Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 72 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Nathan Bardel

 

Estou mais uma vez dividido entre o desejo de estar com Kate – principalmente agora que ela incorporou a Ereshkigal e está escrevendo meu livro de novo – e a necessidade de estar com Ryan porque ele não sabe como está perto de Roman.

Kate mudou um pouco: o foco, sua mente trabalhando como se estivesse realmente funcionando melhor, funcionando à base de doces, cigarros e refrigerantes. Ela conseguiu bloquear as memórias que chegam a ela e se concentrar apenas em terminar o livro. Kate está literalmente trabalhando para não enlouquecer.

Aqui com Ryan as coisas estão confusas. Seus instintos estão certos, mas ele subestimou completamente a necessidade de Roman por uma nova vítima. É Kate quem ele quer, mas nesse momento qualquer mulher que cruzar o seu caminho é Kate.

Ele está a apenas três quilômetros de distância.

Vejo Roman. Ele está dentro de seu Avalon roubado, janelas para baixo, fumando, de olhos fechados. Sua mente vagueia, ele visita seus momentos com Kate e eles o deixam de pau duro. Ele ouve o rádio e toda vez que o caso é mencionado, seu coração bate como se estivesse prestes a explodir. Ele se acalma, então pensa sobre onde poderia ir, o que poderia fazer. Precisa de uma vítima. Imagina o encontro, cada pequeno detalhe, assim como eu fazia, tudo o que ele vai fazer. Roman é uma bomba-relógio, uma que eu desprezo e quero ver explodir.

Ryan está perto, também sentado em seu carro com a janela aberta e fumando, ouvindo a mesma estação de rádio, sabendo que Roman está ouvindo exatamente as mesmas palavras. Ryan sabe que está atordoado psicologicamente. Ryan não consegue parar de pensar em Kate e é angustiante o quanto se culpa. Está pensando em não voltar para ela, sabe? Está pensando que mesmo que sobreviva a isto, e nenhum de nós tem certeza se vai, não pode voltar. Tem medo de encará-la, de vê-la despedaçada. Pensa agora sobre o que poderia escrever para ela, sabendo que se enviar qualquer coisa para seu filho ela vai queimá-lo com ódio. Ryan está desistindo, rapidamente.

Mas não da caça.

São sete horas e Ryan está entrando no Pollo Compadre. O lugar está meio cheio de pessoas que pararam na estrada para fazer uma pausa em suas viagens rodoviárias. A TV está ligada na CNN e ele não tem certeza se vai ao ar qualquer matéria sobre o caso esta noite, mas ele toma seu lugar em um canto e lê um menu de plástico.

Ryan estuda tudo, desde os relógios de pulso nos braços dos homens, o tempo que as mulheres passam no banheiro, as queimaduras de sol nos narizes das crianças, sapatos, tudo isso. Ele coleta informações, sem preconceito ou medo, e as armazena, e isso acontece naturalmente.

Mas Roman não vai ao Pollo Compadre esta noite. Ele esteve lá, Ryan está totalmente certo sobre isso, mas esteve lá há três dias. Esta noite Roman está se sentindo confortável e seguro o suficiente para tentar algo mais intenso.