Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Parte um
O DESPERTAR
Eu vejo Kate. Ela não me vê.
Uma das dúvidas constantes em relação à minha condição – e a dela – é se ela poderia me ver se acreditasse em mim. Ou se não me ver não é, e nunca foi, decisão dela.
Kate está fazendo uma pesquisa neste exato momento. Ontem à noite, ela decidiu escrever minha biografia. A história da minha vida, dos meus crimes e, consequentemente, minha morte.
O que Kate não sabe é que ao decidir escrever o livro, ela me atraiu.
Aqui estou eu, você pode escolher do que me chamar. Fantasma, espírito, aparição, energia residual. Não importa. Sou Nathan Bartham Bardel, também conhecido como “O Esfaqueador de Damas de Blessfield”. Esse é provavelmente o apelido mais preguiçoso que poderiam ter me dado. Eu o odeio. Até gosto que identifique a cidade onde eu cresci e assassinei minhas vítimas, mas “damas” é ridículo. E “esfaqueador”, embora deixe explícito a escolha da minha arma, limita a compreensão do meu modus operandi. Para simplificar: eu acredito que deveria ter recebido um apelido mais sinistro, original, esclarecedor e autoexplicativo. Não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso. E acredite em mim, eu tentei.
Meu pai me chamava de Nathan.
Minha mãe me chamava de Nate.
Minha irmã me chamava de B.B.
Meu padrasto, mais tarde, simplesmente não me chamava.
Alguns garotos me chamavam de bundão, seja lá o que isso de fato signifique.