Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 67 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

A casa foi cuidadosamente investigada, ou é…

RYAN, O PROFILER

 

A casa foi cuidadosamente investigada, ou é o que prefiro acreditar.

Eles estiveram aqui, coletaram evidências, tiraram fotos, fizeram seu trabalho para garantir que, quando Roman Lee Boyd for pego, ele será condenado por todos os seus crimes.

Eu sei, como fato, que isso não vai acontecer, porque eu sei que Roman Lee Boyd nunca será pego. Eu sei disso porque vou encontrá-lo antes que o departamento consiga e vou matá-lo. Não há motivo para discutir a moral por trás desta decisão muito lúcida que tomei.

Ando pela casa, sozinho e em silêncio. Sento-me na cama onde Kate passou as piores horas da sua vida. Eles pegaram os lençóis, levaram o travesseiro e o cobertor para analisar cada centímetro deles.

Eu paro no quarto onde Amanda foi morta.

Se Kate tivesse ideia do que sua irmã passou...

Amanda foi espancada brutalmente, torturada por seu próprio filho e violentada com uma escova de cabelo. Com essas feridas, ela foi deixada lá, algemada, para sentir a dor quando vinha à tona da consciência, para ouvir a tortura de Kate no quarto ao lado. Ela foi finalmente estrangulada por Roman, e seu corpo foi aberto para a inspeção de seu filho.

Morris se entregou à curiosidade, quase infantil e brincalhão, enquanto removia seus órgãos e, cuidadosamente, colocou-os no chão ao lado dela. Ele pediu privacidade a Roman e ficou sozinho com o corpo. Foi quando ele cortou seus seios, e mais tarde seu clitóris, que comeu.

Kate nunca poderá saber que isso aconteceu.

Passo duas horas na casa. Sento-me onde Boyd costumava sentar, assisto à TV como ele. Fico olhando para as paredes, as fotos que Amanda pendurou, suas pinturas de cavalos. Não quero continuar vivendo neste mundo.

Decidi abandonar a tecnologia. Meu telefone foi deixado em minha casa em Fort Lauderdale, onde arrumei uma sacola de ginástica com tudo o que vou precisar. Tenho seis camisetas, dois pares de jeans, um par de tênis e uma jaqueta, assim como cuecas e meias. Eu não tenho coldre, só a minha Glock, e três caixas de munição. Tenho uma escova de dentes, um kit de barbear e desodorante. Tenho uma caixa de cigarros e um isqueiro, minha carteira com dinheiro e meu falso distintivo do FBI. Nada mais, fora a foto de Roman. Não, nem mesmo uma fotografia de Kate. Eu não preciso de uma.

Antes de sair tomo um banho e pinto meu cabelo de preto. Você pode estar se perguntando por que eu simplesmente não raspo a cabeça. Bem, na minha experiência, uma cabeça raspada atrai mais atenção do que cabelos pretos. Eu também pintei minhas sobrancelhas e isso alterou minha aparência muito mais do que eu esperava. Não é uma mudança radical como a de Superman para Clark Kent, mas vai me servir muito bem para o propósito em questão.

Como esperado, o frenesi da mídia fez as linhas diretas de informações ferverem e todas as dicas recebidas, dentro do que fazia sentido, foram checadas. Woods me enviou por fax essas dicas, colocando o cu dela na reta por mim e apenas uma me chamou a atenção:

 

LINHA DIRETA: Linha de Informações dos Assassinatos de Blessfield.

ANÔNIMA: Sim, eu acho que eu vi o cara que vocês estão procurando, aqui um pouco antes de chegar em Charleston, Carolina do Sul. Nosso grupo estava estacionado em um posto de gasolina na rodovia dezessete quando um dos nossos carros foi roubado.

LINHA DIRETA: Senhora, você pode se identificar?

ANÔNIMA: Ah... Eu prefiro não, posso? Apenas me chame de Meryl.

LINHA DIRETA: Meryl, você pode me dar uma descrição do carro?

“MERYL”: Ah, sim, eu tenho bem aqui, ela está realmente muito nervosa agora, ela é minha prima. O carro era um Toyota Avalon XLS, ano 2009, placa da Geórgia PRTYGRL Cor prata. Pare de rir, Glenn, é sério!

LINHA DIRETA: Meryl? Pode confirmar a placa Papa-Romeo-Tango-Yankee-Golf-Romeo-Lima?

“MERYL”: Sim, é isso. Já chamei a polícia e tal, mas nós tínhamos acabado de ver esse cara no noticiário, tipo, há dez minutos e ela achou que se parecia muito com ele.

LINHA DIRETA: Você pode me dar uma descrição do suspeito?

“MERYL”: Sim, parecia o cara da notícia, da foto, mas ele tinha esse tipo, arranhão na lateral de seu rosto e parecia muito gordo e suado. Ele tinha a barba por fazer e vestia uma camisa de flanela vermelha. Desculpe, isso é tudo o que vimos. Espero que ajude.

 

Abro o mapa no meu laptop e verifico. Isso aconteceu perto de uma zona rural, pouco antes de Charleston. É perfeito para ele. E assim, decidi seguir esta pista.

Agora, você deve estar pensando: como ele pode simplesmente decidir por esta, entre centenas de dicas?

Bem, há a explicação que você vai acreditar e a que você não vai acreditar. Ambas são a verdade. Quase 80% das dicas que recebemos eram muito distantes, geograficamente falando, para que fosse ele, de acordo com as leis da física. As outras 20% são da área, mas só metade das pessoas afirmam ter reconhecimento visual de Boyd. De todos que alegaram tê-lo realmente visto, apenas uma pessoa mencionou um arranhão no rosto. As unhas de Kate tinham a pele de Boyd debaixo delas.

A outra explicação? Instinto.

Embora eu realmente não precise da segunda. Se eu fosse ele, sem dinheiro, sem identificação, nada, eu estaria parando em uma área rural perto de um posto de gasolina também.

Haverá mais crimes nesta área até que ele tenha roubado dinheiro suficiente e tido sorte com um cartão de crédito ou algo assim, para ser capaz de pagar por comida e gasolina para seguir em frente.

A coisa sensata a fazer seria pegar um avião e estar lá o mais rápido possível. Mas aviões são impessoais.

Eu decido tomar o mesmo caminho, arrumo meu carro, tranco minha casa e começo a dirigir.