O Federal
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Eu queria tudo que ela quisesse me dar, e eu devolveria com a mesma intensidade.
Virei-a de bruços e afastei as suas pernas, introduzindo a língua por trás, provocando o clitóris inchado e a entrada toda molhadinha, repeti a carícia até ouvi-la gemer sem fôlego e apertar as coxas prendendo minha cabeça ali, enquanto gozava na minha boca. Deixei beijos pelas coxas, pela barriga, sentindo meu pau latejar, tamanha a vontade de estar dentro dela. Alcancei os seios eriçados novamente, sugando o bico de cada um deles, ouvia-a gemer, e envolver as pernas ao redor dos meus quadris, puxando-me, mostrando-me o que queria. Afastei-me apenas um pouco para encaixar o meu membro na entrada quente e receptiva e a penetrei devagar, tentando prolongar as minhas sensações e as dela.
Ainda me enlouquecia o fato de Camille ser tão apertada, sentia meu pau todo esmagado e molhado por ela.
— Não vou demorar a gozar...— sussurrei em seu ouvido, entre uma mordida e outra, os nossos corpos estavam tão colados que nem saía mais realmente de dentro dela.
A penetração tornou-se curta, rápida, meu pau nem saia mais direito tamanha a velocidade que ele encontrava novamente a boceta dela, tornando tudo mais intenso: o ritmo, os nossos gemidos, o prazer quase doloroso que fazia meu coração bater ensandecido. As mãos dela apertaram minha bunda como se quisesse me puxar ainda mais, só que do jeito que estávamos não era mais possível. Empurrei ainda mais fundo quando senti as contrações em volta de mim, e os gemidos baixinhos que ela deixou escapar, enquanto gozava, como se estivesse preocupada que alguém pudesse ouvi-la. Beijei a boca gostosa, abafando os meus próprios gemidos, enquanto gozava dentro dela.
Lembrando-me tarde demais da camisinha.
38
Marcone
Não dormi de imediato, eu nunca dormia logo após fazer amor
com ela. O sangue ainda demorava a parar de correr furioso nas veias, o cérebro mantinha-se preso a adrenalina e ao prazer, quando Camille pedia mais descansávamos juntos, mas, às vezes, ela só queria que eu a abraçasse por muito tempo, até que dormisse. Olhei o rosto adormecido no meu peito, iluminado pela luz do abajur. A pequena manchinha havia sumido, mas ela a cobrira com maquiagem, apesar de eu ter visto vermelho vivo se transformar em roxo quando Camille achava que eu não estava observando. Cheguei a pensar que fosse uma inflamação acneica, as mulheres tinham horrores a isso e outras frescuras. Mas ela se incomodava sempre que eu tocava o lugar. Diria até que tentava me enrolar nos próprios dedos, e conseguia, é claro, mas eu não era burro.
Senti vontade de tomar café preto, todavia não queria me afastar dela e sair daqui, dado ao sono leve e irrequieto que Camille tinha, acordaria assim que me afastasse.
— Eu espero que não esteja escondendo nada de mim. — Mas, a minha intuição e as perguntas dela me respondiam por si só. Talvez fosse a hora de conversar sobre o ex-noivo dela e saber que diabos ele pretendia na festa de aniversário, eu tinha certeza que não era achar a saída. Esperei que ela me contasse por espontânea vontade sobre ele e sobre a mãe do infeliz, mas foi uma espera falida. Camille sequer tocou no assunto. E ainda havia as situações em que ela ficava assustada como se achasse que alguém a observava, a mesma sensação que eu tinha às vezes.
Contornei com os dedos o rosto delicado e sem marcas, então a lembrança de como a encontrei no carro naquele acidente brilhou como fogos. O rosto machucado, roxo nos olhos, a boca partida. O que eu senti foi tão ruim que coloquei a cabeça dela sobre o travesseiro e saí da cama, precisando de um pouco de ar. Minha cabeça começou a criar mil teorias, nenhuma delas tinha a ver com o acidente e sim com o que tinha acontecido antes dele. Se ela ao menos se lembrasse, de qualquer coisa. Vesti as roupas que estavam caídas sobre o tapete e saí do quarto. Desci mecanicamente a escada e fui para a área da piscina, depois de encher uma caneca de café um tanto quanto morno, mas a minha necessidade de cafeína me fez ignorar o detalhe.
Tomei um gole grande da bebida, tão ou mais nervoso do que no dia em que vi Camille pela primeira vez. Enfiei os dedos entre meus cabelos exasperado — ela tinha certo receio por homens, isso ficou claro quando me conheceu, embora tenha dito que o que a assustou mesmo tivesse sido o fato de ter me desenhado sem nunca ter me visto. Mal sabia ela que já tinha me visto sim, só não lembrava. Lembrei-me da expressão horrorizada que ela fazia ao encarar o ex-noivo na festa de aniversário, não me passou despercebido também a conversa quase silenciosa entre eles, e então a forma como ela admitiu odiá-lo.
Todos eles. Foram as palavras dela.
Esfreguei os olhos e bebi outro gole de café, acabei vendo o sol nascer sentado ali, o céu fez suas mudanças até o sol substituir a lua.
— É impossível dormir até tarde aqui. — Ouvi a voz do pai de Camille e não consegui esboçar nenhum tipo de reação, puto como estava.
— Que horas são? — perguntei, quando o homem antipático se sentou do meu lado, decidido a permanecer ali.
— Faltam alguns minutos para as cinco — disse ele, retirando um relógio igual aos que eu via em filmes de época do bolso da calça preta de tecido.
Fiquei em silêncio, Augusto sempre falava de negócios comigo, nunca houve sequer uma conversa séria sobre o meu envolvimento com Camille, claro que eu estava sendo sincero com ela, mas acho que todo pai devia fazer perguntas inteligentes a quem chegava perto de uma filha.
Eu faria.
— Quanto tempo Camille esteve noiva? — perguntei.
— Apenas três meses, mas era quase uma criança quando começou o namoro.
— E porque terminaram?
Augusto me olhou com um pequeno sorriso no canto dos lábios, como se soubesse o motivo das perguntas.
— Estão com problemas? — Ele parecia realmente preocupado, eu só não sabia se era pelos motivos certos. — Camille parece gostar de você.
— Eu não estou com dúvidas do que ela sente. Eu quero apenas entender como as coisas aconteceram.
Augusto pensou por um tempo, talvez estudando meu interesse no assunto. Deu uma resposta pouco convincente em seguida. Claro que o infeliz sabia de algo.
— Eu não sei, ela e a irmã eram fechadas no mundinho delas.
— E você não faz ideia do porque elas eram assim? — Senti raiva dele.
Augusto compreendeu meu tom.
— Não, elas tinham tudo. A melhor escola, os melhores brinquedos, companhias aceitáveis para a nossa classe social. Não era como se elas tivessem do que reclamar.
Senti vontade de perguntar onde ele e a mãe delas entravam em tudo que ele tinha mencionado, mas não o fiz. Fiquei em silêncio outra vez.
— Camille sempre foi mais frágil que a irmã. Elas eram como fogo e gelo, óleo e água, chuva e sol. — Ele olhou na minha direção falando como um pai pela primeira vez. — Camille sempre fez de tudo para agradar a mim e a Joice, Elizabete não, sempre o contrário do que queríamos. — Fez uma pausa. — Não sou hipócrita, sei o que está pensando, sei que me acha um pai horrível, e eu sou. Não sei ser um bom pai. Joice e eu nunca planejamos crianças, mas também nunca nos cuidamos o suficiente para evitá-las.
— E isso te dá o direito de ser um pai relapso? — Era o que eu queria dizer há muito tempo. — Você não faz ideia do ambiente tóxico que a casa de vocês representa para ela, eu vejo como ela não se encaixa lá. E os melhores brinquedos, as melhores escolas, as pessoas certas para a classe social de vocês, não substituem o afeto.
— Pode parecer que não, mas eu amo a minha filha. — Minhas palavras o feriram e era o que eu queria mesmo.
— Eu ouvi do meu pai que ele me amava pela primeira vez, quando ele estava morrendo. — Um bolo desagradável se formou na minha garganta com a lembrança. — Não desejo isso para nenhum filho.
Levantei-me pior do que quando tinha me sentado, sem paciência alguma para ficar ali com ele, enchi um copo de água e subi com ele disposto a tomar um comprimido para dor de cabeça. Quando entrei no quarto, Camille ainda dormia numa posição diferente da que estava quando saí, procurei pela cartela de comprimidos dentro da minha mala e joguei na boca, em seguida bebi a água.
Fechei a janela para que a claridade não me tirasse a concentração para dormir e deitei perto dela, ouvi baixinho o meu nome e ela veio se aconchegar ainda dormindo. A garota falava muitas coisas dormindo. Já havia falado que estava apaixonada, eu fiquei me sentindo um bobo idiota, é claro. O tom de voz dela mudava radicalmente enquanto dormia, ficava muito mais agudo. Segurei-a e encostei meus lábios na testa morna, beijando-a de tempos e tempos, até pegar no sono.
Quando voltei a realidade novamente, o quarto estava quase iluminado. O blackout tinha sido movido apenas um pouco para a direita, quebrando a escuridão. Camille estava segurando um porta-retrato com uma foto minha ainda moleque e com aparelho nos dentes, ela estava distraída, dividida entre olhar a foto e tocar algumas medalhas que ganhei durante corridas de cavalos. Não fiz barulho, permaneci calado, enquanto ela bisbilhotava tudo. Quando terminou voltou-se para cama e assustou-se ao me ver acordado.
— Puxa vida, você poderia ter dito um oi. — reclamou de um jeito engraçado, vindo se sentar perto de mim.
— Estava interessante observar.
— Você usava aparelho?
— Sim, esses dois dentes eram um pouco tortos. — Toquei o dedo para que ela visse.
— Você está com dor de cabeça? — Ela olhou de relance para a cartela de comprimidos sobre a mesinha.
— Estava, não dormi direito.
Como costumava fazer sempre, ela veio para debaixo da coberta e puxou meu braço para que eu a abraçasse, estava frio realmente, pela falta de claridade vinda do lado de fora era possível ver que o dia seria nublado.
Ficamos em silêncio, se ela não estivesse arranhando meu braço de leve com as unhas, pensaria que estava dormindo.
— Estou com fome.
— Vamos descer. — Estiquei-me para pegar o relógio e enxergar a hora. 9:27.
Eu não tinha dormido tanto.
Após um banho, nós descemos, estava chovendo realmente. E embora, não fosse o horário habitual para o café da manhã aqui, minha mãe, os pais de Camille e Celine estavam ainda sentados a mesa.
A impressão que tive foi a de que estavam falando de nós dois, considerando a forma como nos olharam e pararam de falar. Puxei uma cadeira para Camille e sentei ao seu lado, sem muita paciência para interagir com ninguém, ver os pais dela fez minha dor de cabeça voltar.
— Tem o bolo de milho que você gostou. — disse para ela num tom baixo.
Era um bolo de milho cremoso que minha mãe fazia, era o preferido do meu pai.
— Coloque para mim. Grande. — Eu a olhei achando graça e peguei o prato de sobremesa mais próximo.
— Eu estava pensando em irmos a capital, Cami. — Augusto disse, colocando o garfo sobre o prato. — O turismo aqui é muito forte, quem sabe não ampliamos a rede de hotéis para cá?
Camille
Marcone me deu o prato e eu me mantive quieta, esperando para ouvir algo mais do meu pai. Mas ele não disse nada, apenas houve um silêncio, como se eu precisasse dizer algo.
— Eu quero ver os cavalos, pai. — respondi depois de um tempo, haveria uma exposição de cavalos depois do almoço e um evento que se chamava cavalhada, uma encenação de luta medieval com o uso dos cavalos. Marcone havia me falado sobre o evento no dia em que chegou.
— O que você acha, Marcone? — Augusto inquiriu e olhou para meu namorado.
Era exatamente isso que ele fazia quando queria que Enzo ficasse do lado dele e ridicularizasse as minhas vontades.
— O que você quer fazer hoje, Camille? — Marcone perguntou para mim.
— Eu quero ver os cavalos — respondi, cada vez ficava mais fácil dizer não para o que não queria.
— Está respondida a pergunta. — Marcone foi incisivo, ele estava nervoso, eu podia ver pela forma como os lábios estavam franzidos. Algo estava deixando-o incomodado. — Ela já tem idade o suficiente para fazer escolhas, não cabe a mim responder no seu lugar.
— Vocês poderiam vir outro dia já para essa finalidade. — Nina quebrou o clima um tanto quanto pesado. — A cavalgada não é algo que se possa perder na festa da colheita, vocês vão adorar.
Ela continuou a tagarelar, mas Marcone permaneceu taciturno, mais calado do que o normal. Nervoso, até mesmo durante todo o evento, acabei associando ao fato dele não ter dormido bem.
Voltamos para o Rio de Janeiro no dia seguinte a noite.
— Não quer dormir comigo mesmo? — Marcone beijou de leve minha testa, quando eu tirei o cinto de segurança.
Meus pais já tinham subido.
— Eu tenho que desfazer as malas, ver os e-mails do trabalho, ver com Aline sobre as atualizações do projeto. — Respondi, contendo um sorriso.
Beijei-o levemente, um roçar apenas, mas ele aprofundou o beijo, segurou meu rosto e me beijou com força, acentuando a nossa respiração.
— Nós precisamos conversar — ele disse, não num tom que me causasse preocupação, mas ainda assim fiquei tensa. Perguntei-me se Nina tinha falado alguma coisa a ele, ou até mesmo alguém do prédio.
— Eu sei. — Encostei a boca na dele de novo, dessa vez por menos tempo. — Não vai subir um pouco?
— Não, nos vemos amanhã. — O seu tom foi brando, carinhoso, todavia ele ainda estava nervoso e inquieto.
— Está bem.