Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Bardel
Eu vejo Kate.
Ela me vê.
Está amarrada à cama de sua irmã e esta é a sua segunda noite aqui.
Ela finalmente me vê.
Katherine Dwyer mal está viva e, no estado em que se encontra, ela pode me ver.
Ela entra e sai da consciência. Não beber e não comer a fizeram cair no sono frequentemente. Às vezes, quando acorda, percebe que Roman está em cima dela outra vez, mas ela não emite um som sequer. Fecha os olhos e descansa a cabeça contra o braço e fica imóvel, até que ele atinja o orgasmo, em gemidos desesperados e frenéticos para então sair dela, ir para a sala tomar cerveja e assistir a um pouco de televisão com o pau flácido para fora das calças.
Quando ela está dormindo, Morris entra, silencioso e olha para ela.
Da minha condição atual, posso ver claramente o que esse garoto é. Eu também posso ver exatamente o que Roman é. A diferença entre ambos é pungente e fatal. Mas, neste ponto da história, você realmente não precisa que eu explique, não é? Você sabe o que são. E você sabe qual dos dois é realmente perigoso.
Morris está olhando para Kate. Ela desmaiou novamente. Está fraca não apenas pela privação de alimento, mas também porque apanhou de Roman ontem à noite. Ele a soltou das amarras e a espancou por um bom tempo. Morris observou. Ela tentou correr, gritou por Amanda, que não respondeu (nós vamos chegar à Amanda daqui a pouco, espera), tentou abrir a porta e as janelas, mas Roman é mais rápido e mais forte do que ela. Ele a socou, chutou, bateu sua cabeça na parede, contra o espelho, puxou-a pelos cabelos enquanto ela gritava e gritava e (como eu disse uma vez que ela faria) tentou lutar. Quando ele acabou de descontar sua raiva, a apertou contra o sofá e a estuprou, por trás dessa vez. Ele saiu para fumar um cigarro. Kate, a essa altura, já tinha desmaiado. Foi Morris quem a arrastou para a cama, não sem dificuldade, e a amarrou novamente. O que Kate não sabe, e o que Roman não sabe, é que tudo isso excitou Morris ao ponto dele ter ejaculado em suas calças.
Amanda está no outro quarto, como tem estado há três dias.
Ela está suando, fedendo, com tanta fome que poderia comer seus próprios dedos, tão sedenta que seus lábios estão rachados, tão cansada que está enlouquecendo. Ela está sussurrando coisas para si mesma para se acalmar. Ela varia entre culpar Kate e se culpar. Quando ouviu Kate na noite passada, sentiu medo e horror por sua irmã, e chorou até que adormeceu. Ela está amarrada à pequena cama de Morris.
No sofá, Roman está acordando de um cochilo vespertino.
Ele sabe que é hora de matar, porque o sexo não é mais suficiente.
– Morris – ele grita, esfregando o rosto.
O menino está acordado há horas, desenhando na cozinha, colorindo a nudez de sua tia, desenhando feridas abertas, facas.
Ele aparece.
– Sim?
– Arrume as coisas, tudo o que falamos. Os sacos, a pá, as ferramentas.
Morris sabe o que isso significa. Isso significa que é hora da sua mãe morrer.
Isso significa que ele finalmente vai ver isso acontecer.