O Federal

Cris Araújo · Capítulo 50 de 63

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O Federal

Capítulo 49

 

Marcone

 

Os dias que se passaram foram atolados de trabalho, os

arquivos do pen drive que Bruna me dera foram decodificados e era exatamente o que eu esperava, nele estava tudo que precisávamos principalmente a ligação entre as mulheres encontradas no caminhão e garotas contratadas pela Luxus desaparecidas. A lista de todos que estavam envolvidos estava nos arquivos, assim como o nome, endereço e informação das respectivas famílias das garotas que eram traficadas.

Ameaçar a família de cada uma delas era a forma que encontravam de mantê-las caladas.

Além de Heloísa ser uma das cabeças da organização, a Coimbra Turismo facilitava o envio para outros países e a chegada de garotas no Brasil.

Depois de uma reunião com todos os agentes que estavam trabalhando na investigação de alguma forma, eu e Andrea saímos para tomar um café no bar perto da delegacia.

— Você vai comigo. — disse ela depois de bebericar o café.

Isso estava me incomodando, eu não queria me afastar daqui e deixar Camille e Nina sozinhas no apartamento. Ainda que fosse seguro, nada me fazia esquecer que o infeliz tinha agredido Camille diante do prédio e que nada tinha sido feito por ninguém, nem ao menos chamaram a polícia. Todavia, fazer Antônio Oliveira falar o que sabia da organização era importante para que tivéssemos todo tipo de prova antes de realmente incriminar todos os culpados. Ele e Bruna eram peças chaves para a conclusão do caso, ela vinha dando trabalho a Flávio e aos policiais com algumas teimosias a cerca da própria segurança, segundo Flávio a mulher tinha um gênio difícil.

As linhas telefônicas dos Coimbra e de Calixto, o motorista e amante de Heloísa, seguiam grampeadas, assim como a de Sérgio. Todas as ligações e mensagens via whattsapp eram monitoradas pela inteligência e o engraçado era que eles se achavam tão intocáveis que mesmo após terem certeza que o caminhão e as garotas não tinham chegado ao destino, mantiveram os mesmos hábitos de comunicação. Como se fossem intocáveis e não houvesse possibilidade alguma de serem descobertos.

— Ben cuida das duas. — ela disse, perecendo adivinhar o que eu estava pensando.

Ele cuidaria, mas Ben não era eu. As duas eram as mulheres da minha vida, não suportaria que nada acontecesse a nenhuma delas.

Nem a Camille e nem a Nina.

— Nina está com a mãe dele desde o início da semana. — A serelepe estava ajudando a sogra no restaurante.

— E Camille está com você no apartamento. — afirmou. — Os pais dela?

— A mãe tentou subir para falar com Camille, mas eu não permiti. Eles servem apenas para colocar merda na cabeça dela. — Pensei no que Heloísa havia falado sobre ninguém acreditar em Camille caso ela se lembrasse do que aconteceu na noite do acidente.

Por um tempo imaginei que conforme fôssemos passando tempo juntos, ela se lembraria, não contava que lembrasse de mim, afinal estava escuro e ela estava ferida, com dor, quase inconsciente, mas do que ocorrera, isso eu imaginava que ela lembraria, mas ainda não tinha acontecido.

E eu não sabia de que forma contar que eu estava lá. Não sabia se ela ia gostar ou se ia odiar a omissão.

Encontrei-a pintando na sacada quando cheguei ao meu apartamento, a noite. Parei um instante para observá-la, Camille sempre parecia estar em outra dimensão quando pintava, mesmo sendo silencioso ela me notou ali e sorriu, mas continuou trabalhando no desenho.

Caminhei até onde ela estava e beijei seu pescoço, a reação de Camille foi encostar a cabeça no meu ombro, deixando por minha conta o peso do seu corpo.

— Quanto tempo leva para terminar? — perguntei, ela gostava quando eu me interessava por suas pinturas.

— Acho que dois dias. — Colocou o pincel dentro do suporte e virou-se para me abraçar, deixando um beijo no meu pescoço. — Você está suado. — retrucou passando a língua no mesmo lugar beijado.

Ao invés de responder, beijei a boca carnuda, apertando-a contra mim.

— Vamos sair hoje? — perguntou ela, ávida por atenção, afinal os últimos dias eu não estava parando em casa.

— Sim. — Puxei o pincel que ela costumava prender os cabelos para vê-los soltos ao redor do rosto delicado. — Vou para Minas amanhã. Há uma pessoa que precisa ser interrogada lá, não vai passar disso. — Expliquei tudo, antes que ela ficasse agitada. — Não é nada perigoso.

— E quando você volta?

— Não vou passar mais do que um dia lá. — Não queria e nem podia.

Com uma delicadeza que só ela tinha, encostou os lábios novamente nos meus.

— Vou tomar um banho e já venho.

Ainda estava sob o chuveiro, quando ela entrou no banheiro nua, caminhou na ponta dos pés para dentro do boxe, como se o piso estivesse gelado demais. Achei graça.

— Eu preciso de alguém para lavar minhas costas. — O tom foi divertido, ela ficou de costas para mim.

Olhei a bunda empinada e passei a palma da mão por ela, sentindo a maciez.

— Eu só quero que lave as minhas costas... — disse, enquanto me olhava por sobre os ombros. A cara safada dizendo outra coisa.

— Ah, sei... — Beijei o ombro já arrepiado. — Não quer um carinho também?

 

*

 

Olhei o rosto adormecido de Camille, certificando-me se ela ainda permanecia dormindo dado ao seu sono leve, coloquei sua cabeça sobre o travesseiro e me virei para pegar o controle do ar condicionado. Meu corpo coberto de suor ainda agitado, fazia tempo que eu não sonhava com Samanta, esse pesadelo me assombrou por muito tempo. Eu fazia de tudo para não dormir, passei muitas noites em claro, vi muitas manhãs nascerem, apenas para não sonhar com ela. Morta e queimada. Era assustador. Na maioria das vezes eu acordava aos gritos, procurando por ela, achando que tudo fazia parte do pesadelo, inclusive a sua morte prematura e a do nosso filho.

Aumentei a intensidade do ar e fiquei de lado, olhando para a mulher adormecida e ainda nua, o bico dos seios ficaram eriçados por causa do ar frio e falta do meu calor, apoiei-me no cotovelo, vidrado na figura dela, sempre que a olhava me perguntava como alguém tinha coragem de machucá-la, como o filho da puta tinha coragem de agredi-la do jeito fazia. Não fazia sentido nenhum para mim.

Meus dedos correram pelo espaço entre os seios dela e senti-a se mexer, falando algo ininteligível baixinho, as mãos tatearam na cama me procurando, eu gostava disso nela, dessa intensidade peculiar que ela tinha e de como tudo entre nós dois era extremamente natural e fácil como respirar. Inclinei-me e cobri o bico eriçado com a boca, fazendo um desenho nele com a língua, ela ficou agitada ainda dentro sono. Puxei o edredom para cobri-la e saí da cama, ainda nervoso. Fui para o banheiro e parei em frente ao espelho, olhando o meu reflexo. Liguei a torneira e lavei meu rosto, respirei fundo algumas vezes, sentindo um súbito mal estar.

— Por que saiu da cama? — Vi o reflexo de Camille no espelho, esfregando os olhos, ainda nua.

Ela me abraçou por trás, sonolenta, evitando um bocejo. Num movimento rápido eu a coloquei sobre a pia e me enfiei entre suas pernas, ela pousou as mãos no meu peito e olhou para mim, os olhos verdes como esmeraldas, enormes.

— O que foi?

— Tive um sonho ruim. — admiti, e apoiei as mãos no mármore, uma de cada lado do seu corpo.

Camille segurou o meu rosto e me beijou, as mãos subiram para o meu cabelo fazendo uma bagunça por eles, proposital, dado ao sorriso que ela deu em meio ao beijo.

— Eu esqueço de tudo quando estou com você. — sussurrei em seu ouvido.

A garota tinha se transformado num dos meus meios favoritos de respirar, e de um modo tão natural que eu não vi acontecer. Quando percebi já estava sentindo, e ela também.

— Eu também. — As mãos carinhosas pararam no meu ombro e ela ofereceu os lábios outra vez, dessa vez colei nossos corpos e a segurei pela nuca, tendo controle do beijo.

Como se tivesse vida própria escorreguei para dentro dela, nossos gemidos se misturaram, tornando-se um pouco mais altos por conta do eco do banheiro, conforme o ir e vir acontecia, ela abria mais as pernas e se pendurava em mim, parecendo querer ficar ainda mais perto do que já estávamos, o sexo contraindo o tempo inteiro ao redor de mim, como se fosse gozar a qualquer momento.

Saí de dentro dela e a peguei no colo, sentindo a pele inteira arrepiada e agora quente. Coloquei-a sobre mim na cama, e ainda mais agitada ela se encaixou no meu membro, abrindo a boca carnuda conforme me sentia entrar inteiramente nela, quente e gostoso. Como se quisesse ainda mais contato, ela deitou sobre mim para me beijar, enquanto os quadris continuavam a se mover, buscando o próprio prazer. Os cabelos longos rasparam o meu peito, arrepiando-me inteiro, introduzi os dedos por ele, sentindo-a me sugar completamente, o que me deixava numa vontade louca de gozar.

— Você é a coisa mais deliciosa que já coloquei as mãos. — A resposta dela foi um gemido longo, e um beijo sôfrego, mais um roçar de lábios quente e molhado, tal qual a boceta dela estava. Segurei o seu quadril, mantendo-a parada, a mão livre subiu por suas costas até embrenhar-se pelo cabelo liso, com os olhos febris ela passou a me dar selinhos curtos.

— Como pode ser tão gostoso assim? — sussurrou ela, baixinho, sem parar com os beijos, eu mudei de posição ficando sobre seu corpo, mantendo a penetração.

— Química. — respondi, havia muita entre nós desde o início.

— E amor?

Parei por apenas um segundo, buscando as íris exóticas, tentando identificar o tipo de emoção que havia nelas.

Amor também.

A conexão que nós tínhamos era além da sexual. Muito além do prazer carnal.

— Também... o amor deixa ainda mais gostoso...

Afastei a bagunça que tinha se tornado o cabelo farto do seu rosto e a beijei outra vez, era algo que eu não me cansava hora nenhuma, voltei a entrar e sair do seu corpo, ouvindo os seus gemidos, minha própria respiração irregular e o som do roçar dos nossos corpos, era muito fácil saber quando ela ia gozar, eu sentia as contrações, sentia tudo. E depois ela ficava mole, preguiçosa, suada e grudada em mim.

Deixei beijos cálidos atrás de sua orelha, incapaz de me afastar, e fechei os olhos, aproveitando da calma e da tranquilidade que estar perto dela me oferecia.