Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 20 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Estou verdadeiramente em estado de choque à…

Estou verdadeiramente em estado de choque à medida que isso se desenrola diante dos meus olhos. Aqui temos o bom e velho detetive Ryan Owen, o homem com quem passei longas tardes, falando sobre minha vida e meus assassinatos. E aqui está a minha vítima favorita de todas, aquela que eu nunca vou ser capaz de foder e retalhar, Kate. E eles se sentam juntos e comem pizza e têm uma teoria da conspiração.

É hilário e deprimente. Não tenho ideia do que fazer com isso.

Eu nunca a teria deixado viva. Ela escapou. E porque ela fugiu, nunca soube seu nome.

Foi uma noite estranha e tudo deu errado. Eu fui desorganizado.

Estou distraído, porque Ryan Owen está tomando uma ducha no banheiro de Kate e ela está desfazendo a parede. Não posso descrever como isso me faz sentir. Eu quero gritar com ela e na verdade tento fazer isso, mas Kate não me ouve. Ela está descolando todos os papéis e jogando tudo dentro de uma pequena caixa de sapatos e isso me irrita. Estou tão puto que me imagino retalhando seus peitos, fazendo-a observar. Quem ela pensa que é para fazer isso com a gente?

Não é culpa dela, digo a mim mesmo. Ryan foi quem quis isso.

Eu sou um mar de sensações, sou feito de raiva e agonia agora. Penso em incendiar o apartamento e prendê-los aqui para assarem.

Leva muito tempo para me acalmar, e estranhamente, é a curiosidade que me faz seguir em frente, onde Ryan toma banho. Posso ver Ryan claramente agora. Ele se arrepende de ter dito à Kate sobre Selena, a vaca louca que ele comia no escritório. Ryan tem medo de estar colocando Kate em perigo, e tem medo que ela vá sacar o idiota que ele é. A maneira como ele pensa sobre Kate é patética. Ryan não vê e não consegue enxergar Kate do jeito que eu consigo. Acha que se importa com ela. Cara, eu tenho pena desses dois.

Kate entra, carregando a caixa. Ela a coloca sob sua cama e para quando ouve Ryan no chuveiro. Como a puta que é, como as cadelas no cio que todas elas são, Kate pensa em entrar e fazer sexo com Ryan. Mas ela não faz isso. Ela vai para a cozinha, limpa tudo e lava os pratos para dar a impressão de que é tão limpa quanto ele.

Ryan vai até sua sacola de ginástica e se veste.

Ele encontra Kate na cozinha e, embora não diga, está aliviado que ela tenha desmontado a parede.

Ryan tem medo de Kate enlouquecer como ele.

Ela fuma.

Eles não sabem o que dizer um ao outro, então ele quebra o gelo:

– Estou lendo o seu romance, Anseio de Morte.

Kate se sente insegura.

– Não é tão bom.

– É legal, gostei dele, é bem escrito. Você é boa com detalhes, teria dado uma ótima profiler.

Kate esboça um sorriso fraco.

– Você foi à casa de Nathan – afirma.

Ela acena com a cabeça.

– Foi horrível lá, sujo, sabe?

Sim, eu estava com Kate quando ela fez aquela coisa ridiculamente estúpida. A casa não me fez bem. Estar lá foi bastante doloroso e trouxe muitas sensações esquecidas para a superfície.

Senti algo que só posso descrever como dor física quando estava lá, ouvi vozes do passado, e era como se todos os acontecimentos da minha infância estivessem ao meu redor, tudo de uma vez. Saí da casa antes de Kate. Mas, mesmo assim, memórias vinham até mim. O dia em que vi acontecer, o dia em que ele chegou em casa no período da tarde, porque tinha sido demitido. No dia em que deixou a porta entreaberta.

Lembro-me de estar ali, no corredor. Lembro que havia alguma janela aberta e eu estava com frio, mas não saí dali. Minha mãe não estava em casa.

Natalie permaneceu quieta, não ofereceu resistência alguma quando ele puxou o short dela e fez o que quis.

Natalie não disse nada. Apenas fechou os olhos.

Eu assistia a tudo.

– Eu imagino que sim – Ryan está dizendo. Ele quer dizer à Kate que sabe o que é ir longe demais. Mas se o fizer, ela vai fazer perguntas que ele não está pronto para responder.