Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora
Não comprar, pegar emprestado
UBER “Transporte tão confortável com água corrente, em todo lugar e para todos”.
GO PRO “Ajudar as pessoas a capturar suas experiências mais significativas”.
FACEBOOK “Dar às pessoas o poder de compartilhar e tornar o mundo mais aberto e conectado”.
NETFLIX “Oferecer o melhor serviço global de distribuição de entretenimento”.
WAZE “Contribuir para o ‘bem comum’ nas rodovias do mundo, mostrando a todas as pessoas rotas que jamais saberiam”.
GIGWALK “Reinventar o trabalho em um mundo móvel. ”
INSTAGRAM “Capturar e compartilhar os momentos do mundo”.
Uma empresa com potencial de crescer exponencialmente pensa assim, e é dessa forma que precisamos aprender a pensar para conquistar outros patamares mais altos. Por isso, a seguir iremos descrever os principais pontos que estão por trás desse pensamento tão ambicioso.
NÃO COMPRAR, PEGAR EMPRESTADO
Imagine ter que iniciar um negócio com pouco capital e ter que investir milhões, por exemplo, em sensores em diversas rodovias de um país. Para a maioria das empresas, isso seria impossível, e não era diferente para o Waze. Colocar sensor nas estradas para captar informação do trânsito não era viável para uma pequena startup israelense em 2008.
Para resolver essa questão, o Waze decidiu que não compraria sensores, mas sim que os “pegaria emprestado”. Sim, emprestados dos diversos usuários de smartphone com o sistema de GPS embutido pelo fabricante do aparelho, e que para o Waze saiu de graça. O seu aplicativo instalado em cada celular, transforma o aparelho em um dispositivo de captação de dados que é possível ser escalado sem precisar investir nenhum centavo. E, quando esses aparelhos se tornam obsoletos, o custo de substituição para o Waze é nulo, pois o dono do smartphone irá fazer isso por conta própria e com o maior prazer.
Isso é o que Salim Ismail chamou de ativos alavancados , ou seja, quando você alavanca (toma emprestado) um ativo, que pode ser um celular, como no caso do Waze, um carro para o Uber ou um quarto vago na sua casa no caso do Airbnb. Aliás, para o Airbnb crescer, por exemplo, mais um milhão de quartos, ele não precisa comprar um terreno, aprovar o projeto na prefeitura, contratar uma empresa para construir um hotel, divulgar e esperar os clientes aparecerem, como fazem as redes tradicionais. O Airbnb precisa somente que pessoas comuns, como nós, tenham um quatro que queriam alugar por alguns dias. Depois disso é só cadastrar o quarto no Airbnb, descrever as regras de utilização e pronto. Locador e locatário podem se encontrar através da plataforma e o Airbnb agradece!
Esse pensamento disruptivo torna as empresas exponenciais altamente competitivas, levando seus concorrentes ao desespero. Afinal, sem o custo que os ativos geram, as empresas podem investir em mais treinamento de pessoal, na contratação de melhores profissionais, inclusive com melhores salários, e investir na melhoria da experiência do cliente. No caso do Airbnb, a experiência do cliente é transmitida com a mensagem de que a nova experiência de viagem não é aquela antiga de turista, e sim de imersão na cultura de um novo país.
Por esses motivos é que, em cidades como Nova Iorque, as redes hoteleiras estão entrando na justiça para impedir que quartos no Airbnb sejam alugados por um período curto, pois os hotéis têm um alto custo fixo e não conseguem concorrer com esse modelo de negócios. Da mesma forma, existem diversas propostas no Brasil e no mundo contra a operação do Uber.
Mas esse tipo de ação não é o que vai salvar os hotéis ou as cooperativas de taxi, pois é impossível parar o avanço da tecnologia e da nova forma de se fazer negócio que o mundo está direcionado. Ações protecionistas são coisas arcaicas, algo muito empoeirado dos séculos passados.
Isso nos remete a Inglaterra do século XIX, mais precisamente em 1878, quando foi promulgada a Red Flag Law (Lei da Bandeira Vermelha), que dizia que à frente de cada carro deveria caminhar uma pessoa com uma bandeira vermelha para anunciar que este estava chegando. Outro item da lei era que o carro só poderia trafegar a uma velocidade máxima de 6,4 km/h, ou seja, charretes e carruagens puxadas à cavalos eram muito mais rápidas que os carros.