Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Uma vez li que escrever um livro…
INTRODUÇÃO
Uma vez li que escrever um livro é como cozinhar: todos gostam de sal, todos gostam de açúcar, mas se você colocar sal ou açúcar demais na receita, a comida não vai ficar muito boa.
Diversas vezes, enquanto escrevia Eu vejo Kate, parei e pensei no conteúdo de violência que colocava na minha receita. Temia que fosse sal ou açúcar demais. Eu certamente poderia guardar as mutilações, estupros, mortes e sangue para o clímax apenas, e ter um livro mais elegante como resultado. Por que decidi não seguir esse caminho? É simples: este é um livro sobre assassinos em série.
Não há forma de ser realista em relação a serial killers sem sujar as mãos. Depois de mais de dez anos estudando suas histórias, seus crimes e os dados coletados e analisados sobre eles, percebi que os outros livros de ficção, os filmes e os seriados nos pouparam do que são realmente capazes de fazer e têm feito há séculos. As obras mais fantasiosas já existem e estão aí para a apreciação de todos, inclusive minha. Eu vejo Kate é diferente. É uma história com um lado emocional e uma veia sobrenatural em determinados momentos. Mas, sobretudo, é uma obra que fala de serial killers, como são e o que realmente fazem. E, nessa receita, não poupei sal, açúcar, pimenta; nem sangue. Também não escrevi um livro que “ensina” sobre serial killers. Embora os tenha pesquisado à exaustão, não acredito ter qualificação para isso. Livros muito melhores, para quem quer entender do assunto, já foram escritos. Recomendo alguns citados nesta obra.
Se você em algum momento parar a leitura e pensar: isso não é possível, ninguém iria tão longe, garanto que está enganado. Os crimes aqui retratados foram cometidos por diversas vezes na história da humanidade e neste livro não se faz qualquer tipo de apologia a eles. Pelo contrário, acredito que quanto menos mitos e glamour cercarem o assunto, mais conscientes as pessoas estarão de assassinos assim à sua volta, mais pesquisa e recursos serão injetados para capturar esses indivíduos e, consequentemente, menos vítimas existirão.
Cláudia Lemes