Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Leio as palavras que escrevi enquanto fumo um cigarro
Sua vida agora são suas fantasias, sua mente. Ele trabalha na Biblioteca Pública de Blessfield, em silêncio, rodeado por conhecimento. Enquanto empurra esses carrinhos de livros de um lado para o outro, Nathan Bardel está pensando em mulheres, de quanta dor e sofrimento esses indivíduos patéticos e fracos podem causar ao mundo. Ele está pensando, dia e noite, em feri-las. Ele vê algumas na biblioteca quando passa. Uma pode ser uma adolescente que procura um livro para terminar seu trabalho de conclusão de curso. Ela pode estar com uma amiga e elas riem. Ele acha que estão rindo dele, e as observa e as despe com olhos odiosos, pensando no quão patéticas, desagradáveis e falsas são. E ele pensa em ver o terror em seus olhos, terror infligido por ele. Elas vão temê-lo e ele terá o poder de suas vidas ou mortes em suas mãos. Ele vai fazê-las implorar por misericórdia e vai espremer a vida para fora delas. Vai deixá-las nuas e sangrentas para as suas famílias encontrarem. Ele terá tudo.
E consegue. Nathan planeja seus sequestros, tem tempo à noite para vigiá-las. Não é difícil. Blessfield é um lugar seguro e amigável. Então Nathan se aproxima delas, e, de repente, a fantasia é real.
Eu suspiro quando termino.
Quero continuar, mas meus olhos estão doloridos, minhas costas doem. Sinto náuseas hoje e, embora esteja com fome, não sinto vontade de comer.
Por alguma razão que não compreendo, digito Nathan Bardel no Google Imagens e vejo o seu rosto diante de mim, em diferentes tamanhos e cores.
E porque eu sou menininha, digito Ryan Owen no Google e recebo alguns resultados sobre Ryan. Tudo que está sendo dito sobre ele é bom, é elogio. Eu o amo.
Eu preciso sair dessa casa.
Dê uma caminhada ou vá a uma loja ou algo assim. Ele me disse para não fazer isso, mas eu sinceramente não acho que estou em perigo.
Ou estou?
Eu pulo quando o telefone toca.
Balanço a cabeça para mim mesma quando corro para atender. O telefone de Ryan tem o som agudo mais irritante que já ouvi.
– Alô?
– Ei, sou eu.
Eu sorrio.
– Oi.
– Olha, houve um assassinato, estou aqui em Blessfield.
Eu penso sobre isso.
– Já?
– Sim, já. Tudo sobre ele me incomoda, Kate. Preciso que você me fale sobre os homens que conhece aqui. Os homens com quem ainda mantém contato, amigos da escola, todo mundo.
– Bem, há muita gente. Mas eu não falo com nenhum deles há bastante tempo.
Ele não responde.
– Você acha que isso tem a ver comigo – eu finalmente verbalizo.
– Sim, eu acho que tem.
– O que vamos fazer, então?
– Com quem falou sobre Bardel e o livro que está escrevendo?
– Só o Dale e a Savannah e minha família.
Ele está quieto novamente.
– Ninguém mais?
– Não. – Busco minha mente, mas sei que não há mais ninguém.
– Conversamos mais tarde. – Ele desliga.
Por muito tempo eu pesquiso na internet por notícias do crime. Finalmente encontro uma no site do G’Day Flórida. Foi escrita por alguém chamado George Ahmad:
“Algum de nós está seguro?
Uma onda de crimes bárbaros, violentos parece estar se espalhando através de nosso estado.
Aqui estão os fatos: Em 13 de setembro uma mulher de vinte e quatro anos foi encontrada em seu apartamento simples em Miami após ser brutalmente estuprada, mutilada e estrangulada. Apenas dois dias depois, na tranquila cidade de Blessfield, que sempre fora desconhecida até os assassinatos do Esfaqueador de Damas, uma mulher de vinte, Shana Hayes, também foi descoberta na região da Floresta Angelsong, vítima de um ataque chocante. Shana, uma garçonete de bar, foi violentada e também esfaqueada. O FBI está envolvido na investigação e minha pergunta para você é: estamos lidando com outro serial killer?”
Faço uma careta para a sua maneira de escrever.
Então a náusea me agarra e me faz dar um impulso para frente. Corro para o banheiro a tempo de vomitar meu café da manhã, odiando a sensação, a forma como arranha minha garganta, o aperto do estômago. Quando acaba, fecho meus olhos e respiro por um tempo. Então lavo meu rosto, minha boca e escovo os dentes.
Isso me faz pensar. Posso estar grávida.
Não quero pensar nessa possibilidade. São coisas demais acontecendo e me pergunto se o problema irá embora se eu simplesmente ignorá-lo. Por outro lado, pode não ser nada.
Mas eu sento na tampa do vaso.
Eu não quero o bebê de Dale dentro de mim. É um pensamento nojento, mas o tenho. Sinto repulsa pela ideia de que ele tenha plantado algo em meu ventre para... não para crescer, mas para apodrecer. Desde que terminamos, tenho sido negligente com a pílula.
Por outro lado, se eu tiver o bebê de Ryan em mim...
É uma noção agradável, quente.
Eu não posso. Não estou pronta para isso. Não agora.
Eu decido ignorá-lo e me sento em frente ao computador de Ryan. Trabalho.
Escrevo por quatro horas seguidas.