Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

Glauter Jannuzzi e Ricardo Abreu · Capítulo 3 de 106

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Espírito de Startup: Tudo ao mesmo tempo agora

A tecnologia pode mudar uma nação

A TECNOLOGIA PODE MUDAR UMA

NAÇÃO

 

O Brasil vivia, desde o início dos anos 2000 até o ano de 2015, um ciclo virtuoso de crescimento econômico, quando eclodiu uma grave crise econômica e política, considerada por muitos uma das mais graves na história recente da república brasileira. Muitas gerações que passaram, não enfrentaram uma situação como a que vivemos nesses últimos anos.

 

Os efeitos provocados pelo agravamento da crise são imediatos: mais de doze milhões de desempregados por todo o país e, entre eles, muitos profissionais altamente qualificados e capacitados. Mesmo as grandes empresas multinacionais, que continuam em seu ciclo de crescimento global, fizeram cortes em suas subsidiárias brasileiras, uma vez que o crescimento projetado teve que ser revisto devido ao cancelamento de projetos e à redução de custos em clientes do Brasil.

 

Aliada a essa conjuntura econômica, agravam-se os antigos problemas sociais do país, que continuam sem solução de curto prazo. Até bem pouco tempos atrás, creditava-se grande esperança no esporte, mais especificamente no futebol, como o grande salvador ou fator de inclusão social no Brasil. Jovens que viviam em comunidades carentes poderiam ser “salvos” de vidas criminosas ou de exclusão social pelo fato de praticarem esportes. Os grandes eventos – Copa do Mundo de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 – traziam esperança de continuidade do crescimento da economia do país, além de um legado rico em locais para práticas desportivas bem geridos pela administração público-privada. Isso não aconteceu.

 

Não é mais possível ter orgulho de ser “o país do futebol”, como já tivemos nas décadas de 1960 e 1970. Além disso, não conseguimos notar a existência de um projeto consistente para usar o esporte como mola propulsora que gere mudança efetiva no Brasil, com a inclusão social de jovens carentes e o acesso a oportunidades. Mas então qual seria a saída?

 

Acreditamos que a saída seja a economia criativa, através de inovação e tecnologia. Essa última pode, de fato, mudar uma nação, pode incluir jovens de várias idades e diferentes classes sociais. O interesse por aprender, especialmente quando há tecnologia envolvida, fascina jovens de todas as partes e culturas. A democratização da informação deveria ser umas das prioridades de nossa nação.

 

Hoje, ainda somos um país essencialmente agrícola, que exporta cerca de 150 mil toneladas de laranjas (em suco), por exemplo. Por cada tonelada de suco de laranja exportada, o Brasil recebe, em média, cerca de US$ 990. Numa analogia simplista, mas real, nota-se que exportamos uma tonelada de suco de laranja para receber em troca o equivalente a um iPhone ou a uma licença de software importado dos Estados Unidos. Se considerarmos que seja necessária uma dúzia de laranjas para produzirmos um litro de suco, chegamos à conclusão que é preciso exportar cerca de doze mil laranjas para pagar um iPhone que importamos. Como podemos mudar essa balança comercial tão desfavorável? Resposta: com tecnologia, com fomento à inovação e ao empreendedorismo. Tirando o foco apenas da economia da escassez e priorizando investimentos na economia criativa.

Só o incentivo programático à tecnologia e ao empreendedorismo podem tornar o Brasil um pouco menos dependente do setor agrícola e mais produtor de software e serviços com maior valor agregado. Nesse contexto, todos os setores da economia – indústria, serviços, terceiro setor e, inclusive, o agronegócio – podem tirar proveito da evolução tecnológica.

 

 

Vamos chamar atenção, agora, para mais um fenômeno que está ocorrendo ao mesmo tempo em todas as partes do mundo e que envolve a chegada na fase adulta das novas gerações, que trazem consigo outras formas de

pensamento e de concepção de vida. Esses jovens, da geração Y e Z 9 , falam muito mais em empreendedorismo que as gerações passadas. Aliás, esse tema consegue despertar interesse, na mesma intensidade, tanto em jovens e adolescentes quanto em pessoas com idade mais avançada, seja para ocupar o tempo, complementar a renda ou para se manterem ativos.

Trata-se da conquista do nível mais alto na pirâmide de Maslow 10 , que considera a hierarquia das necessidades humanas. Como veremos no capítulo 8.

 

A cada dia, mais jovens buscam criar oportunidades de trabalho que façam sentido para si próprio e, ao mesmo tempo, gerem impacto no mundo onde vivem. Seja para tornar sua cidade mais inteligente e saudável do ponto de vista ambiental e de convivência ou para diminuir a distância entre pessoas, tanto do ponto de vista geográfico como do social, com menos desigualdade na distribuição de renda.