Escola de Viagens Fora do Corpo: um guia prático
Capítulo 3: - Jornadas de Praticantes Conhecidos
CAPÍTULO 3 - JORNADAS DE PRATICANTES
CONHECIDOS
A seguir, estão apresentados os relatos das experiências fora do corpo dos mais famosos autores e pesquisadores da área: Muldoon, LaBerge, Monroe, Castaneda e Bruce. Se suas experiências forem comparadas com algumas daquelas da seção anterior, veremos que alguns humildes iniciantes desconhecidos são capazes de ultrapassar todos eles em termos de compreensão de como usar a técnicas para controlar e aplicar o fenômeno, com a possível exceção de Stephen LaBerge.
A explicação é simples: o conhecimento que temos hoje só poderia ter surgido graças às bases que eles construíram, qualquer que seja a sua qualidade. Não é exagero afirmar que o trabalho deles era revolucionário naquele tempo. Agora vivemos em uma era completamente diferente, com avanços contemporâneos na tecnologia e na técnica. Um tempo virá em que os nossos conhecimentos atuais tornar-se-ão antiquados.
Para desenvolver a prática do leitor na análise independente, estas experiências são fornecidas sem comentários sobre os erros. Reúna a sua coragem e, utilizando as análises nas seções anteriores deste livro como um guia, examine as experiências dessas autoridades sob a luz do conhecimento moderno, reconhecendo os erros mais típicos e comuns:
- Não tentou a separação;
- Não executou o aprofundamento;
- Não tinha um plano de ação;
- Não executou a manutenção;
- Não tentou a re-entrada na FASE.
077
Sylvan J. Muldoon
A projeção do Corpo Astral (1929)
Algumas manhãs atrás acordei cerca de seis horas e fiquei acordado por cerca de 20 minutos. Dormi de novo e sonhei que estava de pé no mesmo lugar que costumava ocupar nos sonhos.
Sonhei que minha mãe estava sentada em uma cadeira de balanço. Ela me disse: "Você sabe que está sonhando?". Respondi: "Por Deus, estou, não estou?”. Aquilo fez terminar o sonho. Parecia que eu não tinha dito: "Por Deus, estou" e acordei no corpo físico, na cama. Estava consciente, mas era incapaz de me mover, não podia proferir um som sequer, não podia mover minhas pálpebras. Esta condição prevaleceu durante cerca de três minutos. O tempo todo meu corpo se manteve contraído, especialmente os membros. De repente ficou tudo normal.
Cerca de dois segundos mais tarde ouvi um som alto, como se alguém tivesse batido no ferro da cama com um martelo pesado. O barulho foi tão alto que "mergulhei". Ele assustou-me um pouco... Lembre-se, eu estava perfeitamente consciente cerca de dois segundos antes de ter ouvido este som. Não havia ninguém por perto e isso ocorreu em plena luz. Estas manifestações físicas eram interessantes para mim, já que nunca tinha experimentado tais coisas. Nunca tinha tentado. Essas coisas surgiram por si mesmas...
078
Robert A. Monroe
Journeys Out of the Body (1971)
... Acordei cedo e sai para tomar café da manhã às sete e meia. Voltei ao meu quarto aproximadamente 8:30h e me deitei. Quando relaxei vieram as vibrações. Em seguida veio uma impressão de movimento. Pouco tempo depois parei. A primeira coisa que vi foi um menino andando e jogando uma bola de beisebol para cima e capturando-a. Uma mudança rápida e vi um homem tentando colocar alguma coisa no banco de trás de um carro, um sedan de grande porte. A coisa era um dispositivo de aparência estranha que interpretei como um pequeno carro com rodas e um motor elétrico. O homem girava e virava o dispositivo e finalmente conseguiu colocá-lo no banco de trás do carro e bateu a porta. Outra mudança rápida e eu estava de pé ao lado de uma mesa. Havia pessoas sentadas ao redor da mesa e pratos cobrindo-a. Uma pessoa estava mexendo com o que pareciam ser grandes cartas brancas de baralho ao redor dos outros que estavam na mesa. Achei estranho jogar cartas em uma mesa tão coberta de pratos e fiquei me perguntando sobre o tamanho excessivo e a brancura das cartas. Outra mudança rápida e tinha acabado nas ruas da cidade, a cerca de quinhentos metros de altura, à procura do meu quarto. Vi uma torre de rádio e lembrei que o hotel ficava perto da torre. Quase que instantaneamente estava de volta em meu corpo. Sentei-me e olhei em volta. Tudo parecia normal.
Consequências importantes: Na mesma noite, visitei alguns amigos, Senhor e Senhora Agnew Bahnson, na casa deles. Eles estavam parcialmente conscientes das minhas "atividades". De repente tive um pressentimento de que o evento daquela manhã tinha a ver com eles. Perguntei sobre o filho deles. Eles chamaram o filho na sala e perguntaram o que ele estava fazendo entre as 8:30h e 9:00h da manhã. Ele disse que estava indo para a escola. Quando perguntado mais especificamente o que estava fazendo enquanto estava indo para a escola, ele disse que estava lançando sua bola de baseball no ar e capturando-a. (Embora o conhecesse bem, não tinha conhecimento de que o menino estava interessado em baseball, embora isso pudesse ser presumido). Decidi falar sobre o carregamento do carro. Mr. Bahnson ficou estupefato. Exatamente naquele momento ele me disse que estava carregando um "gerador de Van DeGraff" no banco de trás de seu carro.
O gerador era um dispositivo grande e desajeitado, com rodas, um motor elétrico e uma plataforma. Ele me mostrou o aparelho. (Era estranho ver fisicamente algo que você tivesse observado apenas a partir do segundo corpo). Disse-lhe sobre a mesa e as grandes cartas brancas. Sua esposa ficou animada com isso. Parece que pela primeira vez em dois anos, porque todos tinham acordado tarde, ela havia trazido o correio da manhã à mesa do café e tinha distribuído as cartas para eles enquanto as classificava por ordem de remetente. Grandes cartas brancas de baralho! Eles estavam muito animados com o evento e estou certo de que não iriam rir de mim.
Nesta visita matutina ao Sr. Bahnson e sua família, o tempo da visita coincidiu com os eventos reais. Alucinação, auto-sugestão, negativo! Não tinha intenção consciente da visita, embora fosse possível uma motivação inconsciente. Descrições idênticas às condições reais...
079
Robert A. Monroe
Journeys Out of the Body (1971)
... As vibrações vieram de forma rápida e fácil. Não foram de todo desconfortáveis. Quando elas estavam fortes tentei levantar para fora do físico, mas não obtive resultado. Seja qual for o pensamento ou a combinação que eu tenha tentado, permaneci confinado exatamente onde estava. Lembrei-me do truque rotativo que funciona como se você estivesse virando na cama. Comecei a girar e percebi que o meu corpo físico não estava "virando" comigo. Eu me movi lentamente e depois de um momento estava "de bruços" ou em oposição direta à colocação de meu corpo físico. No momento em que cheguei à posição de 180 graus havia um buraco. Essa é a única maneira de descrevê-lo. Para os meus sentidos parecia ser um buraco em uma parede que tinha cerca de 60 centímetros de largura e estendia-se infinitamente em todas as direções (no plano vertical).
O contorno do buraco tinha precisamente a forma do meu corpo físico. Toquei a parede e ela me pareceu lisa e rígida. As bordas do buraco eram grosseiras. (Todos esses toques foram realizados com minhas mãos "não-físicas"). Através do buraco não dava pra se ver nada além de escuridão. Não era a escuridão de um quarto escuro, mas um sentimento de distância infinita, como se eu estivesse olhando através de uma janela para o espaço distante. Senti que, se a minha visão estivesse boa o suficiente poderia provavelmente ver estrelas e planetas próximos. Minha impressão foi de um espaço profundo, externo, além do sistema solar, em uma distância incrível.
Eu me movi cautelosamente pelo buraco segurando em suas bordas. Coloquei a minha cabeça com cuidado. Nada. Nada além de escuridão. Nenhuma pessoa. Nada material. Recuei às pressas por causa da completa estranheza. Girei 180 graus de volta. Senti-me fundindo com o físico e me assentei. Era plena luz do dia, exatamente como quando eu tinha deixado alguns minutos antes. O tempo decorrido: uma hora, cinco minutos...!
080
Robert A. Monroe
Journeys Out of the Body (1971)
... Esta foi uma experiência incomum e viva. Fui para a cama tarde e muito cansado, por volta de duas da manhã. As vibrações vieram rapidamente sem indução. Decidi "fazer algo", apesar da necessidade de descanso. (Talvez este seja o descanso). Saí com facilidade. Visitei vários lugares em sequência rápida. Ao lembrar da necessidade de descanso, tentei voltar para o físico. Bastou um pensamento sobre meu corpo deitado na cama e quase imediatamente meu corpo estava deitado na cama. Logo percebi que algo estava errado. Havia uma máquina em forma de uma caixa sobre meus pés. Havia duas pessoas na sala, um homem e uma mulher vestida de branco que reconheci como enfermeira. Eles estavam conversando em voz baixa a uma curta distância da cama.
Depois de um momento os dois pararam de falar e a mulher (enfermeira) virou-se e saiu do quarto. O homem aproximou-se da cama. Fiquei com medo porque não sabia o que ele ia fazer. Ele inclinou-se sobre a cama e segurou delicadamente, mas com firmeza, cada um dos meus braços no bíceps. Olhou para mim com um brilho nos olhos. O pior de tudo: eu tentava desesperadamente me mover, mas não conseguia. Era como se cada músculo do meu corpo estivesse paralisado. Interiormente me contorcia em pânico tentando fugir quando ele trouxe seu rosto para baixo, perto de mim.
Para meu espanto total ele inclinou-se ainda mais e beijou-me em cada bochecha. Senti os bigodes. O brilho em seus olhos eram lágrimas. Ele endireitou-se e caminhou lentamente para fora do quarto.
Sabia que minha esposa não tinha me levado para o hospital. Aquele homem era um estranho e eu estava novamente em lugar muito errado. Tinha que fazer algo, mas toda vontade que pude reunir não teve qualquer efeito. Lentamente me tornei ciente de um assobio na minha cabeça. Concentrei-me no assobio e comecei a fazê-lo pulsar. Eu o fiz pulsar mais e mais rápido em freqüência. Em alguns momentos ele tinha acelerado a uma vibração de alta ordem. Tentei levantar-me e consegui fazê-lo sem problemas. Momentos depois estava convergindo para o corpo físico.
Desta vez fui cauteloso. Senti a cama. Ouvi sons familiares fora do quarto. O quarto estava escuro quando abri meus olhos. Estendi a mão para o lugar onde o interruptor de luz deveria estar e estava lá. Acendi a luz e suspirei com grande alívio. Estava de volta...
081
Stephen LaBerge
Lucid Dreaming (1985)
... Enquanto vaguei através de um corredor alto e abobadado de uma fortaleza, parei para admirar a magnífica arquitetura.
De alguma forma a contemplação destes majestosos arredores estimularam a percepção de que eu estava sonhando! À luz da minha consciência lúcida, o esplendor já impressionante do castelo pareceu uma maravilha ainda maior. Com grande entusiasmo comecei a explorar a realidade imaginária do meu "castelo no ar". Desci para o salão sentindo a dureza fria das pedras sob meus pés e ouvindo o eco dos meus passos. Apesar do fato de que fiquei perfeitamente ciente de que foi tudo um sonho, todos os elementos daquele espetáculo encantador pareciam reais!
Por mais fantástico que possa parecer, enquanto sonhava e dormia um sono profundo, também estava em plena posse de todas as faculdades da minha vida desperta: podia pensar tão claramente como sempre, lembrei-me de detalhes da minha vida em vigília e agi deliberadamente após reflexão consciente. Nada disso diminuiu a vivacidade do meu sonho. Paradoxo ou não, eu estava acordado no meu sonho!
Encontrando-me diante de duas passagens divergentes no castelo, exerci o meu livre arbítrio e escolhi a da direita. Logo cheguei a uma escada. Curioso sobre onde isso poderia me levar, desci o lance de escadas e encontrei-me perto do topo de uma enorme abóbada subterrânea. De onde eu estava, ao pé da escada, o piso da caverna inclinava-se abruptamente para baixo, desaparecendo à distância na escuridão. Várias centenas de metros abaixo podia ver o que parecia ser uma fonte rodeada de estátuas de mármore. A idéia de me banhar naquelas águas simbolicamente renovadoras tomou conta da minha imaginação. Logo continuei a descer a encosta, mas não a pé. Sempre que quero chegar a algum lugar em meus sonhos, vôo. Assim que pousei ao lado da piscina, fiquei assustado com a descoberta de que o que de cima parecia apenas uma estátua inanimada agora parecia inequívoca e ameaçadoramente vivo.
Elevando-se acima da fonte estava um gênio enorme e intimidante, o "Guardião da Primavera", como de alguma forma soube imediatamente. Todos os meus instintos gritavam: "Fuja!". Lembrei-me que aquela visão aterrorizante era apenas um sonho. Incentivado pelo pensamento deixei de lado o medo e voei. Não voei para longe, mas em linha reta até a aparição. Como sempre acontece nos meus sonhos, logo que me vi perto do gênio verifiquei que ele e eu éramos do mesmo tamanho e estava conseguindo olhá-lo nos olhos, cara a cara. Percebendo que meu medo havia criado sua aparência terrível resolvi abraçar o que estava ansioso para rejeitar. De braços e coração abertos segurei-lhe as duas mãos nas minhas. Como o sonho desvaneceu devagar, o poder do gênio parecia fluir em mim. Acordei cheio de uma energia vibrante. Senti como se estivesse pronto para o que desse e viesse...
082
Carlos Castaneda
A arte de sonhar (1993)
... Enquanto olhava uma janela em um sonho, tentando descobrir se poderia vislumbrar uma paisagem fora da sala, alguma força que parecia um vento, que senti como um zumbido nos meus ouvidos, puxou-me pela janela para o exterior. Pouco antes de me puxar, a minha atenção sonhadora tinha sido atraída por uma estrutura estranha a alguma distância. Parecia um trator. A próxima coisa que percebi é que estava de pé ao lado dele examinando-o.
Estava perfeitamente consciente de que estava sonhando. Olhei em volta para descobrir se poderia dizer de qual janela eu estivera olhando. A cena era a de uma fazenda na zona rural. Não havia construções à vista. Quis refletir sobre isso. Porém, a quantidade de máquinas agrícolas ao meu redor, como se estivessem abandonadas, atraiu toda a minha atenção. Examinei ceifadeiras, tratores, colheitadeiras de grãos, arados de disco e debulhadoras. Havia tantas que esqueci meu sonho original. O que queria era me orientar observando a paisagem ao redor. Havia algo distante que parecia um quadro de anúncios e alguns postes de telefone ao redor dele.
No instante em que concentrei minha atenção no quadro de anúncios passei a estar ao lado dele. A estrutura de aço do quadro amedrontou-me. Era ameaçador. No quadro de avisos tinha uma foto de um edifício. Li o texto. Era uma propaganda de um hotel. Tinha uma certeza peculiar de que estava em Oregon ou no norte da Califórnia.
Procurei outras características do ambiente de meu sonho. Vi montanhas muito longe e alguns morros verdes e arredondados não muito longe. Naqueles montes havia aglomerados do que achei que fossem árvores de carvalho da Califórnia. Desejei ser puxado pelas colinas verdes, mas o que me puxou foram as montanhas distantes. Fiquei convencido de que eram as Sierras.(Serra do México).
Toda a energia do meu sonho me deixou naquelas montanhas. Mas antes disso fui puxado por todos os recursos possíveis. Meu sonho deixou de ser um sonho. Até o ponto em que conseguia perceber eu estava nas "Sierras", voando sobre barrancos, pedras, árvores e cavernas. Fui das faces das escarpa para os picos das montanhas até não ter mais impulso e não mais conseguir focar minha atenção sonhadora em nada. Senti que perdia o controle. Finalmente não havia mais paisagem, apenas a escuridão...
083
Carlos Castaneda
A Arte de Sonhar (1993)
... Parecia naquele momento que todo avanço no sonho me acontecia de repente, sem aviso prévio. A presença de seres inorgânicos em meus sonhos não foi exceção. Aconteceu enquanto estava sonhando com um circo que conheci na minha infância. O cenário parecia uma cidade nas montanhas no Arizona. Comecei a observar as pessoas com a vaga esperança que sempre tinha de encontrar de novo as pessoas que tinha visto na primeira vez que Don Juan me fizera entrar na segunda atenção. Enquanto olhava senti um choque considerável de nervosismo na boca do meu estômago. Era como um soco.
O choque distraiu-me. Perdi de vista as pessoas, o circo, e a cidade nas montanhas do Arizona. No lugar estavam duas figuras de aparência estranha. Eram finas, menos de trinta centímetros de largura, porém altas, talvez com dois metros e trinta de altura. Elas estavam curvadas sobre mim como duas minhocas gigantes. Sabia que era um sonho, mas também sabia que estava vendo. Don Juan havia discutido o ato de ver em minha consciência normal e na segunda atenção. Embora fosse incapaz de experimentar por mim mesmo, achava que compreendia a idéia de perceber a energia diretamente. Nesse sonho, olhando para essas duas estranhas aparições, percebi que estava vendo a essência energética de algo inacreditável.
Fiquei muito calmo. Não me movi. A coisa mais notável para mim foi que eles não dissolveram-se nem se transformam em outra coisa. Eram seres coesos que mantinham sua forma de vela. Algo neles estava forçando algo em mim para manter a visão de sua forma. Sabia porque algo me dizia que se não me mexesse, eles também não se mexeriam.
Tudo chegou ao fim em um dado momento quando acordei assustado. Fui imediatamente envolvido por medos. Uma profunda preocupação tomou conta de mim. Não era uma preocupação psicológica, mas sim uma sensação corporal de angústia, de tristeza sem motivo aparente.
Desde então essas duas formas estranhas passaram a aparecer em cada uma das minhas sessões de sonho.
Eventualmente foi como se estivesse sonhando só para encontrá-los. Eles nunca tentaram avançar em direção a mim, nem nunca interferiram comigo de qualquer maneira. Eles ficavam ali, imóveis, diante de mim, enquanto meu sonho durasse...
084
Carlos Castaneda
A Arte de Sonhar (1993)
...Tive um sonho muito incomum. Tudo começou com o aparecimento de um batedor do mundo dos seres inorgânicos. Os batedores, bem como o emissário, tinham estado estranhamente ausentes de meus sonhos. Não tinha sentido falta nem pensava em seu desaparecimento. Estava tão à vontade sem eles que até mesmo esquecera de perguntar a Don Juan sobre sua ausência.
Nesse sonho o batedor tinha sido, a princípio, um topázio amarelo gigante, que eu tinha encontrado preso no fundo de uma gaveta. O momento em que verbalizei minha intenção de ver, o topázio transformou-se em uma bolha de energia crepitante. Temia ser obrigado a segui-lo. Afastei meu olhar para longe do batedor e concentrei-me num aquário com peixes tropicais. Verbalizei minha intenção de ver e tive uma enorme surpresa. O aquário emitia um brilho fraco e esverdeado e transformou-se num grande retrato surrealista de uma mulher cheia de jóias. O retrato também emitiu o mesmo brilho esverdeado quando verbalizei minha intenção de ver.
Enquanto eu olhava aquele brilho todo o sonho mudou. Estava andando em seguida em uma rua de uma cidade que me pareceu familiar. Parecia ser Tucson. Olhei para uma vitrina de roupas femininas em uma loja e falei em voz alta a minha intenção de ver. Instantaneamente um manequim negro que estava em posição de destaque começou a brilhar. Olhei em seguida para uma vendedora que veio naquele momento reorganizar a vitrina. Ela olhou para mim. Depois de verbalizar minha intenção, vi a mulher brilhar. Foi algo tão estupendo que tive medo que algum detalhe em seu brilho esplendoroso pudesse me prender, mas a mulher entrou na loja antes que tivesse tempo de concentrar toda minha atenção sobre ela. Certamente pretendia segui-la. Minha atenção sonhadora foi atraída por um brilho em movimento. Ele veio em minha direção cheio de ódio. Havia desprezo e depravação naquilo. Pulei para trás. O brilho interrompeu seu ataque. Uma substância negra me engoliu. Acordei.
As imagens eram tão nítidas que acreditei firmemente que tinha visto energia...
085
Robert Bruce
Dynamics Astral (1999)
... Acordei por volta das duas da manhã deitado de costas com o meu corpo todo vibrando. Podia sentir-me prestes a me projetar de forma espontânea. Meus braços e pernas já estavam começando a flutuar para fora. Não queria me projetar. Estava cansado e tinha tido um dia agitado. Só queria voltar a dormir. Estava tendo um sonho muito interessante e queria voltar para ele se pudesse. Senti-me pesado e lento, mas consegui rolar para o meu lado esquerdo. As vibrações foram interrompidas imediatamente e o sentimento de um pesado afundamento logo desapareceu. Feliz aconcheguei-me e relaxei de volta em mim mesmo, concentrando-me na paisagem do sonho que tinha acabado de abandonar. O nome que tinha dado a ele era: "Vantagem". Esperava que isso me levasse de volta para ele, já que muitas vezes este truque funcionava.
Depois de apenas alguns segundos apareci diretamente no sonho do qual tinha anteriormente saído. A transição foi de tirar o fôlego. Houve uma continuação cheia de consciência desperta. Não adormeci e depois acordei dentro do sonho. Fui projetado diretamente para ele a partir do estado pleno de vigília. De repente apareci em uma movimentada e iluminada loja de departamentos, exatamente como tinha sonhado anteriormente.
Na minha frente uma mulher de cabelos escuros estava montando uma sala de jantar numa vitrina. Vi pessoas em todos os lugares, comprando, servindo, arrumando prateleiras e etc. Tudo o que via e sentia parecia muito real, estável e sólido. Foi alucinante! Pulei para cima e para baixo algumas vezes para sentir o peso do meu corpo. Belisquei-me. Ouch! Doeu como doeria na vida real. Senti meu corpo com o peso normal. Estava completamente vestido e podia até mesmo sentir a textura das minhas meias quando mexia os dedos dos pés dentro dos sapatos.
Olhei para minhas mãos. Elas pareciam normais e não se derreteram. Tentei criar uma maçã na mão, mas nada aconteceu. O mundo de sonhos onde eu estava não vacilou nem um pouco. Curioso, pensei. Em um sonho lúcido normal o ambiente pode ser alterado e tudo pode ser criado a partir da imaginação. Independentemente disso estava plenamente consciente de que estava sonhando.
Caminhei até a jovem e perguntei o que ela estava fazendo. Ela me disse que eles estavam se preparando para o grande dia, o que quer que aquilo fosse. Peguei um grande vaso de flores da mesa que estava no meio dos móveis. A porcelana chinesa parecia real e as flores cheiravam como flores reais. Arranquei uma pétala de rosa e comi. Tinha um gosto seco, perfumado e levemente amargo, como deve ser o gosto de uma pétala de rosa, mas o sabor não se demorou na minha boca como aconteceria normalmente. Virei o vaso e espirrei um pouco de água na minha mão. Senti frieza e umidade, assim como acontece com a água real.
Eu me preparei esperando que estivesse dentro de um sonho lúcido, como acreditava estar. Puxei com rapidez a toalha de linho da mesa principal. Quase funcionou, mas o vaso e um par de pratos caíram no chão e quebraram ruidosamente. Algumas pessoas olharam, mas ninguém parecia se importar com o que havia sido quebrado, nem mesmo a assistente da loja cujo trabalho tinha acabado de arruinar. Ela passou a desembalar e organizar as coisas como se nada tivesse acontecido.
Mais confiante agora caminhei por um corredor e empurrei vários pedaços grandes de cerâmica da prateleira de cima, uma de cada vez. Olhei em volta para ver se alguém tinha notado. Isto fez produzir sons muito altos e fez voar pedaços quebrados em todas as direções. Algumas pessoas olharam, mas ninguém parecia se importar. Tranquilizado por isso fui até os caixas e saltei em cima de um dos bancos. Algumas pessoas olharam para mim, mas ninguém parecia se importar e ninguém disse nada.
Escorreguei de volta para meu corpo e fiquei pensando: "Uau! Isso foi incrível... tão real!". Lutei para controlar minha emoção, me recompor e tentar voltar para o sonho. Isso estava ficando muito interessante. Eu me concentrei na loja e em seu nome e tentei retornar a ela, mas sem sucesso. As vibrações começaram novamente e senti-me começando a projetar. Desta vez o reflexo da projeção me pegou e me colocou para fora do meu corpo. Fui parar ao pé da minha cama. A casa estava escura e silenciosa. Eu flutuava ao redor do meu quarto decidindo o que fazer. Dei uma rápida olhada em minhas mãos. Elas pareciam estranhamente alongadas e começaram a derreter.
Não querendo continuar a experiência fora do corpo, mergulhei de volta para meu corpo e abri meus olhos. Fiquei ali por um momento. Fechei os olhos e tentei voltar para o sonho. As vibrações começaram de novo e uma nova onda de um pesado afundamento veio sobre mim e comecei a projetar novamente. Lutei para sair e rolei para o meu lado direito. Os sintomas de projeção pararam, mas não pude voltar para meu sonho. Rolei para o meu lado esquerdo e novamente me ajustei em mim mesmo. Senti-me muito melhor nesta posição. Mantendo a imagem e o nome do ambiente do sonho em mente mais uma vez, logo me encontrei lá.
Reapareci na loja onde tinha estado durante a minha última visita alguns minutos atrás. A mesma assistente de loja estava ocupada arrumando a mesma vitrina. O vaso que eu tinha quebrado estava inteiro e de volta na mesa onde estava anteriormente. Andei pela loja procurando por sinais de danos da minha visita anterior. Tudo o que eu tinha quebrado antes estava inteiro e de volta nas prateleiras. Era como se nada tivesse acontecido. Isto foi incrível! Não importava o que tivesse feito, o cenário se repararia por si só.
Deslizei de volta para meu corpo de novo e rolei sobre minhas costas tentando fazer com que retornasse para meu sonho. Acho que a minha emoção tinha interrompido. Reiniciaram as vibrações. Rolei para o meu lado esquerdo novamente. Estava pegando o jeito. Percebi que projetar-me para um sonho era muito mais fácil quando realizado a partir do meu lado esquerdo. Mantendo novamente a imagem e o nome da loja em minha mente, coloquei-me de volta na loja. Tudo estava normal e estava de volta onde tinha originalmente iniciado, com a mesma jovem ocupada com a criação de sua vitrina. Ela olhou para cima e sorriu quando acenei e continuou feliz realizando seu trabalho. Decidi explorar um pouco antes que algo mais acontecesse. Caminhei para fora do balcão de atendimento no shopping. Andei por algum tempo explorando o enorme shopping. Havia um bom número de pessoas ao redor.
Todos pareciam muito ocupados com as compras ou preocupados com o que eles estivessem fazendo. Nota: todas as crianças que vi estavam muito tranquilas e bem comportadas, andando educadamente como pequenos robôs ao lado de suas mães.
Havia uma suave música de fundo tocada por num órgão e um ruído habitual de pessoas agitadas. Algumas pessoas estavam falando ao telefone aqui e ali, mas ninguém parecia estar conversando ou falando uns com os outros. As pessoas respondiam quando questionadas, mas suas respostas eram desinteressantes e não foram muito úteis. Parecia impossível iniciar uma conversa que não envolvesse a tarefa que a pessoa estava realizando no momento.
Todos pareciam ser desprovidos de personalidade, como personagens de fundo em um filme. Superficialmente este ambiente de sonho era incrivelmente real, talvez demasiadamente real, mas abaixo da superfície faltava alguma coisa.
Parecia ser a vida real, mas não era o mesmo tipo de vida real com a qual estava familiarizado.
Tinha decidido procurar uma maneira de sair do shopping e fazer algumas explorações diferentes quando, de repente, me senti fraco e pesado. Minha força começou a diminuir e senti como se estivesse me movendo em câmera lenta. Minhas pernas flutuavam lentamente para cima. Caí muito lentamente no chão e permaneci lá, fraco e paralisado.
Pessoas passaram por cima e em volta de mim enquanto estava lá, mas ninguém prestou atenção em mim. Senti-me como um balão de criança flutuando sobre no chão. Estava fraco e pesado e já não podia sentir o peso normal do meu corpo, nem mais podia sentir o chão debaixo de mim.
Deslizei novamente de volta para meu corpo, desta vez bem desperto. Deitei de costas e fiquei ali ponderando sobre o significado daquelas experiências. As vibrações não aconteceram desta vez, provavelmente porque agora eu estava muito desperto. Ficou óbvio para mim que minha posição de repouso tinha afetando os diferentes tipos de experiências que tive. Estava muito animado e bem acordado para fazer qualquer tipo de exploração, ainda mais com esse fenômeno. Desisti. Peguei uma bebida e registrei esta experiência em meu diário...