Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
Ryan é todo sorrisos quando entra na…
Ryan é todo sorrisos quando entra na sala de conferências pequena no Departamento de Polícia de Miami.
Há três homens e uma mulher aqui.
Ryan estende a mão. O ruivo que já vimos antes, detetive Gambatto, sorri brilhantemente e aperta a mão de Ryan.
– Como você está, Owen? – pergunta.
– Não tão bem quanto você, com certeza. – É a sua resposta. – Mas é bom vê-lo novamente.
– Então, este não é um caso federal, é meu, e você é nosso consultor, estou certo até agora?
– Sim, é isso.
Gambatto aponta ao redor da sala.
– Pessoal, este é o agente federal que vai nos dar uma mão neste caso, Ryan Owen, ex-Unidade de Ciência Comportamental. Trabalhou comigo no caso Nathan Bardel. Ryan, esta é Gina Woods, Philip Hendersen e este é Jay Torres.
Ryan aperta suas mãos. A mulher, Gina, está feliz que ele está no caso. Tem uma pinta de descendente de italianos, está longe da beleza de uma capa de revista, mas gostosa o suficiente para que eu imagine seu rosto contorcido de dor, os olhos aterrorizados mostrando completo respeito por mim. Gina seria uma boa vítima, lutaria até o final, e perderia toda sua dignidade de policial quando fosse posada de pernas abertas por mim, depois de morta. Eu até diria isso a ela, com a certeza de que a deixaria horrorizada saber que seus colegas de trabalho, os machistas que ela tanto odeia, estariam fotografando seu corpo rasgado e nu para analisar cada centímetro dele. Ah, Gina, se eu tivesse conhecido você antes.
Phil Hendersen não tem tanta certeza, ele não é um fã do bureau. Consegue não ser bonito nem feio, gordo nem magro, um homem de aparência sem graça, mas que está nesse momento completamente focado no briefing que vai receber. Jay Torres não se importa, desde que os resultados venham rapidamente. É ambicioso, e sendo latino-americano, acha que tem muito a provar.
Todos se sentam, com exceção de Gambatto, que começa:
– Vamos falar sobre o que temos a princípio. A partir de agora, temos dois casos separados que podem ou não estar relacionados. Temos uma carta de ameaça a uma escritora chamada Katherine Dwyer, que estava escrevendo uma biografia sobre o nosso serial killer celebridade, Nathan Bardel. Livros Sahara, sua editora, pediu para ela interromper a biografia e produzir um outro romance em seu lugar. Algumas semanas depois, ela recebeu uma carta de ameaça, que veremos em breve. Nesse mesmo dia, houve um estupro seguido de assassinato violento no apartamento ao lado do de Katherine Dwyer. A razão pela qual o agente Owen está aqui é porque ele foi o primeiro na cena, e também porque há muitas semelhanças entre este M.O. e o de Nathan Bardel. Na verdade, até a assinatura é a mesma, o que faz com que seja seguro afirmar que temos um imitador em nossas mãos. No material vão encontrar cópias das declarações da companheira de quarto de Jennifer Adkins, Brenda, o relatório do laboratório, e as declarações de Katherine Dwyer também.
Ryan os observa. Torres fala primeiro.
– Então, acho que podemos dizer que a carta de ameaça e o assassinato são obras de alguém que por algum motivo está tentando intimidar a escritora.
– Não podemos dizer com certeza – diz Gambatto. – Pode ser uma coincidência.
– Realmente uma grande coincidência – murmura Hendersen.
Ryan fala pela primeira vez:
– A pessoa que escreveu a carta não é a mesma pessoa que matou Jennifer. Não estou dizendo que não há conexão, porque seria uma grande coincidência, mesmo, mas tenho certeza de que não é o mesmo cara.
– O que o faz ter certeza, profiler? – É Woods que fala agora. O tom é provocativo, mas ela gosta de Ryan. Aposto que já está molhada.
Ryan sorri para ela.
– Vamos olhar para a carta. – E ele se vira para Gambatto.
Gambatto mexe com o computador e uma imagem da carta surge projetada no quadro branco.
Eles levam um momento para lê-la.
Ryan fala:
– Não há raiva aqui. É impessoal, quase indiferente. Um cara que naquela mesma noite estupraria, estrangularia e esfaquearia uma jovem escreveria de forma diferente, usaria palavras vulgares, ameaçaria de forma mais detalhada. Só lembrando que não há um traço de evidência nessa carta, no envelope ou na caixa.
– Pra que uma caixa se a carta veio dentro de um envelope? Isso não pode sugerir algum tipo de brincadeira de mau gosto? Tipo quando você coloca um presente dentro de uma caixa dentro de outra caixa dentro de outra caixa?
Ryan se vira para Torres, que fez a pergunta:
– Não, foi para conseguir entrar no prédio sem levantar muitas suspeitas, como um entregador.
– Então, são duas pessoas diferentes trabalhando juntas, ou duas pessoas diferentes que não têm nada a ver uma com a outra? – pergunta Hendersen.
– Isso é o que nós temos que descobrir – fala Gambatto.
– O primeiro cara. – Woods se inclina para frente. – Que envia a carta, qual é a sua motivação? Por que incomoda tanto que ela esteja escrevendo sobre Bardel? Quero dizer, ele poderia estar trabalhando dentro da editora.
Torres concorda com isso.
– E o segundo, ele é um assassino serial típico.
– Nós só temos um assassinato – diz Ryan. – Não podemos chamá-lo de serial.
Eles estão em silêncio.
– A primeira pergunta – diz Gambatto, pegando a sua atenção. – Houve outros assassinatos como este M.O. no estado? Isso é algo que puxarão do banco de dados. Segunda pergunta: prospecção, conversando com colegas de Jennifer Adkins, o que isso nos dá em termos de namorados ou outros homens com motivação? Terceira pergunta: por que Sahara está tão interessada em impedir que a senhorita Dwyer escreva sobre Nathan Bardel?
– O que o laboratório diz sobre o assassinato? – É Ryan.
– O laboratório diz que a menina foi estuprada, o agressor usou camisinha porque há típicos vestígios de lubrificante de preservativo dentro dela e nenhum vestígio de ejaculação. A causa da morte foi estrangulamento, embora não tenhamos digitais, mãos grandes. E foram seis facadas, profundas, no seu abdômen e oito na genitália, feitas pouco antes do estrangulamento, que não a mataram, mas seriam a causa de morte se ele tivesse esperado alguns minutos. Ele definitivamente precisava matá-la da forma mais pessoal possível. Encontramos algumas fibras de lã pretas no corpo, mas nada de DNA até agora.
– Quem fez isso estava com raiva, mas confiante, quase... arrogante – diz Ryan.
Gambatto fala agora:
– Então, Woods, quero você no comando da prospecção. Henderson, preciso de você para conversar com editores da senhorita Dwyer, e Torres, você vai procurar o banco de dados por crimes semelhantes. Voltaremos a falar em cinco horas, pode ser?
Eles concordam e se levantam.
Ryan se aproxima de Gambatto.
– Eu vou com Torres.
– Você que sabe.
Estou interessado em tudo isso. Quero ver como funciona.
Torres, um latino baixinho nos seus trinta anos, está na frente de um computador e Ryan atrás dele. Eles estão digitando termos de triagem no sistema para descobrir se meu querido imitador matou antes. Usam um sistema que entrega os cem crimes mais parecidos com o investigado e entre esses cem, os cinco mais semelhantes.
Sob modus operandi, eles digitam apenas: estrangulamento, múltiplas facadas, abdômen, vagina. Ryan fala para Torres ignorar a forma de entrada no apartamento, o uso de preservativo e outros detalhes.
Em Área, digitam o endereço da vítima.
Em Tipo de Vítima selecionam as opções como mulher de vinte e quatro, mas Ryan diz a ele para ignorar os filtros relacionados à aparência física e ocupação. Todos os outros campos são ignorados por eles.
O computador recupera os cem casos. Ryan pede para Torres imprimi-los.
Eles recolhem todos os papéis e depois de pegar mais café se fecham em um pequeno escritório.
Juntos começam a passar pelos resultados, colocando-os em duas pilhas: talvez e não.