Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Não há finais felizes.
Mas há esperança.
Eu sou a mesma idiota de sempre, porque quando Ryan acorda no hospital depois de ser operado, choro como se fosse a única coisa que soubesse fazer. Seguro sua mão, amando sua mão, odiando seu cabelo e sobrancelhas escuros, e choro, e não estou lá grandes coisas para um homem que acabou de acordar; tenho olhos vermelhos e ranho perto da minha boca e ombros tremendo. Ele sorri para mim, mas ele está detonado.
Roman está vivo devido ao agente que se recusou a matá-lo, e a uma mulher, Kimberly, que conseguiu controlar a hemorragia até a polícia chegar. Ele foi julgado, onde alegou insanidade, mas no final, foi condenado à morte. Ele permanecerá no corredor da morte enquanto apela da sentença. Ryan e eu testemunhamos no tribunal e eu não posso explicar o quão difícil isso foi. Abraçamo-nos no meio da noite, recuperando-nos de nossas feridas, silenciosos, compartilhando apenas o calor do outro. Nós quase não falamos nessas semanas.
Morris será solto em quatro anos. Está recebendo tratamento e recebe visitas semanais da minha mãe. Meu pai se recusa a vê-lo. Papai chora por Amanda quando vai à igreja sozinho às terças-feiras, geralmente depois do almoço. Falo mais com o meu pai hoje do que durante a maior parte da minha vida. Ele não me pede desculpas por não ser um pai perfeito, e eu não me desculpo por ser uma filha de merda. Eu sou a única pessoa que ele tem agora, e suponho que nossas lentas, pausadas e superficiais conversas sobre o tempo, sobre Ryan, sobre política, é o melhor que podemos fazer, e isso não é ruim.
Ryan teve que testemunhar no tribunal contra Mathias Rogers. Este foi surpreendentemente o momento mais difícil para ele, porque acredito que o pior já tinha passado e os acontecimentos recentes estavam apenas começando a ser analisados por ele. Ele está sendo forçado a fazer terapia com a Dra. Annatil Fowler, e topou porque o FBI quer tê-lo de volta como consultor. Ryan finge que está fazendo um favor para eles, quando, na verdade, sei que ele precisa disso. Mathias Rogers foi condenado a treze anos em uma instituição federal de segurança máxima. Ryan recebeu e-mails de ameaça. Ele simplesmente os ignorou.
Ele acompanhou o caso dos meninos da fazenda. São filhos de Trisha e John Kingsley, seus nomes são Rafael, Benjamin e Dennis. Eles morarão com Gemma, a irmã de John, no Missouri.
Eu escrevi e publiquei o livro.
No início, eu disse que não o faria. Odiei o frenesi da mídia sobre o assunto, odiei a bajulação e dinheiro que a Sahara jogou na minha cara. Odiei como eles não se importaram o suficiente para lê-lo, como só o queriam enquanto as histórias estavam em todos os noticiários, e quando o aniversário de um ano da execução de Nathan Bardel estava chegando. Com raiva, disse a Ryan, enquanto ele saía do banho:
– Não vou publicar o livro. Foda-se a Sahara.
Eu me lembro dele de pé, toalha na cintura, cicatrizes em seu braço, coxa e perna, olhando para mim, e perguntando:
– Então por que o está escrevendo, Kate?
Ponderei sobre isso por um longo tempo. Sim, eu descia as escadas furtivamente para clicar no teclado, para terminar a maldita coisa, para incluir a história de Sarah Rogers. Eu ainda ouvia as músicas clássicas. Então pensei sobre isso. E quando o livro Eu vejo Nathan: A História de um Serial Killer estava terminado, Ryan o leu em quatro horas. Em seguida, tirou os óculos de leitura e olhou para uma carente Kate ao lado dele na cama e disse:
– Está magnífico.
Eu desabafei:
– Precisei escrevê-lo. Não para eles, mas para mim. Sinto Nathan comigo. Não me diga que é estresse pós-traumático, porque não é. Tudo começou no momento em que decidi escrever o livro, Ryan. Por favor, não olhe para mim como se eu fosse louca. Mas eu precisava escrever. Acho que agora com sua história contada aqui, ele vai se sentir ouvido. Eu acho que ele vai me deixar em paz.
Ele não me respondeu. Como poderia? Ele se perguntava se estava apaixonado por uma porra de uma lunática, é claro que não respondeu. Apenas sorriu e disse que eu poderia ganhar um milhão a mais se ele escrevesse a introdução. E ele escreveu, porque ele é Ryan. Nunca dei a mínima para o milhão adicional. Na verdade, não sei quanto dinheiro o livro gerou. Doei quase todo para três diferentes instituições que apoiam vítimas de estupro. Não porque sou uma boa menina, mas porque eu nunca senti que o dinheiro era meu, e nunca me senti confortável com ele.
Nós não vamos nos casar ou algo assim. Ele me pediu para morar com ele. Hesitei, não tinha certeza sobre Fort Lauderdale. No final, ele me convenceu. Eu me mudei, mexi um pouco na casa, ele montou um escritório para mim. Passo a maior parte do meu tempo lá, escrevendo.
Ryan me faz um lanche, às vezes, beija minha cabeça, então senta-se para fazer as coisas dele: sua pesquisa, sua própria escrita, suas coisas. Nós não precisamos falar, sabe? Nós nos curamos com o silêncio compartilhado, nos curamos apenas por estarmos próximos.
Nós temos um menino de um ano. Seu nome é Jack.