Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 75 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Então chegou a hora para o meu…

Então chegou a hora para o meu depoimento oficial, para a minha entrevista, para ser lançada aos lobos. Imagine minha surpresa quando entro no pequeno escritório da Delegacia de Polícia de Blessfield e vejo o lindo e amável agente Bertelli.

Tento mostrar a ele que não estou incomodada com sua presença, mas a verdade é que o meu coração está batendo mais rápido e me sinto tão ansiosa e nervosa que estou com náuseas. Ele não se parece com o babaca misógino que me entrevistou pela primeira vez e me acusou de ser uma estupradora e assassina. Ele parece sério e quase se desculpando.

Sento-me e uma policial feminina me pergunta se preciso de alguma coisa, se ela pode me pegar um café ou água. Peço água.

Quando ela fecha a porta, ele começa.

– Senhorita Dwyer, está totalmente recuperada?

– Fisicamente? Sim, agente Bertelli.

– Estou contente por ouvir isso. Por favor, sinta-se à vontade para levar o tempo que precisar e interromper o interrogatório a qualquer momento que se sentir incapaz de continuar.

Eu apenas aceno.

 

DECLARAÇÃO OFICIAL DE KATHERINE DWYER SOBRE OS ACONTECIMENTOS DE 23 E 24 de Setembro/2014 CONDUZIDO PELO AGENTE DOUGLAS BERTELLI EM 22/10/2014

 

BERTELLI: Conte-me sobre o seu rapto, senhorita Dwyer.

DWYER: A detetive Woods foi para o Holiday Inn onde eu estava hospedada com o ex-agente Ryan Owen e me entregou, sob suas ordens, DVDs com imagens da Biblioteca Pública de Blessfield, já que ele acreditava que eu poderia talvez reconhecer a pessoa que era, na época, o sujeito desconhecido. Eu o fiz, eu reconheci o meu cunhado, R-Roman Boyd, e decidi sair do hotel.

BERTELLI: Entre o momento em que o reconheceu e o momento em que deixou o hotel, quais foram as suas ações?

DWYER: Calcei um par de tênis, liguei para Ryan, mas ele não atendeu. É importante dizer que um pouco antes de ver o DVD, meu [pausa e hesitação] meu sobrinho, Morris, me telefonou e me perguntou onde eu estava e se estava com Ryan. Eu respondi que estava sozinha, e em um hotel perto da minha casa, porque eu não tinha ideia de que ele estivesse... envolvido.

BERTELLI: Então você deixou o hotel.

DWYER: Sim, eu queria ir a algum lugar público, talvez uma lanchonete, e tentar entrar em contato com Ryan ou talvez um outro oficial.

BERTELLI: E então o que aconteceu?

DWYER: Eu não tinha andado por mais de três minutos mais ou menos, quando sua van parou e ele me jogou dentro. Lutei, mas fui atingida, e fiquei inconsciente depois de um tempo. Quando acordei, já estava presa por meus pulsos e tornozelos.

BERTELLI: Quem estava na casa?

DWYER: Roman, Morris e minha irmã, Amanda.

BERTELLI: Falou com Amanda?

DWYER: Não, só ouvi os gritos dela.

BERTELLI: Alguém saiu da casa enquanto você estava lá?

DWYER: Eu não saberia dizer. Eu perdia e retomava a consciência com frequência. Eu não estava me alimentando.

BERTELLI: Alguma pessoa foi até a casa?

DWYER: Não posso dizer com certeza, mas creio que não.

BERTELLI: Você permaneceu amarrada o tempo todo ou era autorizada a levantar-se e caminhar?

DWYER: Ele me soltou, duas vezes. Acredito que queria me perseguir, me ver mais desesperada do que estava, me ver tentar escapar. É uma casa pequena. Tentei as janelas e portas, mas nada se abriu. Acredito que era à prova de som, porque eu e Amanda gritamos por horas.

BERTELLI: Você se lembra de quantas vezes sofreu agressão sexual?

DWYER: ... não. Quer dizer. Acredito que pode ter sido cinco ou seis. Talvez mais.

BERTELLI: Que informações você pode me dar sobre as feridas infligidas em você?

DWYER: Roman me bateu várias vezes quando eu estava presa, mas ele ficava mais violento quando eu estava andando pela casa. Recebi socos e chutes e fui jogada ao chão diversas vezes. Mas ele não usou nenhum objeto contra mim.

BERTELLI: Quais foram as ameaças feitas a você como pessoa?

DWYER: Só que eu teria o que merecia, que ele me machucaria e me mataria.

BERTELLI: Ameaças foram feitas contra a polícia ou outras agências da lei?

DWYER: Eu não... não me lembro de nenhuma.

BERTELLI: Ameaças foram feitas contra o governo, outras pessoas, a nação?

DWYER: Não.

BERTELLI: Você ouviu qualquer conversa de qualquer outro lugar onde Boyd ou Mitchell poderiam ter visitado ou considerado como uma casa segura ou base de operações, qualquer coisa dessa natureza?

DWYER: Não.

BERTELLI: Eles falaram de vítimas anteriores ou outros crimes não declarados?

DWYER: Não.

BERTELLI: Você pode me dizer sobre a noite em que foi encontrada pela detetive Woods e o ex-agente Owen?

DWYER: Eu estava em pé, tinha acabado de morder Morris

BERTELLI: Por favor, volte. Quando você atacou Mitchell?

DWYER: [pausa] Eu não o ataquei. Ele estava em cima de mim. Mordi sua bochecha.

BERTELLI: Claro. Peço desculpas. Ele a estava violentando e você o mordeu.

DWYER: Sim. Ele estava temporariamente ocupado com a ferida, e foi quando Roman me soltou para me seguir novamente. Eu vi Amanda e ela já estava morta.

BERTELLI: Você se lembra do horário?

DWYER: Não, eu não tenho ideia. Estava escuro lá fora, isso é tudo que eu sei.

BERTELLI: Então, o que aconteceu depois?

DWYER: Então as coisas são nebulosas em minha mente, porque houve gritaria e fui atingida. Acho que fui arrastada para o carro. Senti o movimento familiar e ouvi os ruídos do motor de um carro e foi um reflexo. Eu simplesmente me movi para a porta e tentei abri-la, eu não planejei isso, e fiquei tão surpresa que estava aberta que pulei sem olhar para onde. Não me lembro de nada além disso.

BERTELLI: Qual foi a última vez em que viu o ex-agente Ryan Owen?

DWYER: No Holiday Inn na noite em que foi atrás de Mathias Rogers e eu fui levada.

BERTELLI: Por favor, não deixe o estado, Katherine, talvez seja necessário fazer mais perguntas.

DWYER: Eu não deixaria, agente Bertelli.

BERTELLI: Há alguma coisa que você gostaria de dizer para os registros?

DWYER: Sim. Ryan sabe que você recebeu ordens de alguém para pedir a ele para não divulgar qualquer informação sobre Nathan Bardel para mim na ocasião da minha pesquisa. Ele mencionará isso no tribunal.