigoso envolver-se com a prática. A solução para este problema reside em ações e procedimentos muito simples que podem evitar um grande número de experiências negativas:
Relaxamento completo
Na seção sobre aprofundamento e manutenção verificou-se que, quanto mais ativo o praticante estiver na FASE, melhor. Por outro lado, se houver menos atividade, a qualidade da FASE irá declinar, permitindo uma fácil saída. Desse modo, para deixar a FASE o praticante só precisa relaxar completamente e ignorar quaisquer sensações percebidas, ações ou pensamentos. O praticante pode também recitar uma oração, um mantra, ou um poema, uma vez que ajuda a consciência a se distrair da situação mais rapidamente. Periodicamente o praticante deve tentar mover um dedo a fim de verificar se as tentativas de relaxamento tiveram efeito.
Concentração em um dedo
O praticante que estiver experimentando a paralisia do sono deve tentar mover um dedo da mão ou do pé. No começo isso pode não funcionar, mas o praticante tem que concentrar pensamentos e esforços precisos na ação. Depois de algum tempo o dedo físico começará a se mover. O problema com esta técnica é que o praticante pode acidentalmente começar a fazer movimentos com o dedo fantasma ao invés de fazê-lo com o físico, razão pela qual uma compreensão da diferença entre as duas sensações se faz necessária, pois frequentemente não é muito óbvia.