Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Glauter Jannuzzi e Ricardo Abreu · Capítulo 32 de 106

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Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Usar algoritmos poderosos

Outro crowdsourcing de serviço que está ganhando terreno é o crowdtesting, a realização de teste de software por testadores que estão cadastrados em plataformas famosas como a Applause e a CrowdTest, sendo remunerados por cada erro encontrado.

 

Existem outras formas de crowdsourcing, mas nos concentramos nessas para mostrar que empresas com crescimento exponencial utilizam recursos também exponenciais para economizar em custos, ganhar velocidade e aumentar a qualidade do que fornecem.

 

USAR ALGORITMOS PODEROSOS

 

Há algum tempo, estávamos observando o ineficiente processo de fazer compras no supermercado: o cliente tira o produto da prateleira, coloca no carrinho, tira do carrinho, coloca no balcão para pagar, tira do balcão, coloca no carrinho de novo e depois no porta-malas do carro. Vai para casa, tira do porta-malas e coloca no carrinho, depois tira do carrinho e coloca na dispensa. Ficou cansado de ler essa descrição? Isso se deve ao fato de que o processo é chato, cansativo e repetitivo.

 

Para resolver essa questão, pensamos em eliminar algumas partes do processo e utilizar um carrinho com sensor e uma máquina de cartão de crédito acoplada. Tínhamos diversos problemas que não conseguíamos resolver, mas a Amazon resolveu todos os problemas mostrando como realmente se pensa em inovação lançando o Amazon Go.

O supermercado pensado pela Amazon elimina as filas dos caixas

 

 

Esse supermercado do futuro irá eliminar toda a burocracia e ineficiência no processo de escolher um produto, pagar por ele e levá-lo para casa. Basta mostrar o aplicativo do Amazon Go no seu smartphone a um sensor, escolher o produto, colocá-lo na sacola e pronto. Simples, não?

 

Sim, é muito simples, porém, o que está por trás disso tudo é que não é tão simples assim. São utilizados diversos sensores, algoritmos de machine learning que fazem a função de “ensinar” à máquina como ela deverá proceder na próxima vez que alguém escolher aquele mesmo produto. Além disso, temos a extraordinária visão computacional, que é composta por câmeras que conseguem identificar ações a partir de imagens e, assim, quando você retira um refrigerante da prateleira e o coloca na sacola, o sensor identifica que o produto foi retirado. A visão computacional identifica o comprador e os algoritmos entendem que ele comprou o produto, assim debitam de sua conta. Mas o que acontece se você pegou um produto e não o quiser mais? A resposta é simples, basta colocá-lo de volta na prateleira que todo o sistema irá reconhecer a devolução e liberar o item da sua conta.

 

Outro caso interessante de utilização de algoritmos vem de um grupo de pesquisadores do Xerox Research Center na Índia, que demonstraram como computadores utilizando machine learning conseguiram distinguir o que acontecia em um jogo de Cricket, e os eventos foram transformados em comentários de texto. Eles executaram essa façanha plugando computadores no canal Indian Premier League no YouTube e, após centenas de horas analisando os vídeos, conseguiram gerar os comentários em texto. O próximo passo é vocalizar os textos para que, num futuro não tão distante, possamos ter os computadores não só narrando jogos de Cricket, mas de futebol e demais esportes também.

 

Em 2016, aqui no Brasil, o ZAP Imóveis junto com o DataZAP 46 , disponibilizou um serviço chamado Quanto vale?. Com essa nova funcionalidade, o maior portal de classificados de imóveis do país, permite que seus clientes avaliem o preço de mercado de seus imóveis de forma automatizada. E, por trás dessa nova solução, está um algoritmo que faz uso intensivo de big data e machine learning , em que há uma massiva análise de dados e, a partir de informações como o lado da rua que é mais valorizado, se há uma escola ou um hospital próximo a seu imóvel, valor dos últimos negócios fechados e tendência de crescimento ou redução do metro quadrado em sua região, o algoritmo entrega uma estimativa precisa de avaliação do imóvel analisado.

 

Vamos voltar ao caso do Google. Ele começou como mais um site de busca na internet, e tinha pela frente dois grandes concorrentes, Yahoo e AltaVista, os mais utilizados até então. Para poder entrar nesse mercado, o Google precisava ter uma carta na manga, e tinha: o algoritmo disruptivo PageRank. Você se lembra que comentamos no Capítulo 2 o fato de o PageRank medir a importância de uma página contabilizando a quantidade de links que apontam para ela? Essa foi a forma mais humanizada de contabilizar a relevância dos resultados de busca. Com isso, o Google “destruiu” os outros sites de busca, no melhor estilo estratégia do oceano