Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Glauter Jannuzzi e Ricardo Abreu · Capítulo 69 de 106

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Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Capítulo 10: desenvolvimento e metodologias ágeis

Finalmente, trouxemos uma pequena amostra do que está por trás da estratégia do oceano azul, proposta por Chan Kim e Renée Mauborgne no livro Blue Ocean Strategy, How to Create Uncontested Market Space and Make the Competition Irrelevant – obra cuja leitura completa achamos imprescindível, para que você possa conhecer muitas outras técnicas e ferramentas propostas e obtenha novos insights para a criação de novos mercados para sua startup atingir.

 

CAPÍTULO 10:

 

DESENVOLVIMENTO E

METODOLOGIAS ÁGEIS

Eu vejo o futuro repetir o passado

Eu vejo um museu de grandes novidades

O tempo não para

Não para, não, não para

 

( O Tempo Não Para - Cazuza,

Arnaldo Brandão, Cazuza)

 

Até bem pouco tempo atrás, pessoas que trabalhavam com tecnologia eram da área de Informática, o poder computacional era bastante limitado (não para a época) quando se compara a tudo que um computador ou mesmo um smartphone pode fazer hoje. Com a evolução da tecnologia e, sobretudo, o advento da internet, computadores foram ganhando em capacidade de processamento, de armazenamento e de comunicação.

 

No momento em que os computadores conseguiram fazer com que os antigos aparelhos de fax se tornassem obsoletos e desnecessários, pois, através do computador, pessoas podiam se comunicar, a área de informática perde essa denominação e se torna a área da tecnologia da informação, ou simplesmente TI.

 

Como a única constante é a mudança, e, quando se trata de tecnologia, mudança se traduz em evolução, rapidamente a área de TI absorveu a área de telecomunicações nas empresas e se tornou TIC, Tecnologia da Informação e Comunicação.

 

A cada ano que passa, a relevância e o impacto causado pela área de TI (ou TIC) nos negócios é crescente. Enquanto há trinta anos a informática era reativa e implementava alguns sistemas para controlar ou processar atividades do negócio, atualmente, a área é responsável pela transformação digital das empresas. As organizações denominadas exponenciais perceberam que todas as empresas são empresas de software e, também, que todas as empresas são empresas de dados.

 

Essa breve contextualização é necessária para que o leitor entenda que, em 2017, não há mais duas ou três funções na área de tecnologia, como as de programador, analista de sistemas e de suporte. Há, sim, dezenas de diferentes cargos e funções que refletem a evolução da TIC. Hoje, temos arquitetos de soluções em nuvem, cientistas de dados, arquitetos digitais, engenheiros de sistemas e estrategistas corporativos, só para citar alguns. A pergunta que surge é: mas quem desenvolve as aplicações?

 

Para responder, precisamos de uma análise histórica e evolutiva da área de desenvolvimento de softwares . Mas, antes disso, é importante deixar claro que, nas décadas de 1980 e 1990 a programação era completamente procedural, onde os programadores “românticos” daquela época tinham que desenvolver todo o código do zero, do início ao fim, linha por linha. Atualmente, com toda a maturidade evolutiva da última década, principalmente, cada vez mais as soluções corporativas fazem uso de serviços e componentes baseados em serviços, especialmente nos serviços em nuvem.

 

Como exemplo, imagine que há vinte anos uma empresa, para fornecer serviços de mensageria a seus funcionários ( e-mail ), deveria se preocupar em comprar equipamentos de hardware – como servidores e dispositivos de rede – e, a partir daí, contratar um provedor de internet, o suporte a esses equipamentos e, sobretudo, contratar pessoas da área de infraestrutura para manter esses hardwares ativos e operando sem problemas.

 

Hoje, simplesmente, podem contratar um único serviço, como o Office365 da Microsoft, por exemplo. É o que chamamos de software como serviço, ou SaaS ( Software as a Service ). Da mesma forma, empresas que necessitavam desenvolver e implantar um sistema de CRM para gerenciar o relacionamento com seus clientes, hoje podem contratar esse tipo de aplicação via SaaS – como exemplo podemos citar uma empresa que já nasceu como provedora de soluções em nuvem, a Salesforce, com seu Salesforce CRM.

Um leitor mais imediatista poderia deduzir que esse movimento diminuiria a relevância da área de tecnologia, ou mesmo poderia gerar a demissão de pessoas da área. O que faria então, aquele tipo de profissional que antes cuidava dos servidores de e-mail de uma empresa? Não se engane, a evolução é um fato e, apesar de algumas empresas mais míopes trocarem pessoas por soluções como serviço, as empresas de alto desempenho estão transformando os papéis de seus funcionários.

 

Seguindo nossa análise, a questão que surge agora é: o que fazer com um tipo de solução que é necessária para os negócios de uma empresa e não esteja disponível no mercado para contratação na modalidade SaaS ? A resposta é avaliar a possibilidade de contratação de uma plataforma que acelere o ciclo de desenvolvimento de softwares . Essa modalidade é chamada de PaaS ( Platform as a Service ). Sua contratação permite que uma empresa ganhe agilidade e coloque o foco no desenvolvimento, da melhor maneira possível, da solução de negócio, e não se preocupe com outras camadas mais básicas, como sistema operacional e máquinas virtuais. Todas as energias e esforços são voltados ao desenvolvimento da melhor solução.

 

Em última instância, existe, ainda, a possibilidade de contratar apenas a infraestrutura como serviço, ou IaaS ( Infrastructure as a Service ), com a qual a empresa eliminaria a preocupação e a necessidade de comprar servidores e dispositivos de rede.