Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
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Na delegacia, Ryan ainda está algemado e à espera de seus amigos.
Ele senta em um escritório bagunçado fechado com o pé em uma cadeira enquanto uma enfermeira limpa o ferimento. Parece que alguém abriu uma xoxota em sua panturrilha. Em breve vai cheirar assim, também.
O que posso fazer para avisá-lo?
Um oficial que ele não conhece está em um canto, com as mãos entrelaçadas na frente da virilha. Ele vigia Ryan, Ryan encara ele, os dois estão se matando através de olhares.
A pessoa que entra é o nosso bom amigo Gambatto. Ele acena para o oficial, que sai, e então puxa uma cadeira.
– O que diabos você fez?
Ryan suspira, construindo paciência para contar a história.
– Descobri que Bardel perdeu o controle sobre uma vítima alguns dias antes de atacar Diane Meyer. A menina está viva e bem, e ela é Sarah Rogers, filha de Mathias Rogers.
Gambatto está surpreso demais para responder.
Ryan engole. De repente, ele faz uma careta quando a enfermeira cobre o corte com uma atadura. Ela dá a Gambatto uma olhada:
– Ele precisa de sutura. Não posso fazer isso aqui. Leve-o para um hospital.
– Calma, querida – Gambatto estende a mão para ela. – Ryan, o que isso tem a ver com os assassinatos?
– Eu não sei. Talvez nada. Mas esta é a razão pela qual Kate foi ameaçada e eu fui demitido, cara. A filha dele foi estuprada, engravidou durante o ataque e fez um aborto. Você sabe a opinião de Rogers sobre o assunto e a opinião dos seus eleitores e o que isso custaria a ele, assim, enterrou a história para nos calar.
– Você acha que as duas vítimas tem algo a ver com isso?
– Não... Eu... – Ryan deseja que tivesse resolvido o caso. Ele sabe que não conseguiu e se sente como um fracassado. – Estou trabalhando nos assassinatos, cara, Kate está verificando a filmagem da biblioteca. Mas esse cara, Gambatto, ele tem que se dar mal. Ele tentou me matar uma hora atrás, olhe para mim!
– Ryan, você deixou um cadáver lá.
– Sim, tenho o sangue dele na minha camisa, faça testes.
– Como a briga aconteceu?
Ryan olha para a mão de Gambatto e vê um gravador. Ele lambe os lábios, sabendo que esta é a sua declaração oficial.
– Confrontei Mathias e quando estava saindo do local, por um corredor que é paralelo ao salão, me distraí com a visão de Sarah. Eu estava pensando em como poderia conseguir que falasse comigo, quando fui atacado por trás. Quando eu acordei tinha minhas mãos algemadas atrás das costas, e estava em um quarto, sozinho, ainda no local. O cara entrou no cômodo e fechou a porta, preparou o chão com plástico e veio até mim com uma faca. Nós lutamos, eu me defendi.
Gambatto pousa o gravador suavemente sobre a mesa e olha para o chão por um tempo.
– Você vai acusar o governador de tentativa de assassinato de um agente federal aposentado?
– E obstrução de justiça, sim.
– Ryan...
– Onde está meu celular?
– Eu não faço ideia.
Ele balança a cabeça.
– Liga para o hotel, liga para o telefone celular, encontre Kate e a traga aqui, eu não posso protegê-la onde estou. E tira essas algemas de mim.
– Dê-me um momento. – Gambatto sai.
Quando ele retorna, Ryan está cochilando.
A enfermeira está com raiva.
– É preciso levá-lo a um hospital, senhor.
Gambatto faz o mesmo gesto, aquele que diz fica tranquila, querida e vai atrás de Ryan para tirar as algemas dele. Ryan abre os olhos e geme de alívio quando traz as mãos para a frente e verifica os danos causados à sua pele.
– Não conseguimos contato com Kate, Ryan.
Ele se perde nos olhos claros de Gambatto enquanto luta contra as possibilidades que a frase evoca.
– Enviei unidades até seu apartamento, sua casa e o hotel onde estão hospedados, devemos ter novidades em breve.
Ryan olha para a enfermeira.
– Você pode me consertar temporariamente?
– O que isso significa? Você precisa de limpeza e de pontos, amigo, isso é...
– Só tampa o buraco para eu não morrer por perda de sangue.
Ela aperta sua mandíbula e começa a preparar um curativo.
Gambatto lambe o lábio.
– Eu não posso deixar você ir, sinto muito.
– Tá brincando comigo.
– Ryan, você sabe como funciona.
Ryan fecha os olhos.
– Apenas envie um de nós para verificar o quarto de hotel por algum sinal de luta, qualquer bilhete que ela possa ter deixado para mim. E tenta rastrear o celular.
– Faremos isso.