Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 76 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Roman está vigiando a casa.

O carro está em seu lugar preferido, uma estreita estrada de terra próxima ao local, que é praticamente deserto à noite. Ele observa esta casa há dois dias, e não consegue esperar mais. Contou cinco pessoas que vivem nela, uma mãe, um pai e seus três filhos.

Ele espera.

Enquanto isso, o nosso bom amigo Ryan Owen finalmente está tomando um banho. Ele alugou um quarto em uma pousada nessa cidadezinha. Veste-se e verifica sua Glock. Enfia-a nas suas calças nas costas e caminha pela estrada.

Chega na primeira casa às sete. Bate na porta e fala com o dono da chácara, que lhe assegura não ter visto o suspeito. Ryan diz a ele para avisar sua família que um criminoso perigoso pode estar na cidade, e o homem em questão responde que eles vão estar à procura e não abrirão as portas.

Ryan vai até a próxima casa.

Deixem-me explicar o que é, do ponto de vista de alguém que está aqui agora: Ryan sabe que vai levar horas para percorrer as primeiras seis fazendas. As outras cinco, neste lado da cidade, ele tem a intenção de checar amanhã durante o dia. No dia seguinte, ele ainda tem o outro lado, e isso é muito chão para cobrir. Ele prefere fazer isso a pé, porque ainda está tentando encontrar Roman por aqui.

Roman está na sexta casa.

É absurdo como estão perto um do outro.

Estou com Roman agora, e com ele eu me lembro da sensação.

Ele é um caçador esta noite, como eu era há tanto tempo, por tantas noites.

A noite caiu sem piedade e ele está andando por esse grande pedaço de ruralidade.

O imóvel é composto de uma bela casa verde-clara e branca, árvores solitárias e um celeiro. Roman dá uma corrida para o celeiro, na esperança de encontrar qualquer coisa lá, desde alimentos a água ou possíveis armas.

Está fechado e ele se senta na grama, de costas para a madeira, feliz por estar descansando e pensando sobre o que vai fazer. Eu o vejo tomar uma decisão rápida. Ele vai esperar até que as luzes se apaguem na casa e arrombá-la. Vai dominar o homem primeiro, em seguida, cuidar da mulher. Então vai tomar um banho, comer, arrumar comida, água, dinheiro, roupas e sair. Ele sabe que ficou aqui por muito tempo, mas não tem a intenção de ir longe ainda. Ele gosta daqui.

Ouve passos.

Roman está assustado, mas não deveria. A pessoa caminhando da casa para o celeiro é uma mulher.

Estou surpreso ao entender que temo por ela, mas que já conheço seu destino.

Ela está andando descuidadamente, como fez muitas vezes no passado, uma dona de casa com um monte de bunda e coxas, cabelos castanhos na altura dos ombros e olhos grandes. Ela é o tipo de mulher que cheira a sabonete e comida, tem um pingente de unicórnio de prata na corrente em volta do pescoço e, provavelmente, uma Bíblia em sua mesa de cabeceira.

Roman é um filho da puta rápido quando pula nela, cobre sua boca e a empurra contra a parede de madeira. Ela está chocada demais para reagir, a princípio.

– Não grita, não grita – ele sussurra. – Mostre nos dedos, quantos na casa? – Ele só quer ter certeza.

Ela leva um momento para entendê-lo, em seguida, mostra-lhe quatro dedos delicados.

– Quantas crianças?

Ela abaixa um dedo.

– Tem três filhos lá dentro?

Ela acena com a cabeça, com os olhos em lágrimas, porque está pensando neles, seus três meninos.

– Escuta, vadia – ele sussurra, e ela pode ouvir a emoção em sua voz. – Vou descobrir sua boca e você não vai gritar, entendeu? Porque se gritar, isso vai ser como matar os seus filhos. Sacou? Você fica quieta, e eu deixo eles em paz.

Ela acena com a cabeça.

Ele descobre sua boca, só agora avaliando sua aparência, já ereto.

– Abra o celeiro.

Ela lambe o lábio.

– Escute... – ela sussurra, a voz vacilante, como uma chama de vela.

– Faz o que eu mandei.

Ela abre o celeiro e ele a empurra para dentro.

A luz que vem através das portas abertas é suficiente para ele ver o interior. Roman empurra a mulher para baixo sobre o feno, violentamente, com o rosto pressionado contra o chão, e monta em cima dela. Ela está chorando tão silenciosamente quanto consegue, porque acredita no que ele disse. Sua esperança de que o marido e as crianças vão passar por esta noite ilesos é tragicamente maior do que seu medo neste momento. Isso é algo que me impacta. Isso é algo do qual eu sempre ouvi falar, mas nunca realmente acreditei ser verdade.

Roman é rápido quando puxa as botas dela e depois as calças jeans, para expor uma bunda branca e gorducha que ele cobre com seu corpo instantaneamente. Ele remexe com a calça jeans enquanto ela choraminga, e coloca-se dentro dela com a mão. Está silencioso no celeiro quando ele se move para cima contra ela. Os gemidos e pequenos gritinhos dela são contidos um pouco. Tudo o que ele pensa é o controle, a assertividade de sua masculinidade, o medo que inflige, e Kate, porque ela está sempre lá.

Os pensamentos da mulher variam rapidamente entre não, isso não está acontecendo comigo para ele vai embora e as crianças e John vão ficar bem. Ele termina, o momento de clímax desconectando-o do agora, e toma algumas respirações profundas para acalmar-se, já puto que acabou muito rápido. Ele vira a mulher para encará-lo e ela tem feno em sua camisa e no ninho de pelos púbicos. Dá um soco nela, uma vez no rosto, o suficiente para deixá-la quase inconsciente, e então coloca as mãos em torno de sua garganta.

É preciso resistência e força de vontade para estrangular uma pessoa, mesmo uma mulher. Ninguém fica parado ao ser sufocado. Os braços reagem, normalmente no seu rosto, e as pernas se contorcem como peixes. Ele aguenta enquanto ela se debate e aperta com mais força, os braços, os punhos e as mãos queimando, observando com prazer mais elevado, enquanto as veias dela parecem inchar, seus olhos se arregalam, seu rosto muda de cor.

Pela primeira vez, eu vejo o outro lado disso. Posso sentir o que ela sente, porque consigo entender seus pensamentos. Ela sente vertigem em primeiro lugar, em seguida, formigamento nos membros, zumbidos nos ouvidos, então, finalmente, seus movimentos perdem a força, ela tem convulsões sob ele, e eu a vejo perceber que está morta. E se eu disser que ela morreu acreditando que seus filhos ficariam bem, você acreditaria em mim?

Bem, quando ela de fato morreu, e isso é algo que você sabe, você sabe quando uma pessoa se foi, eu não a vejo. Não me pergunte o porquê, porque eu não sei nada da minha condição atual. Apenas vejo uma mulher morta, um pedaço de carne, algo que estava lá e não está mais. Eu não sei se ela tinha uma alma, ou para onde foi, ou se eu não a enxergo porque ela não pertence ao mesmo lugar que eu. Para ser sincero, eu não poderia me importar menos. Eu me concentro no agora, porque uma merda ruim está prestes a acontecer, e o fodão de todos os tempos Ryan Owen não está por perto.

Puta que pariu!