Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Agente Owen
Vinte e quatro malditas horas.
Vejo Gambatto abrir a cela. Ele tem dois detetives ao seu lado e sei que eles estão lá para me conter caso eu surte.. Estou quase lá.
– O que descobriu? – É tudo o que pergunto.
Eu fiquei detido por vinte e quatro horas, sem motivo, naquela cela. Preciso de um banho e comida e algumas horas de sono. Não quero nada disso até ver Kate.
Gambatto coloca as mãos para cima como que para me acalmar
– Nada de Dwyer, Owen. Nós verificamos o que conseguimos.
Eu fecho os meus olhos e digo para mim mesmo: fique calmo, que é apenas um mal-entendido, que Kate está na verdade dormindo em outro quarto de hotel porque não se sentia segura onde estava. Eu me convenço de que ela está bem e descansando, sorrindo, bem alimentada e que nosso bebê está bem. Eu preciso acreditar em tudo isso para não pegar uma arma do coldre de um desses detetives e atirar na minha própria cabeça.
Gambatto vê isso acontecer em minha mente:
– Owen, tenho certeza de que ela está bem. Precisamos conversar sobre sua situação no momento.
– Você tem o suficiente para me manter aqui por mais um segundo?
– Não, não temos.
– Então saia do meu caminho.
Andar não é impossível, mas quase.
Ontem à noite eles me levaram para um hospital para ter minha perna costurada e me mantiveram algemado o tempo todo, vigiado por três policiais. Então fui levado para a delegacia e colocado em uma cela. Os curativos foram trocados nesta manhã. Eles estão me dando medicação para a dor, mas ela realmente não funciona quando estou andando.
Encontro Woods, sozinha.
– Os outros caras? – pergunto.
Ela não tem certeza se deveria estar falando comigo ou não.
– Eles estão trabalhando no caso. Não estão aqui.
– O que conseguiu?
– Katherine desapareceu de seu hotel. Ela não levou nada além do telefone celular e carteira, aparentemente. Não havia sinais de luta ou briga. Ninguém na vizinhança a viu.
– Telefone celular?
– O rastreamos e o encontramos perto do hotel, aparentemente lançado de um veículo.
– Procuraram por...
– Digitais, sim, mas nenhuma que combinava com o banco de dados.
Eu corro a mão pelo meu cabelo.
Ela lambe o lábio.
– Eu encontrei seu telefone.
– Dá pra mim.
– Não posso, estava no salão do evento de gala, é evidência.
– Fala que verificou as mensagens.
Ela hesita.
– Woods, juro por Deus, é minha namorada e meu filho, POR FAVOR!
– Estamos trabalhando nisso.
– O que diz?
– Diz que ela sabe quem é, para você ignorar Rogers, que ela queria que você ligasse para ela.
Ah, Kate...
– Eu acho que ela identificou alguém da biblioteca. – Woods verbaliza o que eu já sei. – E por algum motivo não se sentiu segura onde estava.
– Ela recebeu chamadas antes disso?
Woods franze a testa.
– Deus, não me diga que vocês não olharam!
– Ryan, não tivemos tempo, ok? Temos um milhão de coisas para fazer agora!
– Porra, cadê o telefone?!
– Eu não posso nem estar falando com você, você não está neste caso!
Policiais vêm até nós.
Eu coloco minhas mãos para cima.
– Só olhe o maldito telefone! – eu lato para ela.
Ela estende a mão.
– Tudo bem!
Furiosa, Woods entra na sala da força-tarefa. Quando sai, o telefone está envolto em plástico nas suas mãos. Ela o entrega para mim, e agora Gambatto está lá também, estudando essa troca com cuidado.
Levo um tempo para entender o aparelho de telefone de Kate, sem o tirar do plástico, então encontro as chamadas recebidas. A mais recente é de Morris. A ligação durou um pouco menos de trinta segundos.
Sua chamada para o meu celular ocorreu menos de um minuto depois disso, mas não respondi. Em seguida, cinco minutos depois, ela ligou e deixou a mensagem.
Morris.
– É seu sobrinho – digo, pedaços se reunindo em minha mente.
Há olhares.
Eu fecho meus olhos.
– Seu cunhado. Ele se encaixa no perfil. Ele pegou o telefone do filho.
Silêncio entre Woods, Gambatto e os dois detetives.
Sinto bile em minha garganta enquanto meus olhos se cansam e a exaustão toma conta de mim. Eu me forço a falar.
– Estou indo para Blessfield. Liguem passando o endereço exato. É Roman... – Deus, eu não me lembro o nome dele. – É o marido de Amanda Dwyer que queremos, é a casa dela.
– Você não vai levar um veículo oficial sob a influência de analgésicos – diz Gambatto.
Em vez disso, ouço o que ele realmente diz: Eu não vou impedi-lo de ir, embora deveria. Mas você vai ter que levar um parceiro.
Eu também ouço esta é uma apreensão do Departamento de Polícia de Miami. Concordo com a cabeça.
Woods começa a se mover em direção à saída, verificando sua arma.
Eu a sigo, quase sem coragem.