Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 10 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

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Tenho uma reunião na editora. Dois homens e Savannah estão numa sala de reuniões banhada a luz branca, observando-me. Eu digo a eles sobre a minha pesquisa, sobre minhas razões para escrever a biografia, dou os números sobre a popularidade dos livros e programas de TV sobre assassinos em série, mas não adianta. São pacientes e sorridentes, mas firmes enquanto me dizem para enterrar a história por enquanto. Falam sobre meus livros anteriores com elogios, como se eu não fosse inteligente o suficiente para ver a falsidade nisso, e sobre o adiantamento financeiro para eu escrever o próximo romance. Minhas mãos estão atadas e Savvy não move um dedo para me defender.

Vou embora e, quando percebo, estou dentro de uma livraria onde compro mais coisas sobre criminologia. É mais forte do que eu. Depois vou a uma cafeteria e bebo um latte grande, enquanto leio algumas páginas.

Bardel é sempre uma presença agora. E eu não posso simplesmente esquecê-lo. Convenço-me de que devo isso às suas vítimas, mas sei que no fundo é uma desculpa furada.

Em casa, por algum motivo estranho para mim, eu me descontrolo e choro. Odeio chorar, detesto a forma como me sinto aos prantos. Mas choro. Sento-me no meu sofá e choro, e enquanto o faço tento encontrar razões para isso. Talvez seja Dale, mas eu sei que não é. Talvez esteja me sentindo sozinha. Ou as fotos na parede.

Vou dormir encolhida no sofá.