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Ciclos mais curtos de mudanças
As mentes mais brilhantes do passado e do presente também constataram o aumento de velocidade nas mudanças e nos alertam sobre como podemos tirar proveito delas. Nesta seção, vamos explorar como os ciclos de mudanças vêm sendo analisados e as origens de um termo muito badalado atualmente: a inovação disruptiva .
O economista austríaco Joseph Schumpeter, que viveu entre 1883 e 1950, foi, entre outras coisas, professor da Universidade Harvard e é considerado o maior economista do século XX, chamado por Thomas K. McCraw de “profeta da inovação”. Schumpeter afirmava que o capitalismo é um sistema dinâmico que impulsiona as mudanças inovadoras de forma inesperada e não linear. Afirmou, ainda, que a economia vive ciclos que são quebrados por uma destruição criativa , e o agente disso tudo é o empreendedor. Ele definiu a destruição criativa como o motor do capitalismo, já que as tecnologias surgem como ondas que trazem o aumento da produtividade e o empreendedor que detém uma nova tecnologia torna seu produto mais competitivo em relação ao concorrente.
As novas tecnologias que surgem como ondas de destruição criativa foram chamadas mais tarde de Ondas de Schumpeter , e estão divididas em cinco fases que descrevem a velocidade das modificações no tempo e a falta de linearidade em que acontecem.
Podemos observar que a sua primeira onda, no século XVIII, mostrava como as modificações da energia hidráulica, da indústria têxtil e da transformação do aço aconteceram em ciclos longos, que duraram de quarenta a sessenta anos, e como estes ciclos ficaram cada vez mais curtos, como o da última onda, a das redes digitais, softwares e novas mídias, que tem um período previsto de duração máxima de trinta anos.
Ondas de Schumpeter - Ciclos cada vez mais curtos
Anos mais tarde, já em 1995, o professor Harvard Clayton Christensen cunhou o termo inovação disruptiva ( disruptive innovation ) que foi baseado na teoria do desenvolvimento econômico de Schumpeter, principalmente na expressão “destruição criativa”.
Outro gênio a observar ciclos de mudanças mais curtos foi Raymond Kurzweil, que identificou um ciclo de oito mil anos desde a revolução agrícola até a revolução industrial, contra um de apenas nove anos entre a criação da World Wide Web (www) por Tim Berners-Lee e o sequenciamento do genoma humano.
Na telefonia também conseguimos ver um ciclo se encurtando. A telefonia fixa levou 125 anos para atingir o número de um bilhão de usuários, já os celulares tradicionais conseguiriam isso após apenas onze anos. O mais impressionante é que os smartphones só precisaram de cinco anos para atingir um bilhão de usuários, que hoje já passam de seis bilhões em todo o mundo. Hoje, o que mais se escuta em congressos e feiras de tecnologia é que os ciclos de mudança se darão a cada três anos.
A mensagem principal que queremos passar aqui é que não importa o tamanho do ciclo da mudança, ela irá acontecer e não há nada que se possa fazer para frear a evolução tecnológica. Mesmo que tentem criar mecanismos protecionistas, que tenham como pano de fundo discursos sobre os efeitos maléficos que a tecnologia pode trazer, como a eliminação de postos de trabalho, a evolução acontecerá. Como Schumpeter mostrou em sua teoria, a destruição criativa que elimina o ciclo virtuoso passado, cria um novo ciclo, e o que temos que fazer é nos adaptarmos rapidamente para surfar a nova onda e usufruir do que ela traz de melhor.
Ciclos cada vez mais curtos na evolução tecnológica