O Federal

Cris Araújo · Capítulo 32 de 63

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O Federal

Capítulo 31

 

Marcone

 

— Nós somos as pessoas mais bem vestidas daqui. —

sussurrou ela em meu ouvido, enquanto soltava uma risada descontraída.

Se havia um som mais fascinante que esse eu não lembrava.

Só mesmo essa menina para me fazer entrar numa boate vestindo um smoking e uma gravata borboleta ridícula, só mesmo ela para me fazer achar isso divertido na minha idade. Talvez fosse desse sentir-se jovem que Estevan mencionara na carta, o apenas sentir sem pensar demais. A euforia de curtir o momento sem dramas desnecessários, ou renunciáveis. Observei o corpo gracioso mover-se no ritmo da música agora mais sensual, e tudo que minha mente pervertida, porque eu não conseguia mais controlar os instintos, pensou foi como seria se não houvesse o tecido do vestido separando a pele macia da minha, se ela dançasse enquanto estivéssemos ambos nus, sem todas essas pessoas. O pensamento me fez segurá-la com mais força contra meu corpo e minha boca avançou mais uma vez sobre a dela, sorvendo o gosto dos drinks que ela já havia tomado.

Como uma diabinha, ela escapuliu para seguir o ritmo da música, os movimentos sensuais e absurdamente lentos, e pelo sorriso safado que ela lançava, Camille sabia exatamente o que estava fazendo.

Seduzindo, como se fosse preciso mais.

Saímos de lá quando já estava amanhecendo, ela estava sonolenta agarrada a mim, enquanto caminhávamos para o carro estacionado no início da rua, o único lugar vago na noite passada.

Ela tirou as sandálias assim que entrou no carro, encostou a cabeça no banco, os cabelos parcialmente úmidos por causa das horas dançando esparramaram-se sobre os seios. Desviei da entrada que faria o trajeto para o prédio dela, e dirigi para meu apartamento, ela não notou, sonolenta como estava. Acariciei de leve a bochecha fria, mas Camille continuou de olhos fechados, provavelmente cansada demais para esboçar qualquer reação.

 

Camille

 

Quando abri os olhos demorei para entender onde estava, perguntei-me se ainda era noite já que tudo estava tão escuro. Passei a mão pela cama, reconhecendo o cheiro que vinha dali, um tanto preguiçosa, senti a maciez dos lençóis enroscados em minha coxa despida.

Revirei-me sobre a cama, tentando acostumar meus olhos à escuridão. Ouvi um ruído vindo do lado de fora e sentei, notando que eu vestia apenas um short de pijama e uma camiseta.

— Ela ainda está aqui comigo, Joice. — Ouvi a voz de Marcone e uma luz entrou pela fresta da porta, que ele abriu apenas um pouquinho.

Que horas são? Olhei ao redor a procura de algum relógio, mas não havia nenhum, e eu não estava com meu celular.

— Boa noite, Joice.

Enfim, ele abriu a porta e entrou no quarto, estacando ao me ver acordada.

— Que horas são? — perguntei confusa, lembrando-me apenas de termos saído da boate.

— Faltam poucos minutos para 18:30. — Marcone sentou-se perto de mim e eu observei o torso nu e o short folgado que ele vestia.

— Eu dormi muito? — Evitei um bocejo.

— Sim, por todo o dia praticamente. — Ele me olhou divertido. — Está cansada ainda?

— Eu estou com fome. — sussurrei, e me arrastei até estar perto o suficiente para abraçá-lo. — O que aconteceu com meu vestido?

— Nina ajudou você a tomar um banho, ela deve ter deixado na lavanderia do prédio quando saiu. — Uma das mãos dele afastaram meus cabelos do rosto. — Como você se sente?

— Faminta, mais velha também. — sussurrei, lembrando de como tinha sido a madrugada inteira, fazia tempo que eu me divertia tanto desse jeito.

Marcone deu risada, e as covinhas que eu amava surgiram.

— Você só tem 21 anos. — Ele fez uma pequena bagunça nos meus cabelos e me olhou mais sério. — Sua mãe ligou mais de uma vez.

— Eu estraguei a festa, ela está preocupada com isso. — Bufei.

Joice devia estar irritadíssima com o que ia aparecer nos sites de fofoca sobre o aniversário da única herdeira Alencar, era a forma como se referiam a mim desde que minha irmã morreu.

— Não acho que seja só isso. — Disse ele, e eu revirei os olhos. Tentando me encaixar melhor no seu colo, aproveitando que ele estava sem blusa, a pele fresca estava quente sob meus dedos.

— Eu vou pensar nisso quando estiver em casa. — Aproveitando, eu me inclinei para beijá-lo, várias vezes, sem nunca me cansar.

— Você não quer ir embora agora, quer? — Ouvi-o perguntar, os lábios a centímetros que os meus.

— Não. — Olhei o quarto ao redor, pouco iluminado.

— Que tal por uma roupa? Quero fazer algo para comermos, mas não tenho todos os ingredientes.

Voltei a encará-lo, achando graça e curiosa com o fato dele cozinhar. Tentei imaginá-lo de avental na cozinha e as imagens foram bem sacanas, acabei rindo.

— Tem alguma roupa minha aqui? — perguntei, saindo do colo dele.

— Sim, naquela gaveta. — Ele apontou.

Encontrei o vestido que tinha esquecido em uma das muitas tardes que passei com ele, e fui para o banheiro, ficando estranhamente nervosa de repente. Acendi o led e me olhei no espelho, enquanto me despia.

Tomei um banho longo, vesti o vestido e abri o closet em busca de algum moletom dele, encontrei um que praticamente me engoliu.

 

Marcone

 

Observei o temporal inacreditável que se formou do lado de fora do supermercado, enquanto a mulher passava as compras no caixa.

— Olhe isso. — Apontei para a chuva.

Camille franziu a testa e enroscou mais o braço no meu, querendo se aquecer. O caixa em que estávamos era embaixo do ar condicionado e agora, um vento cortante invadia as entradas do estabelecimento.

— Quer esperar passar? — perguntei, enquanto encaixava o cartão de crédito na máquina para pagar o que havíamos comprado.

— Acho que não está tão forte. — retrucou ela, pegando a sacola menor e segurando a minha mão para vermos como estava a situação do lado de fora.

A chuva não estava tão forte, mas o vento sim, chegava a fazer barulho, daqueles que ouvíamos em filmes de terror. Cami colocou o capuz do moletom sobre a cabeça e caminhamos apressados para o prédio, não ficava muito longe dali, assim que entramos no saguão um verdadeiro dilúvio caiu do céu.

Deixei as sacolas sobre o balcão da cozinha, assim que entramos em casa. Tirei a blusa meio úmida dos pingos de chuva e olhei para Camille.

— Vou colocar uma roupa seca. — disse para ela, depois de tirar o celular do bolso, olhei rapidamente a mensagem que Nina tinha mandado, uma emoji mandando beijo.

Camille colocou a sacolinha que segurava ao lado das outras e sentou no banco alto, olhando-me.

— Já volto. — Aproximei-me dela, a intenção era beijá-la. Ainda com saudades da boca macia, as mãos carinhosas vieram para meu cabelo assim que encostei a boca na dela, Camille abriu as pernas para que eu me encaixasse entre elas.

Afastei os cabelos pesados do rosto corado, sugando o lábio inferior, ela me acompanhou. O beijo gostoso, como se nossas bocas tivessem a dimensão exata de intensidade, de movimento, de sabor. O gosto dela era inebriante, mexia com a minha cabeça, ainda que não tivéssemos ido para cama, que houvesse muitas partes dela que ainda provaria, o que ela conseguia fazer comigo me surpreendia, por que eu notava que a maior parte do tempo, Camille era totalmente alheia ao fascínio que despertava, não só em mim.

Afastei-me para olhar a expressão que ela fazia, os olhos me buscaram, tentando entender a interrupção, embora as mãos continuassem o seu trabalho no meu cabelo, as unhas arranhavam levemente o couro cabeludo, tirando arrepios da minha pele.

Olhei para trás, a porta do meu quarto estava entreaberta, em algumas passadas estaríamos na cama e eu sairia desse pequeno inferno particular. Mas, adiar isso tinha tido benefícios, antes de qualquer coisa, éramos amigos, antes de qualquer tesão, eu queria a sua companhia, para qualquer besteira desde que ela estivesse comigo.

Deixei beijos curtos na testa fria, sentindo a temperatura diferente entre as pernas, completamente quentes.

— Eu já venho. — Dei um selinho curto e caminhei para o quarto, a fim de tomar um banho e esfriar a cabeça.

 

Camille

 

Vi-o afastar-se e levantei do banco, um tanto quanto curiosa para

saber o que ele iria cozinhar. Coloquei o vinho e o queijo na geladeira e saí catando as sacolas para enfiá-las na última gaveta do armário. O chão gelado deixou-me arrepiada, a porta de vidro que dava para a sacada estava aberta, as cortinas dançando junto com o vento forte. Parecia ter diminuído a chuva, caminhei até lá e fechei parcialmente a porta, a temperatura ficou agradável, nem fria e nem quente. Perambulei até o quarto de Marcone, a fim de pedir seu celular para ligar de uma vez para Joice, mas detive-me e prendi a respiração, pela fresta da porta do banheiro vi o corpo dele — molhado, os músculos saltando enquanto se ensaboava, alheio a mim ali espiando.

Minha boca ficou seca imediatamente, tudo nesse homem me enlouquecia, desde os beijos quentes aos olhares intensos, ainda que ele nunca tivesse avançado o sinal, ele sempre me respeitou, ou talvez não me quisesse dessa forma. Afastei os pensamentos ridículos, não fazia nem 24 horas que ele me disse que seu coração era meu, e se era desse jeito, todo o resto também devia ser. E era o que eu queria, todo ele, de todas as formas. Meu corpo latejou inteiro só por imaginar, os bicos dos meus seios foram enrijecendo, enquanto eu o imaginava sugando-me inteira.

Tirei rapidamente o moletom, jogando-o num canto qualquer do quarto, em seguida deslizei a alça do vestido, fiz tudo isso com a respiração suspensa, devorando o corpo cheio de músculos nu na minha frente. Não havia parte alguma nesse homem que não mexesse comigo.

Tudo inebriava, incendiava lenta e dolorosamente. Não me lembrava de já ter sentido algo assim por ninguém, apesar de não ter nada bom o suficiente para comparar.

Dei alguns passos em direção ao banheiro, completamente nua, demorei-me apenas em enrolar os cabelos para cima a fim de não molhá-los. Não fiz barulho ao entrar, de perto observei melhor o seu corpo inteiro, a bunda e as pernas rijas, as costas largas, as mãos grandes e os braços onde veias saltavam, o que me excitou ainda mais.

Marcone não me notou, apenas quando entrei no boxe e deslizei os dedos pelas suas costa é que ele se virou devagar. Senti os pingos de água fria espalharem-se entre mim e ele, meu corpo já arrepiado eriçou-se ainda mais. O que eu vi em seu rosto deixou minhas pernas fracas. Os olhos azuis atentos, e agora, incrivelmente escuros, passaram lentamente pela minha pele, como se estivesse apreciando cada polegada do meu corpo, Marcone apenas olhou por um longo tempo.

Senti-me queimar inteira, como se fossem as mãos grandes a passear pela minha pele, quando na verdade ele não havia nem me tocado ainda.

— Você é perfeita demais... — foi o que ele disse, engoli em seco tamanha a ansiedade que me tomou, o tom soou grave, quase contigo. E num movimento rápido, Marcone me puxou pelo braço para estar mais perto, quase completamente colada a ele. — Eu imaginei você assim muitas vezes... mas nada chegou perto. — Os olhos permaneceram vidrados em meus seios por muito tempo.

Uma de suas mãos subiu pela minha cintura até tocar a lateral do meu seio esquerdo, apenas o polegar tocou o mamilo já durinho, rodeando-o, fazendo-o ficar ainda mais eriçado, gemi baixinho, sentindo uma necessidade acumulada entre as pernas. Pousei as mãos em seu peito, sem saber exatamente onde tocá-lo primeiro, eu queria sentir todas as partes dele sob meus dedos e minha boca.

Ele regulou a água para ficar morna e diminuiu o jato, perguntei-me se ele iria me tomar ali mesmo, contra o boxe do banheiro, ou se me levaria para cama. A verdade era que eu não me importava desde que meu corpo fosse preenchido pelo dele.

Todo ele.

Deixei minha mão escorregar pelo tórax em direção a sua virilha, ainda sem olhar para baixo, embora eu pudesse sentir claramente como ele estava duro, e saber que era eu a deixá-lo assim, me dava um prazer quase perverso.

Marcone segurou minha mão suavemente e levou aos lábios, em seguida colocou-as sobre o peito, senti-o batendo loucamente tal qual o meu estava.

— Me deixe só sentir como está... — pedi, lambendo os meus próprios lábios tamanho o meu desejo.

Os dedos longos soltaram os meus pulsos e eu voltei pelo mesmo caminho que o tórax me levaria, sem desviar os olhos dos dele, sentindo todo o corpo ficar ainda mais duro por onde meus dedos passavam, mordi o queixo pontudo, e então desviei os olhos para baixo quando rodeei os dedos no pênis intumescido, sentindo as veias, o sangue correndo, ouvi o gemido baixo que ele soltou, mas não o olhei, continuei a massageá-lo. Fazia tempo que eu queria fazer isso, seria louca se não admitisse, senti vontade de provar com a boca, mas agora tudo que eu queria era ele em outro lugar, o sabor eu sentiria depois.

— Você sabe o que faz com a minha cabeça, não é? — Uma de suas mãos segurou meu queixo, obrigando-me a olhá-lo.

Não respondi, fiquei na ponta dos pés, oferecendo minha boca e tudo o mais para ele. Marcone me ergueu, fazendo-me abraçar seu quadril com as pernas, o contato íntimo, pele com pele, fez-nos gemer aos mesmo tempo, boca contra boca. O beijo foi diferente, tão carregado de tesão que eu tremi inteira, um arrepio atrás do outro, enquanto eu me sentia cada vez mais molhada e necessitada entre as pernas. Forcei meu quadril contra o dele, sentindo a pele rija de seu pau friccionar meu clitóris de um jeito tão gostoso que mordi a boca dele para não transformar o gemido alto num grito.

Sustentando-me entre os braços fortes, ele me carregou para o quarto, ambos molhados ainda, colocou-me sobre a cama e não se afastou, abri ainda mais as pernas e rocei nele para meu próprio prazer, ouvi o seu gemido em meu ouvido.

— Quer parar? — ele perguntou, ainda me dando uma opção, mas eu já estava ensandecida há muito tempo, e ele também. Não estaria tão duro se não estivesse.

Fiz que não com a cabeça, e entreabri os lábios, esperando que Marcone me beijasse e ele beijou, sugou minha boca inteira, avidamente. Não só a boca, o pescoço foi beijado, mordido, e os meus seios foram onde ele mais demorou.

Chupou tanto cada um deles que eu quase enlouqueci, temendo não aguentar muito, meu corpo parecia dissolver conforme ele me tocava em todas as partes.

Meus dedos subiram por cada pedacinho sólido do corpo dele, cada suspiro, cada gemido desse homem me levavam ao um grau extremo de loucura.

Senti o dedo dele deslizar pelas minhas pernas até alcançar o meio delas, parei de corresponder ao beijo, expectando a sensação, sentia-me pulsar violentamente, enquanto o dedo dele me penetrava.

— Tão molhada, meu amor... — O sussurro soou como um gemido em meus ouvidos, isso me enlouqueceu ainda mais, as carícias junto com as sacanagens que ele falava em meu ouvido. Tudo me levou a um limite extremo, e tremi inteira, enquanto sentia o gozo me encharcar ainda mais.

A boca dele escorregou pela minha barriga, enquanto uma de suas mãos abriram um pouco mais a minha perna, colocando-a sobre seu ombro, senti os beijos na parte inferior da minha coxa, as mordidas. Se havia uma maneira de meu coração bater ainda mais rápido, ele bateu assim que a língua dele brincou com meu clitóris e em seguida com a minha entrada.

Meu corpo contraiu agitado, senti-me suar sob suas mãos, disse coisas que nem mesmo eu entendi, enlouquecida com todas as sensações, com os picos de prazer.

Ainda com minha perna sobre o seu ombro, ele me penetrou lentamente, eu quis gemer, mas não ouvi som algum sair da minha boca, apenas da dele, um gemido forte, e eu me abri mais, querendo o corpo inteiro sobre o meu, sentir o peito quente contra os meus seios.

— Vem... — chamei baixinho, sentindo cada arremetida nublar um pouco mais o meu raciocínio.

Eu o abracei assim que o corpo forte pairou sobre o meu, minhas unhas arranharam suas costas e seus braços, enquanto o meu sexo sugava cada pedaço do seu pau. Eu o senti inteiro, enquanto a boca dele mordia os mamilos dos meus seios. Eu podia imaginá-los cobertos de manchas vermelhas no dia seguinte, mas não me importava de ser marcada, não desse jeito.

Senti o gozo vindo novamente, desfazendo-me em mil pedaços, e quando nos olhamos, eu percebi que não esqueceria nunca esse homem, mesmo se quisesse.