Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Cláudia Lemes · Capítulo 24 de 80

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Eu vejo Kate: O despertar de um serial killer

Isto é verdadeiramente interessante.

Estou na sede do FBI. Estou olhando para Ryan sentado cara a cara com o chefe de seção Anderson Moore. Este é um cara com uma barriga de chope e cabelos brancos que parece ser o pai de alguém.

Há agitação no lugar. As pessoas estão olhando para Ryan e se perguntando o que diabos ele está fazendo aqui. A maioria está feliz em vê-lo, gostam dele e o admiram. Outros não têm tanta certeza.

Ryan gosta desse cara Moore, sempre gostou, é fácil de sentir. Esse é o cara que recebeu ordens de alguém no alto escalão e despediu Ryan. Ele se odeia por isso.

Estamos em um escritório que nos separa das muitas mesas do andar, onde pessoas falam ao telefone ou mexem na internet. Este escritório parece sóbrio e entediante para mim. Vejo uma foto de Anderson Moore e uma mulher loira sorridente e gordinha que sei ser sua esposa. Vejo fotos de uma vadia gostosa com um suéter rosa apertado e eu estou supondo que é sua filha. Ela está segurando um cachorro e o beijando.

Quero espancá-la, vê-la chorar, forçá-la a engolir o sêmen de seu bichinho de estimação.

Concentro-me, porque eles estão conversando agora.

– Conte-me tudo. Não ouse mentir para mim. – Esta é a forma como Moore começa a conversa.

Ryan não tem intenção alguma de mentir.

– Nós dois sabemos que Bardel deixou alguns segredos. Como você pediu e ordenou, não tentei descobrir a verdade. Segui seu conselho e comprei uma casa agradável, estou seguindo em frente com a minha vida longe da única coisa que realmente importava pra mim. – Ele encosta a ponta do indicador na mesa de Moore. – Este departamento. Esta organização. Este trabalho. – Ele suspira. – Mas então Katherine Dwyer decide escrever um livro sobre Bardel. Ela me encontra, batemos papo. Eu nunca contei a ela sobre essa porcaria, sobre essa mulher que sobreviveu. Na verdade, acabei falando pouco que ela já não sabia. Mas nos demos bem.

– E você dormiu com ela.

– Sim. Então ela foi para casa. Acontece que sua editora a mandou desistir e parar de escrever o livro. Eles estão tão desesperados para ela interromper sua pesquisa que depositaram trezentos mil em sua conta bancária como um adiantamento para um romance idiota sobre uma rainha. Aí, Kate recebe uma caixa na porta de sua casa. Nela há uma carta ameaçando-a, dizendo-lhe para parar de escrever o livro ou sairá machucada.

– Onde está a carta?

– Agora nas mãos da polícia de Miami. Então ela me telefona porque está com medo. Vou para o apartamento dela e conversamos. Passo a noite lá. Na manhã seguinte, hoje, sua vizinha é encontrada morta, eu entro na cena do crime e vejo o trabalho de Bardel.

Moore coça a cabeça.

– O que seu instinto diz?

– Parece ele. Mas ele está morto.

– Você está na merda. É simplesmente coincidência demais, você e ela e uma cena de crime a la Bardel.

– Estão armando para mim. Ou para ela. Eu não sei.

– Então nós temos um imitador. Ou...

– Alguém que quer foder Katherine Dwyer por enfiar o nariz onde não é chamada. – Não sei o que temos.

– Você acha que ela está realmente em perigo?

– Ela foi ameaçada e então sua vizinha apareceu morta. Sim, eu acho que ela está em perigo.

– Podemos colocar vigilância policial nela.

– Isso não é o suficiente.

– Ryan...

– Chefe, eu tenho que fazer isso.

– Você não trabalha mais para o FBI.

– Faça-me um consultor neste caso. Vamos.

– Você seria se não estivesse tão próximo da cena do crime.

– Coincidência, é circunstancial.

Anderson pensa um pouco.

– Receio que essa menina vai se machucar.

– Eu também. Gosto dela, chefe.

– Sim, você gostava de Selena e olha o que aconteceu com ela.

Ryan engole sua raiva por essas palavras. Ele é sensível com a história dessa vagabunda. Ele realmente acha que foi responsável por sua morte precoce. Ryan não é de todo o homem que eu pensei que fosse. Esse cara virou um herói por ter me capturado. Eu mereço mais do que isso.

– Olha, eu vou fazer de você um consultor neste caso...

Ryan está subitamente radiante.

– Mas você vai trabalhar com Bertelli e a polícia local.

– Por que Bertelli e Abner estavam lá?

– Sei que é difícil acreditar, mas, desta vez, realmente foi uma coincidência. Mandei um pessoal da unidade 4 para a Flórida para treinamento e consultoria em crimes sexuais, faz parte de um programa. Tenho doze caras por aí dando cursos intensivos em profiling geográfico e vinte outros falando sobre VICAP. Bertelli e Abner deveriam estar em Miami só por mais três dias.

– Bertelli foi até minha casa e me disse para não abrir a boca para Dwyer sobre Bardel.

Anderson é surpreendido por isso.

– Então eu não posso confiar nele – Ryan complementa.

– Não, você não pode, mas eu não posso tirá-lo da equipe, o caso também é dele.

– Faça uma verificação sobre ele. Veja com quem está falando. Investigue esse desgraçado.

– Vou ver o que posso fazer. Não crie problemas para mim. Já vou levar um esporro daqueles por colocar você nisso.

– Valeu, chefe. – Ele sorri.

Anderson está pensando em se aposentar. E deseja que Ryan ainda estivesse no FBI.

Ele olha para Ryan.

– Só faça o que você faz de melhor e encontre esse cara.