Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Glauter Jannuzzi e Ricardo Abreu · Capítulo 78 de 106

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Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Espírito Empreendedor

PARTE III

 

Por que esperar

Se podemos começar

Tudo de novo?

Agora mesmo

A humanidade é desumana

Mas ainda temos chance

O sol nasce pra todos

Só não sabe quem não quer

.:.

Até bem pouco tempo atrás

Poderíamos mudar o mundo

Quem roubou nossa coragem?

 

(Quando o Sol Bater Na Janela do Teu Quarto , Legião Urbana,

Dado Villa-Lobos / Renato Russo)

 

CAPÍTULO 11:

VALUATION: QUANTO VALE A

SUA EMPRESA?

When they get what they want, and they never want it again

And they get what they want, and they never want it again

Go on, take everything, take everything

 

( Violet – Hole Courtney Love)

 

Uma dúvida constante presente na cabeça de empreendedores que possuem uma startup é sobre o potencial que a empresa tem e qual seria seu valor de mercado. Neste capítulo, vamos tentar desmistificar um pouco esse tema e esclarecer do que se trata um startup valuation , que é uma das técnicas que existem para avaliar o “preço justo” de uma empresa.

 

Para entrar de cabeça nesse tema um tanto complexo, você vai precisar usar bastante o lado esquerdo do cérebro. Sim, o lado esquerdo de nosso cérebro é o racional, o analítico, o lógico e objetivo. O lado que se preocupa com a ordem, com a sequência, o lado que olha cada parte de um problema.

Porém, como veremos a seguir, usar apenas o lado esquerdo do cérebro não será suficiente para avaliar quanto vale uma startup . Você também vai precisar fazer uso do lado direito do seu cérebro. Afinal, ele é o intuitivo, arbitrário e subjetivo. O lado holístico, sintetizador, que olha para o todo e não para as partes.

 

 

Você pode questionar se não há uma certa incoerência nos parágrafos anteriores. A resposta imediata e direta é: não, não há. Vamos começar com um exemplo, infelizmente, bem conhecido por todos aqui em nosso país.

 

Em outubro de 2013, centenas de reportagens foram feitas em jornais e revistas de grande circulação no Brasil e no mundo sobre o declínio avassalador do Grupo X, liderado por Eike Batista. A capa da revista Bloomberg Businessweek da semana de 3 de outubro de 2013 estampava a seguinte manchete sobre a foto de Eike: “How to lose a $34.5 billion fortune in one year”, ou “Como perder uma fortuna de US$ 34,5 bilhões em um ano”.

 

Na quarta-feira, 30 de outubro de 2013, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava o fechamento do seu pregão com as ações da OGX valendo R$ 0,17. Este valor era 99,26% menor que o topo histórico atingido pelo papel em 2010, quando chegou a valer R$ 23,28.

 

Não queremos, neste livro, entrar a fundo no mérito da questão sobre a ascensão e a queda do Grupo X ou de seu dono, mas, tomando o exemplo da petrolífera OGX como referência de avaliação de valor, podemos refletir sobre o que houve de errado.

 

Ora, ficou claro que houve uma supervalorização da OGX por parte do mercado enquanto ela ainda era apenas uma empresa no papel, ou seja, não estava produzindo, neste caso, petróleo e nem gerando lucro ainda. O que havia eram projeções otimistas demais de produção de barris de petróleo que seriam gerados diariamente em poços e campos pertencentes a OGX. Os planos muito ambiciosos falavam da expectativa de produzir algo em torno de 1,05 bilhão de barris de petróleo por ano, ou 2,89 milhões de barris por dia, sem incluir nessa conta a produção de gás natural. O fato é que a ambição da companhia sugeria que, em onze anos, ela superaria a PETROBRAS com sua história de mais de cinquenta anos.