Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Então chegou a hora para o meu…
Então chegou a hora para o meu depoimento oficial, para a minha entrevista, para ser lançada aos lobos. Imagine minha surpresa quando entro no pequeno escritório da Delegacia de Polícia de Blessfield e vejo o lindo e amável agente Bertelli.
Tento mostrar a ele que não estou incomodada com sua presença, mas a verdade é que o meu coração está batendo mais rápido e me sinto tão ansiosa e nervosa que estou com náuseas. Ele não se parece com o babaca misógino que me entrevistou pela primeira vez e me acusou de ser uma estupradora e assassina. Ele parece sério e quase se desculpando.
Sento-me e uma policial feminina me pergunta se preciso de alguma coisa, se ela pode me pegar um café ou água. Peço água.
Quando ela fecha a porta, ele começa.
– Senhorita Dwyer, está totalmente recuperada?
– Fisicamente? Sim, agente Bertelli.
– Estou contente por ouvir isso. Por favor, sinta-se à vontade para levar o tempo que precisar e interromper o interrogatório a qualquer momento que se sentir incapaz de continuar.
Eu apenas aceno.
DECLARAÇÃO OFICIAL DE KATHERINE DWYER SOBRE OS ACONTECIMENTOS DE 23 E 24 de Setembro/2014 CONDUZIDO PELO AGENTE DOUGLAS BERTELLI EM 22/10/2014
BERTELLI: Conte-me sobre o seu rapto, senhorita Dwyer.
DWYER: A detetive Woods foi para o Holiday Inn onde eu estava hospedada com o ex-agente Ryan Owen e me entregou, sob suas ordens, DVDs com imagens da Biblioteca Pública de Blessfield, já que ele acreditava que eu poderia talvez reconhecer a pessoa que era, na época, o sujeito desconhecido. Eu o fiz, eu reconheci o meu cunhado, R-Roman Boyd, e decidi sair do hotel.
BERTELLI: Entre o momento em que o reconheceu e o momento em que deixou o hotel, quais foram as suas ações?
DWYER: Calcei um par de tênis, liguei para Ryan, mas ele não atendeu. É importante dizer que um pouco antes de ver o DVD, meu [pausa e hesitação] meu sobrinho, Morris, me telefonou e me perguntou onde eu estava e se estava com Ryan. Eu respondi que estava sozinha, e em um hotel perto da minha casa, porque eu não tinha ideia de que ele estivesse... envolvido.
BERTELLI: Então você deixou o hotel.
DWYER: Sim, eu queria ir a algum lugar público, talvez uma lanchonete, e tentar entrar em contato com Ryan ou talvez um outro oficial.
BERTELLI: E então o que aconteceu?
DWYER: Eu não tinha andado por mais de três minutos mais ou menos, quando sua van parou e ele me jogou dentro. Lutei, mas fui atingida, e fiquei inconsciente depois de um tempo. Quando acordei, já estava presa por meus pulsos e tornozelos.
BERTELLI: Quem estava na casa?
DWYER: Roman, Morris e minha irmã, Amanda.
BERTELLI: Falou com Amanda?
DWYER: Não, só ouvi os gritos dela.
BERTELLI: Alguém saiu da casa enquanto você estava lá?
DWYER: Eu não saberia dizer. Eu perdia e retomava a consciência com frequência. Eu não estava me alimentando.
BERTELLI: Alguma pessoa foi até a casa?
DWYER: Não posso dizer com certeza, mas creio que não.
BERTELLI: Você permaneceu amarrada o tempo todo ou era autorizada a levantar-se e caminhar?
DWYER: Ele me soltou, duas vezes. Acredito que queria me perseguir, me ver mais desesperada do que estava, me ver tentar escapar. É uma casa pequena. Tentei as janelas e portas, mas nada se abriu. Acredito que era à prova de som, porque eu e Amanda gritamos por horas.
BERTELLI: Você se lembra de quantas vezes sofreu agressão sexual?
DWYER: ... não. Quer dizer. Acredito que pode ter sido cinco ou seis. Talvez mais.
BERTELLI: Que informações você pode me dar sobre as feridas infligidas em você?
DWYER: Roman me bateu várias vezes quando eu estava presa, mas ele ficava mais violento quando eu estava andando pela casa. Recebi socos e chutes e fui jogada ao chão diversas vezes. Mas ele não usou nenhum objeto contra mim.
BERTELLI: Quais foram as ameaças feitas a você como pessoa?
DWYER: Só que eu teria o que merecia, que ele me machucaria e me mataria.
BERTELLI: Ameaças foram feitas contra a polícia ou outras agências da lei?
DWYER: Eu não... não me lembro de nenhuma.
BERTELLI: Ameaças foram feitas contra o governo, outras pessoas, a nação?
DWYER: Não.
BERTELLI: Você ouviu qualquer conversa de qualquer outro lugar onde Boyd ou Mitchell poderiam ter visitado ou considerado como uma casa segura ou base de operações, qualquer coisa dessa natureza?
DWYER: Não.
BERTELLI: Eles falaram de vítimas anteriores ou outros crimes não declarados?
DWYER: Não.
BERTELLI: Você pode me dizer sobre a noite em que foi encontrada pela detetive Woods e o ex-agente Owen?
DWYER: Eu estava em pé, tinha acabado de morder Morris
BERTELLI: Por favor, volte. Quando você atacou Mitchell?
DWYER: [pausa] Eu não o ataquei. Ele estava em cima de mim. Mordi sua bochecha.
BERTELLI: Claro. Peço desculpas. Ele a estava violentando e você o mordeu.
DWYER: Sim. Ele estava temporariamente ocupado com a ferida, e foi quando Roman me soltou para me seguir novamente. Eu vi Amanda e ela já estava morta.
BERTELLI: Você se lembra do horário?
DWYER: Não, eu não tenho ideia. Estava escuro lá fora, isso é tudo que eu sei.
BERTELLI: Então, o que aconteceu depois?
DWYER: Então as coisas são nebulosas em minha mente, porque houve gritaria e fui atingida. Acho que fui arrastada para o carro. Senti o movimento familiar e ouvi os ruídos do motor de um carro e foi um reflexo. Eu simplesmente me movi para a porta e tentei abri-la, eu não planejei isso, e fiquei tão surpresa que estava aberta que pulei sem olhar para onde. Não me lembro de nada além disso.
BERTELLI: Qual foi a última vez em que viu o ex-agente Ryan Owen?
DWYER: No Holiday Inn na noite em que foi atrás de Mathias Rogers e eu fui levada.
BERTELLI: Por favor, não deixe o estado, Katherine, talvez seja necessário fazer mais perguntas.
DWYER: Eu não deixaria, agente Bertelli.
BERTELLI: Há alguma coisa que você gostaria de dizer para os registros?
DWYER: Sim. Ryan sabe que você recebeu ordens de alguém para pedir a ele para não divulgar qualquer informação sobre Nathan Bardel para mim na ocasião da minha pesquisa. Ele mencionará isso no tribunal.