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Confiar na multidão
Lei da Bandeira Vermelha.
Fonte: Public Record Office Victoria –VPRS 12903/P1, item Box 673/20
Essa lei protecionista defendia os empresários do setor de transporte da época, que eram os veículos puxados a cavalo, e pouco se importava com o bem-estar da população. Mas a lei foi derrubada em 1896 e, como a história mostrou, hoje existem bilhões de carros pelo mundo todo e que fazem uso cada vez mais de componentes tecnológicos. Já podemos ver que, em um futuro próximo, teremos carros autônomos, que vieram para ficar. É inútil pensar que leis protecionistas irão barrar a evolução tecnológica. O melhor a fazer é entendê-las e adaptar-se a elas, o mais rápido possível.
CONFIAR NA MULTIDÃO
Descumprindo a promessa feita no início deste capítulo, de não usar frases saturadas, ai vai mais uma: “ O Facebook é a maior empresa de mídia do mundo e não produz nenhum conteúdo”. Essa mesma frase com pequenas mudanças também serviria para YouTube, Waze ou Wikipedia. Mas quem alimenta essas plataformas com o conteúdo? Se você respondeu “todos nós” está quase lá, porque a resposta mais correta seria a multidão e as comunidades. E é claro que nós pertencemos a essa multidão dentro de uma comunidade. Se você tem uma conta ativa no Facebook, pertence a essa comunidade, que contribui para a geração de conteúdo. Além disso, você faz isso voluntariamente.
Esse tipo de atividade foi descrita por Jeff Howe e Mark Robin, ambos editores da revista Wired , como crowdsoursing . O que Jeff e Mark perceberam foi que havia algumas empresas fazendo outsourcing (terceirização) das suas atividades para um grupo de pessoas na internet. A prática de outsourcing de alguma atividade ou mesmo de setores inteiros de empresas é uma prática conhecida e difundida que visa basicamente a diminuição de custo. Ela é feita graças à contratação da mão de obra direta ou por meio de uma empresa. O que os editores da Wired observaram é que isso estava sendo feito com o lançamento da atividade na internet para um grande número de pessoas desconhecidas. Dessa forma, juntaram as palavras crowd (multidão) mais outsourcing e cunharam o termo crowdsourcing .
A forma de crowdsourcing observada por Jeff e Mark surge devido à alta concorrência que as empresas sofrem, gerando a necessidade de inovação rápida e com qualidade. Para atender esse mercado, que demanda muita novidade, é preciso ter uma equipe de especialistas que estejam sempre atualizados dentro da sua empresa. Isso gera um custo muito alto. Outra questão a ser pontuada é que as mentes mais inteligentes do mundo podem não trabalhar para você, essas pessoas geralmente estão trabalhando para as gigantes de tecnologia, outras indústrias ou simplesmente são autônomos. Logo, por que não aproveitar todas essas pessoas para trabalharem para você e a um preço justo, sem ociosidade? Essa é a forma tradicional de crowdsourcing conhecida como crowdsourcing de serviço.
Dentro de um serviço tradicional, existe a tarefa que precisa ser executada, uma equipe interna de especialistas que irá executar aquela tarefa e, por fim, a tarefa concluída.
Serviço tradicional de execução de tarefas dentro de uma empresa
No crowdsourcing de serviço a coisa funciona um pouco diferente. Também existe uma tarefa que precisa ser executada, mas as semelhanças param por aí. Como já falamos, não existe uma equipe, e sim uma multidão. Mas onde estão essas pessoas? Estão cadastradas em uma plataforma de crowdsourcing que tem a função de conectar profissionais freelancers de diversas áreas a clientes que definiram uma tarefa e estão em busca de executores para ela. Após a tarefa ser definida, são cadastradas na plataforma juntamente com as regras de aceitação. Os profissionais que escolherem trabalhar nessa tarefa irão executar o serviço e enviar para um moderador, que pode ser o próprio cliente. Se a tarefa cumprir os requisitos, o executor recebe o prêmio pela tarefa finalizada.
Tarefa executada através de uma plataforma de crowdsourcing
Como mencionamos no Capitulo 2, em 2006, a Netflix queria aprimorar seu algoritmo de recomendação de filmes e, em vez de recorrer a sua força de trabalho interna, abriu um crowdsourcing com uma tarefa especifica: melhorar em 10% a qualidade das indicações de locação de filmes de acordo com o gosto do cliente. Após mais de quarenta mil submissões, o vencedor recebeu US$ 1 milhão como prêmio.
O Facebook utiliza, na maior parte do tempo, o crowdsourcing de conteúdo. Quando, por exemplo, precisou traduzir seu site, utilizou o crowdsourcing de serviço. Mas usou, em forma de um jogo, no qual as pessoas tinham que traduzir as palavras em inglês para o seu idioma local. Dessa forma, o Facebook conseguiu traduzir seu site inteiro, para diversos idiomas, em poucos dias e de graça. Não é demais?