O Federal

Cris Araújo · Capítulo 33 de 63

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O Federal

Capítulo 32

 

Camille

 

Meu coração demorou a voltar ao normal, por alguns minutos

eu apenas relaxei, enquanto Marcone me massageava e beijava minha nuca suada, murmurando palavras carinhosas, eu poderia ficar muito tempo naquela posição, mas queria olhar para seu rosto. Virei-me, ainda nua, e coloquei o queixo sobre o peito dele. Olhamo-nos por muito tempo, sem dizer nada, apenas algumas carícias dele em meu rosto e minhas em seu peito.

— Eu quero dormir com você hoje... — sussurrei, inclinando-me para beijá-lo, o movimento fez os meus cabelos soltarem-se do coque já frouxo.

Marcone apenas sorriu, contra minha boca, a mão delizou pelo meu braço suavemente. Repassei em minha cabeça o que havíamos feito, mais de uma vez, em posições diferentes, era como se o desejo viesse a flor da pele no mesmo instante de novo.

Perguntei-me se com ele era da mesma forma.

— Nós temos muito tempo. — Soou como uma promessa.

Eu sorri, concordando.

Depois de um banho de verdade juntos, eu sentei num dos bancos do balcão da cozinha observando-o.

— Quem ensinou você a cozinhar? — perguntei, depois de bebericar o vinho super gelado.

— Eu passei a morar sozinho muito cedo, tive que aprender a me virar rápido. — Ele olhou-me rapidamente e acrescentou uns temperinhos que já estavam picados e separados na panela sobre o cooktop. — Eu sempre fui muito curioso, e nunca gostei muito de depender de alguém para fazer algo. Já queimei muita comida, já fiz coisas que nem eu consegui comer.

Nós rimos.

— O que está fazendo? — Aproximei-me dele, esticando-me para olhar o que tanto ele mexia ali, o aroma estava delicioso.

— Risoto, você gosta? — A mão livre alisou meu cabelo e ele beijou minha testa com carinho.

— Sim, mas acho que vou gostar especialmente desse.

Marcone riu baixinho, convencido.

— Não falta muito, eu comecei a preparar quando você estava dormindo. — Explicou ele e apontou para um armário aéreo branco. — Que tal escolher onde quer comer? Há pratos ali e talheres lá. — Apontou para um gaveteiro, e eu peguei dois pratos e os talheres, levei-os para a mesa de centro.

Mais ou menos quarenta minutos depois eu dei a última garfada na comida, incrivelmente boa, olhei-o divertida, ciente de que Marcone tinha prestado atenção em todas as minhas reações, esperando por elogios obviamente.

— E então? — inquiriu, depois de beber o que restava de vinho em sua taça e colocá-la sobre a mesinha de vidro diante de nós.

— Hum... — Fingi estar pensando a respeito. — Está horrível. — Menti.

A expressão dele oscilou entre estar surpreso e decepcionado e eu ri. Arrastei-me até onde ele estava e beijei de leve o peito nu, eu gostava da sua versão informal: cabelos desalinhados, e poucas roupas ou nenhuma.

— Mentirosa. — Ouvi-o dizer e beijei novamente o peito quente, minha boca gelada arrepiando-o.

— Estava uma delícia. — Enrosquei-me nele, de forma que Marcone mudou de posição para me manter em seu colo. — Eu não sei fritar um ovo.

— Isso é inaceitável. — ele disse e eu ri, achando graça do tom um tanto quanto ultrajado.

— Não me lembro de uma única vez eu ter preparado meu próprio café da manhã. — contei, entrelaçando nossos dedos, gostando do calor dele contra minha pele.

— Isso ti deixa dependente. — refletiu ele, e eu concordei.

Por muito tempo fui exatamente isso: dependente.

— Você tem razão. — Puxei os cabelos que cobriam meu pescoço para que ele beijasse ali e fechei os olhos.

Permanecemos em silêncio, um agradável.

O celular dele tocou sobre a mesa e eu pude ver quem foi, quando ele pegou o aparelho e recusou a ligação. Júlia. Fiquei incomodada. A língua agitada para perguntar o que eu queria saber desde quando os vi no Pub.

— Por que não atendeu? — perguntei, sem conseguir evitar.

— Não deve ser algo importante. — Os beijos continuaram por meu ombro e pescoço.

— Você e ela... vocês já ficaram juntos? — Eu me virei para olhá-lo, Marcone ficou sério. Claramente desconfortável com a pergunta.

— Sim, algumas vezes, mas faz tempo.

Fechei a cara, odiando saber. Afastei-me um pouco dele, irritada e sentei no sofá, fazendo suposições do motivo da ligação.

 

Marcone

 

Suspirei, quando ela se afastou. Uma das coisas que eu realmente tinha esquecido a respeito de relacionamentos era a parte chata, eu tinha ficado alguns bons anos sem precisar dar explicação a ninguém, exceto, é claro, quando minha irmã resolvia me irritar.

— Você preferiria que eu mentisse? — Perguntei, seriamente e recebi uma olhada nada amigável.

Camille era realmente problemática, às vezes. Não que eu a culpasse, lembrei-me do ciúme exagerado que senti ao ver o ex-namorado dela rondando-a na festa do dia anterior. Ciúme não era algo que eu gostasse de sentir, era amargo como o fel.

— Ela sabe sobre nós? — perguntou enciumada.

— Provavelmente não. Não a vejo desde aquele dia. — Referi-me ao dia em Camille também estava presente. — Venha cá.

Estendi uma das mãos e ela a segurou, não sem hesitar primeiro, puxei-a novamente para o meu colo, mantendo-a ali, onde ela deveria ficar.

— Sabe que não precisa sentir ciúmes. — Ela realmente não precisava, fazia tempo que a maior parte dos meus pensamentos eram dela, beijei de leve a orelha pequena, enfiando a outra mão pela cabeleira castanha.

— Não estou com ciúmes.

Mentirosa.

— É mesmo? — Mordi levemente o pescoço esguio, era algo

que ela gostava. A pele inteira ficava arrepiada.

— Sim. — Camille virou-se ficando de frente para mim, a expressão ainda contrariada. Beijei a boca carnuda, envolvendo a cintura fina com uma mão e a nuca com a outra.

O beijo parecia ficar cada vez melhor, e meu fascínio por ela maior. Recordei o fato de não termos usado camisinha, eu não parei para pensar na hora, o tesão tinha sido tão violento, que não pensei em nada. Encostei a testa na dela, quando nossa respiração acelerou. Havia uma sensualidade gritante nessa garota, não sei se ela tinha alguma ideia disso.

— Está sem calcinha? — Procurei o tecido e não o encontrei sob a minha camisa que ela tinha escolhido para usar.

Ela fez que não, mordendo o lábio inferior com a insinuação de um sorriso safado. E era essa transparência que eu amava nela, o lado carinhoso, aberto, que eu sabia que ela não entregava a todo mundo. Beijei-a novamente, uma de minhas mãos envolveu um dos seios pequenos por cima do tecido da blusa . Eles tinham exatamente o tamanho que eu imaginava, cabiam perfeitamente na minha mão.

— Marcone... — Foi um sussurro curto, quando eu mordi de leve o bico durinho sob a camisa.

Impaciente como uma gata arisca, ela tirou a blusa e a jogou no sofá, ficando nua no meu colo, em seguida veio me beijar de novo. Fizemos isso por muito tempo, só me afastei para olhá-la, absorver cada detalhe da visão que era ela. Os dedos delicados brincavam perto do meu umbigo.

— Você já se tocou pensando em mim? — perguntei, observando o trajeto que as unhas vermelhas faziam pelo meu torax, um contraste com a pele rosada da boceta dela.

Olhei-a, quando não obtive resposta, o rubor nas bochechas, no entanto, gritavam que sim, ela já havia feito isso.

— Sim? — provoquei.

Houve apenas um meneio quase imperceptível de sua cabeça, assentindo. Mas os dedos, eles não pararam até chegarem onde queriam. Afastei suas mãos e levantei com ela no colo, caminhei em direção ao meu quarto.

Coloquei-a na cama, e beijei levemente a testa, a ponta do nariz, o queixo delicado. Senti as mãos finas passando pelo meu corpo, as pernas abertas, esperando por mim. Beijei a barriga, minha língua brincou no umbigo quente, senti os dedos dela entrarem pelos meus cabelos. Alcancei a fenda molhada, sentindo o sabor gostoso da sua excitação. Camille gemeu baixinho, quando minha língua a penetrou, ela sequer sabia o que acontecia com a minha cabeça quando ela gemia assim, tão entregue, os olhos dela nunca me deixavam. A beleza exótica do seu rosto tornava-se quase selvagem junto com a nudez do corpo gostoso. E o sabor dessa mulher? Era afrodisíaco. Mantive minha língua ali, lambendo os pontos que a excitavam mais, os quadris rebolavam na minha língua. Senti-me ficar duro como nunca, chegava a doer de tanto tesão que essa garota despertava.

A química era surreal, e parecia que ficaria cada vez melhor.

Mais quente e mais gostoso.

Ela afastou-se, ainda gemendo, os dedos ansiosos tocaram o tecido do meu short. Deixei que ela tirasse. A mão pequena se fechou ao redor do meu pênis e eu gemi, deixando que ela brincasse com ele. Os olhos intensos olhavam-me de um jeito que me tirava a sanidade.

— Vá devagar, se não quiser que eu goze. — Ela parou os movimentos, ajoelhou diante de mim e me beijou, mordeu minha boca, lambeu meu pescoço.

Deitamos juntos, a cabeça do meu pau colou-se a entrada molhada, sem penetrá-la. Camille se contorceu agitada, gemendo. As unhas fizeram um estrago em minhas costas.

— Você me deixa louco demais. — Belisquei o bico de um dos seus seios e em seguida chupei cada um deles. Sentindo a entrada dela, apertar a cabeça do meu membro.

Ela era apertada demais, porra.

— Você também — ela arfou, afetada como eu.

— Essa boceta apertada... Gostosa demais...

Ouvi o seu choramingo longo, enquanto entrava em corpo, nossos dedos se entrelaçaram, enquanto nosso corpo grudava loucamente, o ir e vir tornou-se insano, enquanto eu inchava cada vez mais dentro dela, ouvindo seus gemidos, o meu nome na sua boca. Beijei os lábios tentando manter o controle, mas só me deixou ainda mais louco. A forma como ela correspondia às carícias, aos beijos, o jeito como me olhava sem pudor algum, sem vergonha, os murmúrios incoerentes, a mão curiosa que não deixava de me tocar por um segundo sequer, a maneira que se abria para me receber, deixando que eu entrasse cada vez mais fundo, tudo isso me enlouquecia. Meu corpo reagia como o de um adolescente na primeira transa.

Parei um minuto, tentando recuperar o fôlego e a coloquei por cima.

A expressão que ela fazia ao me sentir entrar e sair, era algo que eu lembraria a cada minuto do meu dia, deixei que ela escolhesse o ritmo que queria, apenas observando os seios movendo-se junto com o corpo. Camille ora me olhava, ora olhava a fusão dos nossos corpos o que a excitava ainda mais, seus olhos pareciam ser chamas, senti seu sexo me apertar ainda mais, as leves contrações que precediam e acompanhavam o gozo, puxei-a pelo braço quando senti o corpo dela estremecer e os gemidos mais altos, entrecortados. Deitei sua cabeça em meu peito, alisando o seu cabelo meio úmido, o corpo inteiro tremia, e o sexo me esmagava contraindo na intensidade do orgasmo, por pouco não gozei também.

Todavia, segurei, eu não queria que acabasse rápido demais.

Deixei minhas mãos deslizarem pelas costas suadas até a nuca, ela me beijou, em meio a alguns gemidos, e depois ficou quietinha.

— Cansou? — perguntei, ela fez que não, olhando-me sob os cílios longos. Beijei novamente a testa, a boca, o ombro. Abri a gaveta do criado-mudo e tirei uma camisinha de lá, ela olhou com curiosidade. E rolou para o lado, saindo de cima de mim.

Cobri-me com o látex e a puxei de volta. Viciada como eu, Camille procurou por minha boca. Ainda trêmula, suada, beijei-a novamente em todos os lugares. E a penetrei de lado, apertando um de seus seios, e mordendo a orelha, o pescoço. A intensidade voltou novamente, o prazer me atingiu, e o corpo dela vibrou, junto com o meu, a cada arremetida, os nossos gemidos se misturaram, os beijos ficaram ainda mais molhados, nossos corpos ficaram grudados, num roçar inebriante, quente, gostoso.

Ela dormiu logo em seguida, cansada, eu não consegui. Olhando o rosto adormecido ao meu lado, afastei os cabelos da face vermelha, ainda endiabrada, tendo a certeza de duas coisas: a primeira, eu não me imaginava mais sem essa garota. E a segunda, eu faria qualquer coisa por ela.