Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 59 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Agente Owen

Vinte e quatro malditas horas.

Vejo Gambatto abrir a cela. Ele tem dois detetives ao seu lado e sei que eles estão lá para me conter caso eu surte.. Estou quase lá.

– O que descobriu? – É tudo o que pergunto.

Eu fiquei detido por vinte e quatro horas, sem motivo, naquela cela. Preciso de um banho e comida e algumas horas de sono. Não quero nada disso até ver Kate.

Gambatto coloca as mãos para cima como que para me acalmar

– Nada de Dwyer, Owen. Nós verificamos o que conseguimos.

Eu fecho os meus olhos e digo para mim mesmo: fique calmo, que é apenas um mal-entendido, que Kate está na verdade dormindo em outro quarto de hotel porque não se sentia segura onde estava. Eu me convenço de que ela está bem e descansando, sorrindo, bem alimentada e que nosso bebê está bem. Eu preciso acreditar em tudo isso para não pegar uma arma do coldre de um desses detetives e atirar na minha própria cabeça.

Gambatto vê isso acontecer em minha mente:

– Owen, tenho certeza de que ela está bem. Precisamos conversar sobre sua situação no momento.

– Você tem o suficiente para me manter aqui por mais um segundo?

– Não, não temos.

– Então saia do meu caminho.

Andar não é impossível, mas quase.

Ontem à noite eles me levaram para um hospital para ter minha perna costurada e me mantiveram algemado o tempo todo, vigiado por três policiais. Então fui levado para a delegacia e colocado em uma cela. Os curativos foram trocados nesta manhã. Eles estão me dando medicação para a dor, mas ela realmente não funciona quando estou andando.

Encontro Woods, sozinha.

– Os outros caras? – pergunto.

Ela não tem certeza se deveria estar falando comigo ou não.

– Eles estão trabalhando no caso. Não estão aqui.

– O que conseguiu?

– Katherine desapareceu de seu hotel. Ela não levou nada além do telefone celular e carteira, aparentemente. Não havia sinais de luta ou briga. Ninguém na vizinhança a viu.

– Telefone celular?

– O rastreamos e o encontramos perto do hotel, aparentemente lançado de um veículo.

– Procuraram por...

– Digitais, sim, mas nenhuma que combinava com o banco de dados.

Eu corro a mão pelo meu cabelo.

Ela lambe o lábio.

– Eu encontrei seu telefone.

– Dá pra mim.

– Não posso, estava no salão do evento de gala, é evidência.

– Fala que verificou as mensagens.

Ela hesita.

– Woods, juro por Deus, é minha namorada e meu filho, POR FAVOR!

– Estamos trabalhando nisso.

– O que diz?

– Diz que ela sabe quem é, para você ignorar Rogers, que ela queria que você ligasse para ela.

Ah, Kate...

– Eu acho que ela identificou alguém da biblioteca. – Woods verbaliza o que eu já sei. – E por algum motivo não se sentiu segura onde estava.

– Ela recebeu chamadas antes disso?

Woods franze a testa.

– Deus, não me diga que vocês não olharam!

– Ryan, não tivemos tempo, ok? Temos um milhão de coisas para fazer agora!

– Porra, cadê o telefone?!

– Eu não posso nem estar falando com você, você não está neste caso!

Policiais vêm até nós.

Eu coloco minhas mãos para cima.

– Só olhe o maldito telefone! – eu lato para ela.

Ela estende a mão.

– Tudo bem!

Furiosa, Woods entra na sala da força-tarefa. Quando sai, o telefone está envolto em plástico nas suas mãos. Ela o entrega para mim, e agora Gambatto está lá também, estudando essa troca com cuidado.

Levo um tempo para entender o aparelho de telefone de Kate, sem o tirar do plástico, então encontro as chamadas recebidas. A mais recente é de Morris. A ligação durou um pouco menos de trinta segundos.

Sua chamada para o meu celular ocorreu menos de um minuto depois disso, mas não respondi. Em seguida, cinco minutos depois, ela ligou e deixou a mensagem.

Morris.

– É seu sobrinho – digo, pedaços se reunindo em minha mente.

Há olhares.

Eu fecho meus olhos.

– Seu cunhado. Ele se encaixa no perfil. Ele pegou o telefone do filho.

Silêncio entre Woods, Gambatto e os dois detetives.

Sinto bile em minha garganta enquanto meus olhos se cansam e a exaustão toma conta de mim. Eu me forço a falar.

– Estou indo para Blessfield. Liguem passando o endereço exato. É Roman... – Deus, eu não me lembro o nome dele. – É o marido de Amanda Dwyer que queremos, é a casa dela.

– Você não vai levar um veículo oficial sob a influência de analgésicos – diz Gambatto.

Em vez disso, ouço o que ele realmente diz: Eu não vou impedi-lo de ir, embora deveria. Mas você vai ter que levar um parceiro.

Eu também ouço esta é uma apreensão do Departamento de Polícia de Miami. Concordo com a cabeça.

Woods começa a se mover em direção à saída, verificando sua arma.

Eu a sigo, quase sem coragem.