Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Eu já conversei com Natalie antes e…
Eu já conversei com Natalie antes e este é o último lugar onde quero estar.
O bairro é o tipo que você já viu tantas vezes que já não o incomoda. Pequenas casas, desemprego, depressão em cada esquina. Vejo uma pequena bandeira americana na porta de alguém. Ela está soprando ao vento e isso me dá náuseas.
Ela atende a porta, obesa, cabelo escuro, sem brilho até a cintura, liso. Suas bochechas são rosadas e ela me olha como se me reconhecesse instantaneamente.
– Oi, senhora Bardel – digo, debilmente. Estou feliz que não estou vestindo um terno, estou feliz por essa visita não parecer oficial.
Ela franze a testa.
– É senhora Davidson, agente Owen, você sabe disso.
Na verdade, eu tinha esquecido.
– Sinto muito. Podemos conversar?
– Não há nada mais para conversar. Eu não vejo como você pode jogar esses assassinatos em cima do meu irmão morto.
A iluminação reluz na grande cruz de ouro que está aninhada com segurança entre seus enormes seios.
– Eu hmm... preciso de cinco minutos.
Ela considera isto, não gostando. Ouço suas crianças correndo dentro da casa.
– Você tem cinco minutos – ela murmura, abrindo a porta da frente mais amplamente, para mim.
Eu entro e o lugar cheira a nuggets de frango fritos e fraldas.
Ela não oferece café, nem pede para eu me sentar, nada. Entendo. Quer dizer... Tive uma grande parcela de culpa na execução de seu irmãozinho. Não que ela nutrisse qualquer amor por ele.
– Tenho que saber se você esteve em contato, recentemente, com alguém novo em sua vida. Pense em prestadores de serviços, trabalhadores manuais, pessoas assim. Homem, caucasiano.
Ela pensa. Em seguida, balança a cabeça.
– Não.
Eu apenas concordo com a minha. Percebo brinquedos espalhados, montes de pratos na pia, e...
Uma pilha de panfletos.
Fixo meus olhos nela.
Ela segue o meu olhar.
– O que você está olhando?
Dou alguns passos e vejo que são panfletos para Mathias Rogers, para sua campanha de reeleição. Isso mexe com a minha cabeça. Onde é que este homem se encaixa em tudo isso?
– Hmm... – Eu silenciosamente decido pelo método a seguir. – Vai votar nele também?
Ela orgulhosamente toca na parte superior da pilha com a ponta dos dedos gordinhos.
– Bem, sim, agente Owen, eu quero ordem e valores no meu estado.
– Sim, Rogers parece estar fazendo um bom trabalho nisso.
– Você está sendo sarcástico?
– Não, jamais. – Eu coloco a mão sobre o peito. – Eu só... Acredito que ele está fazendo deste estado um lugar bom. Acredito em seus valores, admiro sua postura.
– Bem... – Ela cruza os braços.
Eu penso sobre a infância terrível dessa mulher e, embora ninguém queira ser lamentado, tenho pena dela. Tenho pena dela porque seu padrasto destruiu tudo o que ela poderia ter sido. Tive acesso a fotos de uma jovem Natalie, uma garota de grande beleza e porte atlético, uma menina cuja psicologia foi adulterada tão cedo.
– Isso é tudo? – ela pressiona.
– Você tem ideia de quem poderia estar imitando os crimes do seu irmão, seu método? Você assistiu ao noticiário? Alguém entrou em contato?
– Eu não vejo mais notícias, agente. Vizinhos falam, eles fofocam sobre as coisas horríveis que essas pessoas fazem umas com as outras, mas eu não tomo parte nisso. Faço as minhas orações, cuido dos meus filhos, e não tenho ideia por que alguém seria mau o suficiente para seguir os passos do demônio.
Eu tomo um panfleto. Ela não me impede.
Eu olho para ele. Estrelas, listras e Jesus.
– Obrigado pelo seu tempo e cooperação, Natalie. – É tudo que eu consigo dizer.
Saio e tudo em que consigo pensar é Mathias.
As peças que faltam são fáceis de ver:
Mathias Rogers e seu envolvimento com a repressão da biografia de Bardel.
Minha demissão do bureau quando descobri que Bardel deixou uma sobrevivente.
Quem é a sobrevivente?
Por que tenho a sensação de que isso não tem nada a ver com os assassinatos em série?
Eu tenho que resolver uma coisa de cada vez.
Telefono para Kate e ela mudou de humor. Agora está carente. Eu prometo-lhe que estarei lá em breve.
Chamo Woods. Coloco-a no viva-voz:
– Os técnicos traçaram o acesso ao perfil de Greg Good Guy no Facebook para a mesma biblioteca onde Bardel costumava trabalhar.
Isso me arrepia. Blessfield. Esfrego os olhos. O que eu peço a faz gemer:
– Consiga imagens da biblioteca no dia do seu último acesso ao Facebook e descrição de cada homem que se encaixa no perfil. Isso não deve ser difícil, sabemos o tempo aproximado que estava on-line. Rastreie pelas linhas de tempo das três mulheres. Veja o que ele gostou ou comentou no perfil de Jennifer. Consiga uma imagem desse cara.
– Vai levar algum tempo.
– Apresse-se.
Eu desligo.