Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Glauter Jannuzzi e Ricardo Abreu · Capítulo 28 de 106

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Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Capítulo 4: o que está por trás das organizações exponenciais?

Vejamos um exemplo de um brasileiro fora de série. Seu nome é Oscar Daniel Bezerra Schmidt, ou simplesmente Oscar Schmidt, que é o maior pontuador (ou cestinha) da história dos jogos olímpicos, com 1.093 pontos, e, sobretudo, o maior pontuador entre jogadores de basquete de todos os tempos, com 49.737 pontos. Oscar, apelidado de “mão santa” devido seus tiros certeiros de três pontos e arremessos incríveis, nunca aceitou bem esse apelido, uma vez que sabia do esforço em treinamento extensivo diariamente que ele fazia para se tornar um excelente arremessador. Portanto, não se tratava de ajuda divina, mas sim de muito suor, dedicação e treino. Ainda no esporte, corroborando essa tese, Bernardinho – um dos técnicos de vôlei mais vitoriosos do mundo – autor do livro Transformando suor em ouro , afirma que: “Quanto mais você sua no treino menos sangra no campo de batalha”.

 

Não dá para queimar etapas, por outro lado, também só depende de você! Este é o ponto principal aqui. Quando se trata de empreender, muitos querem a glória num prazo de tempo muito curto. A boa notícia é que todos têm essa chance, cada vez mais, graças ao poder que a tecnologia nos dá. Porém é preciso gastar horas e horas sobre uma startup para transformar uma boa ideia em um negócio realmente bem-sucedido e escalável.

 

CAPÍTULO 4:

 

O QUE ESTÁ POR TRÁS DAS

ORGANIZAÇÕES EXPONENCIAIS?

 

Eu quero dizer

agora o oposto do que eu disse antes.

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante

do que ter aquela velha opinião

formada sobre tudo

 

( Metamorfose Ambulante – Raul Seixas)

 

Nos últimos anos, o que mais escutamos no mundo da tecnologia foi “Ei, você sabia que o Uber é a maior empresa de transporte do mundo e não tem nenhum carro? ” ou “Viu que o Airbnb se tornou a maior rede hoteleira do mundo sem possuir um quarto sequer? ”. Já ouviram essas? Acreditamos que sim, pois já estão totalmente saturadas e prometemos não fazê-las neste livro. 

 

Outra questão levantada nas grandes corporações foi “Como fazemos o elefante dançar? ”. Na verdade, não sabemos se dançar resolverá o problema, mas temos certeza que é preciso ser ágil, utilizar novos conceitos, descentralizar e ganhar em escala. E isso tudo não pode ser mais feito de maneira linear, tem que ser exponencial!

Existe uma história famosa, inclusive contada de forma brilhante no livro Organizações exponenciais , de Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest, sobre o Projeto Genoma Humano (PGH), que serviu para mapear os genes do corpo humano e sequenciar o DNA que não são genes. O projeto começou em 1990 e tinha o prazo inicial de catorze anos para ser concluído. O orçamento era bilionário e contava com gênios de diversos países. Após sete anos de projeto, ou seja, metade do tempo previsto, os cientistas haviam mapeado apenas 1% do genoma. Quem está acostumado a gerenciar projetos sabe que quando isso acontece é desesperador, pois pode ser um sinal de atraso colossal no cronograma, o que levará ao estouro do orçamento e, por fim, ao fracasso do projeto.

 

 

Foi o que também pensou o cientista líder do projeto quando conversou com seus amigos mais próximos e chegou a cogitar interromper o programa. Mas Raymond Kurzweil, gênio inventor e futurista americano, um dos fundadores da Singularity University, afirmou que o projeto estava dentro do cronograma, pois se pensassem exponencialmente poderiam perceber que 1% dobrado sete vezes, ou seja, dobrando uma vez a cada ano, seria maior que 100% (2 – 4 – 8 –16 – 32 – 64 –128%). Logo, o projeto seria concluído antes do prazo. Os cientistas decidiram continuar e o projeto foi, realmente, finalizado em 2003, um ano antes do prazo e ainda dentro do custo.

 

Isso só foi possível, segundo Kurzweil, pois o padrão de duplicação

identificado na lei de Moore 45 se aplica a qualquer tecnologia da informação. Quando uma tecnologia passa a ser alimentada por um fluxo de informação, a sua relação preço-desempenho passa a dobrar a cada ano. Quando o processo de duplicação se inicia, não para mais e torna o ciclo exponencial. Esse ciclo tem seu início mais lento, pois começa com a duplicação de números pequenos e geralmente decimais, mas acelera brutalmente quando estes se tornam maiores que 1. O número 1 dobrado 25 vezes é 33.554.432, ou seja, se alguém pedir R$ 1,00 e disser que irá dobrá-lo 25 vezes para você, não pense duas vezes, aceite!