Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Eu quebro assim que estou no banheiro…
Eu quebro assim que estou no banheiro da delegacia. Estou sentada no vaso, fazendo xixi, e começo a chorar, porque eu sou uma idiota fraca e patética que deixou aquele filho da puta do Bertelli me afetar.
Imaginar ele e seus amigos assistindo aos vídeos, lendo minhas mensagens para Savannah em voz alta, passando por meu e-mail e fotografias pessoais de férias com Dale, rindo e simulando punhetas no ar. Eu poderia enlouquecer pensando nisso.
Faço o meu melhor para lavar minhas lágrimas na pia. Quando saio, um jovem com pinta de latino está sorrindo para mim.
– Senhorita Dwyer, venha comigo.
Eu o sigo até uma pequena sala. Ryan está lá, e ele se levanta quando eu entro. Vejo tudo estampado em seu rosto: vergonha, preocupação, seriedade. Eu gostaria de poder descontar toda a minha raiva nele, mas é impossível. Eu não tenho forças. Assim que o outro cara vai embora e a porta está fechada, Ryan me abraça.
Eu o abraço de volta e fecho os olhos. Estar nos braços de Ryan é a melhor coisa que senti durante todo o dia. Talvez toda a minha vida.
– Eu sinto muito. – É o que ele sussurra.
– Eu quero ir para casa. – É a única coisa que consigo responder.
Enquanto ele dirige, o céu é de um laranja escuro e eu estou em silêncio.
Estou profundamente consciente de que estou gestando uma criança. Nunca imaginei que gravidez seria assim. Você está carregando um pacote precioso e não esquece disso por um segundo sequer. Você começa a se mexer de forma diferente, pensa em tudo o que toca, tudo o que cheira e ingere. Você é um prisioneiro desse pacote e você o ama, mesmo sem saber exatamente o que é.
– Preciso perguntar algumas coisas – ele diz, e eu sei que odeia estar fazendo isso.
– Quero que você pegue o desgraçado. Pergunte o que quiser.
Ryan olha para mim. Então volta a concentração para a estrada.
– Como é que você tem cinco mil amigos no Facebook?
– Eu sou uma escritora.– Dou de ombros. – Não sou famosa, mas tenho fãs.
– Alguma ideia de quem é Greg Good Guy?
Balanço minha cabeça. Não me lembro do nome.
– Bem. – Ryan suspira. Ele para, obedecendo ao sinal vermelho. – Ele é amigo de Jennifer, Shana e seu.
Levo um momento para digerir isso.
Ryan fala:
– Assassinos em série precisam do máximo de contato possível com suas vítimas quando estão planejando e fantasiando. No passado faziam isso com perseguição física, que é arriscado e demorado. O Facebook é uma maneira fácil de acessar fotos, ficar atualizado sobre o que estão fazendo, saber onde estão...
– Merda.
– Sim, Kate. O quão pessoal você torna seu Facebook?
– Não muito. Posto algumas fotos, converso com alguns amigos, não compartilho nada íntimo.
– Aposto que as outras meninas compartilhavam.
– Então ele é o nosso cara? Greg Good Guy.
– Acho que sim.
Eu mastigo minhas unhas enquanto a luz fica verde, Ryan dirige. O crepúsculo está em toda parte em torno de nós.
– Seus especialistas em informática do FBI conseguem encontrá-lo? – pergunto, um pouco desesperada.
– Não sei. Vou lidar com isso amanhã.
Estamos novamente em silêncio.
Ryan pega a minha mão. Seu toque é reconfortante, calmante.
– Eu quero que você descanse – diz. – Quero que você deixe isso comigo.
Concordo com a cabeça. De repente, eu não estou com vontade de fazer isso. Eu quero que seja pego, mas não quero estar lá quando isso acontecer. Pela primeira vez na minha vida estou com medo. Realmente com medo.
– Vamos dormir num Holiday Inn – ele diz, agora. – Não posso continuar dirigindo entre cidades e não quero você sozinha na minha casa. Você ficaria bem com isso?
Concordo com a cabeça.
– Sim, estou com fome pra caralho, pare em algum lugar para a gente comer.
– Claro. – Ele beija minha mão. Eu amo Ryan com tudo que sou. Mas olho para fora da janela.
– Kate... Sei como você deve estar se sentindo. Ser julgada daquela forma por um filho da puta como ele.
– Você sabe? – A megera em mim desafia enquanto olho para as ruas de Miami.
– Sim. Fui investigado da mesma maneira, lembra?
Lembro-me do seu relatório sobre Selena Martinez.
– É diferente – a piranha mimada fala novamente. – Você é homem.
– Ela não era.
Eu engulo minhas respostas vazias.