Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Estou lutando para estar aqui.
Isso é fascinante para mim.
Aqui temos Ryan Owen e Kate Dwyer e este casal improvável transformou uma suíte de hotel em um museu de Nathan Bardel.
Você, claro, se lembra da parede de Kate. Bem, injete-a com esteroides e lhe dê os colhões, o conhecimento e a experiência de vinte anos no FBI e você terá uma ideia do que eles fizeram.
Os malucos estão reunindo tudo o que Ryan tinha em seu computador e em sua casa e estão juntando pedaços da minha vida e crimes nesta suíte de hotel. Eles trabalham como formigas, sem pausas para seu sexo entediante e rosa, não param para conversar. Comem enquanto trabalham. Eles quase não falam.
Ela dorme às vezes. Ele bebe café e evita descansar o máximo que consegue. Tudo é papel, de todas as cores, texturas e tamanhos, é fotografia macabra e está me deixando num perigoso nível de euforia.
Exaustos, deitam na cama king size e escutam as entrevistas que Ryan fez comigo. Kate adora ouvir a minha voz. Sua obsessão ainda está lá. Ela fecha os olhos enquanto a escuta.
Ryan não. Ele ouve atentamente a cada palavra que digo e como eu a digo. Muitas vezes, ele franze a testa e balança a cabeça.
Eu olho para a lista que eles fizeram:
1. Candace Wilkins
2. Maria Cabelli
3. Margaret Johnson
4. Martha Smithson
5. Joy West
6. Rita Franklin
7. Mae Lynn Delgado
8. Jordana Connoy
9. Catherine Hills
10. Karen Wakefield
11. Joan Coates
12. Diane Meyer
E eu sei o que está faltando e quero que eles enxerguem. Só não sei o que posso fazer para ajudá-los. Então me lembro de um tempo atrás, daqueles dias quando falei com Kate e, em algum nível, ela me entendeu. Posso fazer de novo se quiser?
É Woods que bate na porta. Ryan abre.
Ela entra na suíte e olha ao seu redor por alguns segundos, um envelope na mão. Ela faz uma varredura rápida no quarto, sem se preocupar em esconder sua surpresa, e depois olha para Ryan. Ela está pensando que estavam certos sobre as coisas que disseram sobre ele. Ela está com um pouco de medo dele.
– Então, hmm... – Ela engole.
Ryan espera, não dando a mínima para o que ela pensa sobre o Museu dos Horrores do Bardel, do qual ele é curador.
– O que você tem?
– Estes são os relatórios do laboratório e o relatório final da autópsia. – Ela entrega os arquivos.
Ele abre e os lê, não muito empolgado.
– Em outras palavras, nada de concreto ainda. Nós, de fato, teremos que esperar que outra menina morra.
Ela não gosta de seu tom.
– Você fala como se isso fosse culpa nossa. É falta de provas, Ryan.
– O perfil geográfico, quem está trabalhando nisso?
– Estamos trabalhando. Mas... – Ela apenas balança a cabeça. – Até agora só temos dois assassinatos com apenas um pedaço de evidência para conectá-los e um perfil básico. Você sabe que não é o suficiente.
– Nada sobre a coisa do Facebook?
– Estamos assistindo às gravações da biblioteca, mas as imagens não são tão nítidas e há dezenas de homens brancos usando aqueles computadores.
– Traga tudo aqui, eu quero que Kate os veja. Talvez consiga detectar alguém que conheça.
Woods está cansada. Ela assente com a cabeça.
– Nós ainda estamos trabalhando. Seria bom se você parasse para conversar com a equipe. Eles acham que você desertou.
– Bem... Estou trabalhando.
Ela concorda com a cabeça novamente.
– Kate está com você?
Ryan hesita, mostrando um pouco de desconfiança.
– Sim.
Woods o fita.
– Você está envolvido demais com ela. Isso é muito perigoso.
– Você encontrou alguma coisa real?
– Não, nada que importe para este caso. Mas eu não acho que ela é alguém com quem você deveria estar envolvido. Eu vi o material em seu computador e li seus romances.
– E como mulher, ou como policial, você chegou à conclusão de que...?
Ela se cala. Então cerra os punhos:
– Pornografia, obsessão por Bardel, desespero por aceitação, seu comportamento e histórico escolar que indicam um possível abuso sexual, família de baixa renda, com tempo livre e oportunidade para matar... Meu Deus, a única coisa que falta para completar o perfil é ter um pênis, Ryan! O perfil elaborado por você!
– Se você não tem mais nada... – ele pressiona.
Ela enfia as mãos nos bolsos e sai sem dizer uma palavra.