Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer
A Paciente no Quarto 1407
Vou e volto entre dois estados.
Estou perfeitamente consciente de que estou no hospital, e me lembro vividamente do que aconteceu comigo na casa da minha irmã. Eu não sei o quão grave é a minha condição e eu não sei nada sobre o meu filho. Mas sei que não consigo me mexer.
Vejo Nathan Bardel. Ele me vê, também. Ele está em pé ao lado de minha mãe, a mulher que está olhando para mim com uma cara de cansaço. Ver Bardel perto de minha mãe não me assusta. De alguma forma, eu compreendo que ele não pode prejudicá-la. Também compreendo que o que Bardel é agora não é exatamente quem ele era quando estava vivo, e que, mesmo se pudesse, ele não machucaria minha mãe.
Ryan dá alguns passos lentos. Ele parece tão acabado que é desolador.
Ele olha para mim, antes de olhar para os meus pais. Ele sofre ao ver meus olhos fechados, porque não sabe que eu posso vê-lo mesmo assim. É doloroso para ele ver minhas feridas, mesmo que os danos causados por Roman e Morris sejam relativamente superficiais. Ele agora está se voltando para os meus pais.
– Joe. – Ele aperta a mão do meu pai. Então da minha mãe, sem palavras trocadas. Eu entendo que eles se encontraram antes, mas não me lembro de ter visto isso.
– O que você tem? – É o que minha mãe pergunta.
– Cheguei agora da minha segunda entrevista com Morris. Estamos fazendo o possível para localizar o carro roubado por Boyd. Sua descrição e uma fotografia foram enviados para todas as estações de polícia e agências de aplicação da lei no país.
Minha mãe cruza os braços.
– E o meu neto? O que vai acontecer com ele?
Ryan balança a cabeça.
– Não é decisão minha. Ele provavelmente ficará confinado em uma instituição. Ele poderá sair quando completar... dezesseis ou dezoito anos, dependendo do juiz, de acordo com o seu tratamento, o seu comportamento...
Joe estuda Ryan com os olhos avermelhados.
– E ele vai ficar melhor?
Ryan desvia o olhar deles. Ele quer dizer a eles que Morris deveria ser condenado à morte, mesmo que Ryan sempre tenha sido contra a pena de morte. Ele suspira e o ruído é como uma declaração de desesperança e exaustão.
– Não, ele não vai. Se liberado, ele vai matar de novo.
Meus pais trocam um longo e desolado olhar. Ryan senta e esfrega o rosto. Olha diretamente para mim por bastante tempo e em seus olhos eu vejo exatamente o que ele vai fazer. Parte meu coração, isso é tudo que posso dizer sobre o que vejo. Enche-me de tristeza ver o abismo dentro dele, testemunhar o desespero vencer a batalha dentro de sua alma. Bardel está sorrindo.
Não, Kate, deixe-o fazer isso. É Ereshkigal, baby. Deixe ela fazer o que faz.
Não, Nathan, ele não tem que ir por esse caminho.
Mas ele vai. Está nele, tem estado nele sempre. Isto é o que Ryan Owen nasceu para fazer, Kate. Deixe que ele seja Ryan Owen.
Que ele seja Ryan Owen. Eu me perco nas palavras.