Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 40 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

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Quando chego, Kate está encolhida no meu novo sofá, assistindo à TV. Vejo a mídia em um frenesi com os assassinatos em série, porque eles já deduziram, para picos na audiência, que é com isso que estamos lidando. Ela vira o rosto da tela e essa luz a molda em azul-claro. Kate está sorrindo para mim e eu sorrio de volta. Ela joga as cobertas para longe e me abraça.

Sinto quão frágil seu corpo é. Penso em Dale e lembro de Bardel por algum motivo. Então eu a beijo.

O beijo de Kate é combustão imediata e sinto a luxúria queimando sua pele. Quero transar com ela.

Ela ouve o meu pensamento, porque se afasta do meu beijo.

– Vamos conversar depois.

No meu quarto, eu como Kate com força. É o que ela quer. Nos agarramos um ao outro e nos mordemos, mexendo rapidamente. Ela goza primeiro, como de costume, e em seguida começa a sua conversa suja para me excitar e eu gozo também. Tento abraçá-la assim que acaba, mas ela foge e fecha a porta do banheiro. Isso dispara um alarme em mim, e me pergunto o que poderia ter feito de errado. Mas quando ela volta, está sorrindo.

Nós nos beijamos e agora é suave, gentil e feliz. Ela me abraça, aderindo à camada fina de suor nas minhas costas e peito, e pressiona a cabeça contra mim, sobre o meu coração.

Eu sei que conversar vai estragar o momento, mas não temos escolha.

– Conversei com Dale – digo, baixinho.

Ela se afasta de mim e me observa.

– Ele não fez nada de errado.

Isso me irrita. Mas me contenho.

– Eu sei. Mas eu tinha que falar com ele.

– E? Você falou de mim? – Kate está com raiva.

Eu toco seu cabelo.

– Não, apenas perguntei o habitual. Não se preocupe.

Kate acende um cigarro e fuma.

Estou olhando para ela, querendo saber o que está acontecendo em sua mente. Então, ela manda a bomba, sem hesitação:

– Estou grávida, Ryan.

Eu estou pensando sobre essas palavras, e mais importante, seu tom de voz. Ela disse com cuidado, como se fosse uma má notícia. Aos poucos, minha mente está funcionando, processando a informação. É uma sensação boa. De uma maneira machista, horrível, eu me sinto orgulhoso de tê-la engravidado, é uma imagem de um pai grisalho como o meu mordendo um charuto e me dando tapinhas nas costas pelo meu superesperma. Em outro nível, um nível puro, divino, é esmagador e surpreendente que ela tenha um bebê dentro dela. Mas eu preciso saber como ela se sente, e a única maneira é esperar.

Ela finalmente olha para mim e seu cabelo se move de forma mais sexy quando o faz. Ela esboça um sorriso.

– Quer dizer... Eu tinha os sintomas, então fiz um exame de sangue, ontem. Diz que tem cerca de cinco semanas.

Ela diz os sintomas como se fosse uma doença. Mas está sorrindo.

Cinco semanas, a primeira vez em que a vi. Isso significa que fomos descuidados. Significa que é meu.

Eu a beijo e ela começa a chorar.

Tomo o cigarro da mão dela e o esmago em um cinzeiro e então a beijo um pouco mais. Eu a deixo chorar, o que parece levar uma eternidade.

Sorrio. Beijo sua cabeça algumas vezes e então olho em seus olhos.

– Estou feliz, Kate.

Ela sorri, também, o rosto molhado, os olhos inchados. Ela lambe os lábios.

– Eu também.