Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Ciclos de Técnicas Indiretas
Despertar sem se mover, apesar de toda a sua importância, não deve ser um objetivo em si mesmo e também não vale a pena sofrer por isso. Ao despertar, se houver grande desconforto, uma parte do corpo estiver coçando, surgir uma necessidade de deglutir ou acontecer qualquer outra forma de reflexo natural, é melhor primeiramente lidar com ele, e, em seguida, agir de acordo com as práticas recomendadas quando acontece o movimento ao acordar.
Nem todos os movimentos ao despertar são reais. Mesmo que apenas por essa razão, caso o movimento ocorra, técnicas indiretas devem ser utilizadas.
Fato interessante!
Até 20% das sensações e ações que acontecem ao acordar não são reais como parecem. São sensações fantasma.
Falsas sensações ocorrem de maneiras muito diversificadas. Muitas vezes as pessoas não entendem o que está acontecendo, a menos que tenham experimentado a FASE. Uma pessoa pode pensar que está coçando a orelha com a mão física quando na realidade está usando a mão fantasma. Uma pessoa pode ouvir pseudo-sons na sala, na rua, ou na vizinhança, sem notar nada de anormal. Uma pessoa pode olhar ao redor do quarto sem saber que seus olhos (físicos) estão fechados. Se tais momentos acontecerem, o praticante deverá tentar imediatamente a separação.
CICLOS DE TÉCNICAS INDIRETAS
Até agora foram descritas técnicas indiretas utilizadas para a entrada na FASE e técnicas para se obter a separação. O despertar consciente e os melhores horários para a realização das práticas também foram examinados. Agora será apresentada uma sequência específica de ações para a implantação das técnicas indiretas. Seguindo esta sequência poderão ser obtidos resultados rápidos e práticos.
Deve ser entendido que quanto mais natural e mais profundo for o sono precedente a uma tentativa, maiores serão as chances de sucesso ao despertar. O que é necessário é adormecer rapidamente e ter um sono profundo, após o qual um despertar pode ser bem aproveitado. Ciclos de técnicas indiretas ocasionalmente podem ser utilizados com sucesso durante o sono intermitente, mas, na maioria dos casos, é um puro desperdício de tempo e energia. Quando se dorme mal é melhor não executar as técnicas e aguardar outra oportunidade para ter um sono profundo, ao contrário de gastar todo seu tempo tentando agarrar a FASE a força; uma situação cansativa e dificilmente recuperável.
Sequência de Ações ao Acordar:
1) Teste técnicas de separação durante 5 segundos
Como dito anteriormente, 50% das tentativas bem sucedidas de entrada na FASE advém do sucesso imediato das técnicas indiretas. Isso se deve ao fato de que os primeiros segundos depois de acordar são os mais úteis para se entrar na FASE. Quanto menos tempo tenha passado após o despertar melhor. Se o praticante deitar-se e ficar esperando algo acontecer, as chances rapidamente se dissiparão.
Ao acordar, de preferência sem se mover, o praticante deve imediatamente tentar várias técnicas de separação, como: rolamento, levantar-se ou levitação. Se uma técnica de repente começar a dar resultados por aproximadamente 5 segundos, a separação do corpo deve ser tentada. Poderá surgir durante as tentativas de separação uma inércia, uma dificuldade ou uma barreira. Não deve ser dada atenção a estes problemas. Ao invés disso, decida se separar de seu corpo com determinação (agressividade).
Tentar a separação imediatamente ao acordar é uma habilidade de extrema importância que vale a pena ser aprimorada desde o começo e nunca deverá ser esquecida.
2) Ciclo de técnicas indiretas a ser utilizado pelo praticante caso não ocorra a separação
Se a separação não acontecer depois de alguns segundos significa que ela provavelmente não ocorrerá, independentemente do tempo utilizado no esforço. Neste momento o praticante deverá recorrer a outras técnicas.
O praticante deve escolher no mínimo 3 técnicas entre primárias e secundárias que se adequem a um repertório prático. Este é o momento em que as técnicas são postas em prática.
Vamos examinar o uso de três técnicas específicas que devem ser substituídas por um conjunto de técnicas testadas. As seguintes técnicas serão usadas apenas como exemplo: observação de imagens, movimento fantasma e audição interna.
Depois de uma tentativa fracassada de separação, o praticante deverá começar imediatamente a observação do vazio atrás das pálpebras. Se começarem a aparecer imagens dentro de 3 a 5 segundos a observação deve continuar sem que as imagens sejam examinadas em detalhe, do contrário elas evaporar-se-ão. Como resultado desta ação, a imagem rapidamente poderá tornar-se cada vez mais realista e colorida, envolvendo o praticante. Se tudo acontecer corretamente ocorrerá uma translocação súbita para dentro da cena ou quando a imagem tornar-se muito realista deverá ser tentada a separação do corpo. Se nada acontecer após 3 a 5 segundos o praticante deverá passar a utilizar a técnica do movimento fantasma.
Por 3 a 5 segundos o praticante deverá rapidamente procurar no corpo inteiro uma parte que possa ser movimentada. Todo o período de tempo também poderá ser utilizado para a tentativa de movimentação de uma parte específica do corpo: um dedo, uma mão ou uma perna. Se os efeitos desejados ocorrerem o praticante deverá continuar com a técnica visando atingir a amplitude máxima possível de movimento. Durante este processo uma série de coisas poderão acontecer, incluindo: a separação espontânea, uma tentativa de separação bem-sucedida, a livre movimentação de uma parte do corpo ou a presença de sons ou vibrações. Todos estes eventos são bastante proveitosos. Se nada se movimentar ao longo de 3 a 5 segundos o praticante deverá passar a utilizar a técnica da audição interna.
O praticante deverá tentar detectar um som interno. Se aparecer algum som o praticante deverá tentar fazê-lo crescer em volume. Como resultado, o volume do som poderá aumentar até tornar-se um rugido. Poderá ocorrer: a separação espontânea, a tentativa de uma técnica de separação ou o aparecimento de vibrações. Se nenhum ruído ocorrer ao longo de 3 a 5 segundos, todo o ciclo deverá ser repetido.
É benéfico examinar a razão através da qual se justifica o uso de um conjunto de três técnicas indiretas. Isto é motivado pelo fato de que o corpo muitas vezes reage às técnicas de forma muito peculiar. Uma determinada técnica pode funcionar um dia e não funcionar em outro. Se apenas uma técnica for utilizada, até mesmo uma muito boa, e que funciona frequentemente, o praticante poderá ser privado de muitas experiências diferentes justamente por não ter tirado vantagem da variedade. Um repertório prático deve ser composto de várias técnicas.
Fato interessante!
Algumas vezes a primeira técnica que funciona para um praticante não resulta em entrada na FASE na próxima tentativa. Por outro lado, outras técnicas que não eram eficazes nos estágios iniciais da prática mais tarde podem começar a funcionar regularmente.
3) Repetição do ciclo de técnicas indiretas
Se o primeiro ciclo de 3 técnicas não der qualquer resultado claro, não significa que tudo esteja perdido. Mesmo se as técnicas não funcionarem, elas deixarão o praticante mais perto do estado de FASE e será necessário continuar usando as técnicas de observação de imagens, movimento fantasma e audição interna, repetindo este processo pelo menos mais 3 vezes.
Após ter sido realizado um ciclo de técnicas será possível facilmente passar a fazer um segundo ciclo, um terceiro, um quarto e assim por diante. É bastante provável que durante um destes ciclos uma das técnicas de repente comece a funcionar, mesmo que ela não estivesse funcionando poucos segundos antes.
Um praticante sério deve se comprometer com no mínimo 4 ciclos. O problema reside no fato de que é psicologicamente difícil fazer algo que tenha se mostrado um fracasso. O praticante poderá querer desistir de tomar outras atitudes justamente num momento em que poderia estar na iminência de entrar na FASE. Faça várias tentativas! Houve casos em que foram necessários vinte ciclos para que fossem produzidos resultados. Um esforço monumental, mas o resultado vale a pena.
4) Adormecer com a possibilidade de tentar novamente.
Se o praticante for incapaz de entrar na FASE após a realização dos ciclos e das tentativas de separação ou mesmo se tudo der certo, ainda assim é melhor voltar a dormir para facilitar as tentativas subsequentes. É muito importante ir dormir com uma intenção claramente definida de executar os ciclos ao acordar. Essa intenção aumenta em muito a probabilidade de que a próxima tentativa ocorra em breve. Não se deve adormecer com a cabeça vazia e o desejo de obter simplesmente uma boa noite de sono. Se estiver usando o método diferido (adiado) a intenção clara é obrigatória, já que várias tentativas são possíveis ao longo de um ciclo de sono.
Mesmo que apenas algumas das tentativas estejam acompanhadas por um esforço decidido e concentrado, os 4 passos descritos na sequência de ações poderão produzir a entrada na FASE.
Deve ser sempre lembrado que um dos erros mais comuns cometido pelos novatos é continuar deitado na cama enquanto se encontra na FASE. De um modo geral, para cada tentativa bem sucedida realizada pelos novatos há outras 2 ou 3 tentativas em que a FASE também ocorreu mas eles não aproveitaram o momento e perderam a separação que estava muito próxima. Qualquer técnica que esteja funcionando extremamente bem imediatamente após o despertar é um sinal claro da FASE. Ao invés de continuar deitado na FASE executando uma técnica ou alternando através de outras, tente tão fortemente quanto você puder sair de seu corpo. Qualquer possível evidência de que uma técnica esteja funcionando deve ser testada da mesma maneira.
Também é importante tirar proveito imediato de uma técnica que esteja funcionando. Quando algo começa a funcionar um novato muitas vezes, por algum motivo, não consegue tirar proveito imediato do momento. A FASE termina em alguns segundos e as técnicas não funcionam mais. Se uma oportunidade de entrar na FASE não for aproveitada no instante em que ela ocorre, a janela de tempo para deixar o corpo se fecha dentro de alguns segundos. É por isso que é necessário tentar deixar o seu corpo imediatamente após qualquer técnica começar a funcionar substancialmente bem. Caso contrário, o momento será perdido.
Para usar de forma mais efetiva o sistema de ciclos de técnicas indiretas é necessário discutir o que fazer quando a técnica inicialmente funcionar e em seguida, o progresso cessar, não ocorrendo a entrada na FASE.
Primeiro: Se uma técnica começou a funcionar, apenas a falta de experiência e habilidade impedirá a FASE.
Segundo: As barreiras, caso ocorram, poderão ser superadas através da mudança temporária para outras técnicas. Vamos supor que ruídos obtidos com a utilização da técnica da audição interna cresceram até atingirem um determinado volume e estabilizaram. Certamente seria benéfico mudar, por alguns segundos, para a técnica do adormecimento forçado ou da observação de imagens e, em seguida, retornar à técnica da audição interna. O som pode tornar-se muito mais alto e proporcionar uma oportunidade para prosseguir com a técnica. Ocasionalmente faz sentido interromper as técnicas várias vezes e depois retornar para a que produziu mais resultados.
A coisa mais importante é nunca desistir de uma técnica que começou a funcionar de forma não muito pronunciada. Em essência, é um sinal mostrando um caminho mais curto para a FASE e deve ser sempre seguido.
É possível executar simultaneamente duas ou mesmo três técnicas e não ter como resultado efeitos negativos. Também é normal e natural alterar a ordem das técnicas desviando-se de um plano específico de ação. Muitas vezes surgem sons durante a técnica do movimento fantasma. O praticante deve passar para a técnica da audição interna. Outros pares de resultados frequentemente encontrados são: imagens a partir de sons, sons a partir do tensionamento do cérebro, tensionamento do cérebro a partir de sons, vibrações a partir da rotação, vibrações a partir do movimento fantasma e assim por diante.