Storytelling com Dados
O quê
Leitura recomendada
No livro Ressonância: Apresente Histórias Visuais que Encantem o Público (Ed. Alta Books), de Nancy Duarte, a autora recomenda considerar seu público como um herói e destaca estratégias especı́ icas para conhecê-lo, segmentá-lo e estabelecer pontos em comum. Uma versão multimı́dia gratuita em inglês está disponı́vel em duarte.com.
O quê
Ação
Esse é o ponto no qual você re lete sobre como tornar o que comunica relevante para seu público e forma um claro entendimento do motivo pelo qual ele deve se importar com o que você diz. Você sempre deve querer que seu público saiba ou faça algo. Se não conseguir articular isso de forma concisa, deve veri icar se precisa mesmo fazer a comunicação.
Para muitas pessoas, esse pode ser um cenário desconfortável.
Frequentemente, esse desconforto parece ser provocado pela crença de que o público sabe mais que o apresentador e, portanto, deve escolher se e como vai agir de acordo com a informação apresentada. Essa suposição é falsa. Se é você quem está analisando e comunicando os dados, provavelmente os conhece melhor — é o especialista no assunto. Isso o coloca em uma posição única para interpretar os dados e ajudar a conduzir as pessoas ao entendimento e à ação. Em geral, quem comunica dados precisa adotar uma postura mais con iante quando se trata de fazer observações e recomendações especı́ icas com base em sua análise. Se você não izer isso repetidamente, se sentirá fora de sua zona de conforto.
Comece a fazer isso agora — com o tempo, icará mais fácil. E saiba que, mesmo que você destaque ou recomende a coisa errada, isso estimulará o tipo correto de conversa focada na ação.
Quando não for adequado recomendar explicitamente uma ação, estimule a discussão voltada para uma. Sugerir possı́veis próximos passos pode ser uma maneira excelente de manter a conversa ativa, pois isso dá ao seu público um estı́mulo para reagir, em vez de começar com uma lousa em branco. Se você simplesmente apresenta dados, é fácil seu público dizer: “Ah, isso é interessante”, e passar para o próximo assunto. Mas se você exige ação, seu público precisa tomar a decisão de obedecer ou não. Isso provoca uma reação mais produtiva em seu público, a qual pode levar a uma conversa mais produtiva — que poderia jamais ser iniciada se você não tivesse recomendado a ação.
Estímulo à ação
Aqui estão algumas palavras que funcionam como ideia inicial na hora de de inir o que você quer de seu público:
aceitar | acreditar | apoiar | aprender | assegurar | autorizar | buscar | colaborar | começar | concordar | criar | defender | demonstrar empatia | desejar | diferenciar | empoderar | encorajar | engajar | entender | estabelecer | estimular | examinar | facilitar | familiarizar | fazer | formar | gostar | implementar | incluir | in luenciar | iniciar | investir | lembrar | mudar | persuadir | planejar | promover | receber | recomendar | relatar | responder | saber | simpli icar | tentar | validar
Mecanismo
Como você irá se comunicar com seu público? O método a ser usado para se comunicar com seu público tem implicações em diversos fatores, incluindo o controle que você terá sobre como o público entende a informação e o nı́vel de detalhe a ser explicitado. Podemos pensar no mecanismo de comunicação ao longo de uma sequência contı́nua, com uma apresentação ao vivo à esquerda e um documento escrito ou e-mail à direita, como mostrado na Figura 1.1. Considere o nı́vel de controle que você tem sobre como a informação é consumida, assim como o nı́vel de detalhe necessário nas duas extremidades do espectro.
FIGURA 1.1 SEQUÊNCIA CONTÍNUA DO MECANISMO DE
COMUNICAÇÃO
A esquerda, com uma apresentação ao vivo, você (o apresentador) tem total controle. Você determina o que e quando o público vê e quando vê. Você pode responder a indı́cios visuais para acelerar, reduzir a velocidade ou entrar em um ponto especı́ ico com mais ou menos detalhes. Nem todos os detalhes precisam estar diretamente na comunicação (a apresentação ou conjunto de slides), porque você, o especialista no assunto, está lá para responder a quaisquer perguntas que surjam no curso da apresentação, e deve estar pronto e preparado para fazer isso independente do detalhe contido na apresentação em si.
Em apresentações ao vivo, a prática leva à perfeição
Não use seus slides como seu teleprompter! Se você estiver lendo cada slide em voz alta durante uma apresentação, os estará usando dessa forma. Isso gera uma experiência penosa para o público. Você precisa conhecer o conteúdo para fazer uma boa apresentação e isso signi ica prática, prática e mais prática! Use poucos slides, e só coloque neles coisas que ajudem a reforçar o que você dirá. Seus slides podem lembrá-lo do próximo tópico, mas não devem servir como suas anotações de palestra.
Veja algumas dicas para você icar à vontade com seu material quando se preparar para sua apresentação:
Escreva suas anotações de palestra com os pontos importantes a serem apresentados em cada slide.
Pratique em voz alta o que você quer dizer: isso ativa uma parte diferente do cérebro, que o ajuda a lembrar do tema da sua discussão. Além disso, o obriga a articular as transições entre slides que às vezes atrapalha os apresentadores.
Faça uma apresentação simulada para um amigo ou colega.
No lado direito do espectro, com um documento escrito ou e-mail, você (o criador do documento ou e-mail) tem menos controle. Nesse caso, o público controla como consome a informação. O nı́vel de detalhe necessário aqui normalmente é mais alto, pois você não está lá para ver e responder aos questionamentos de seu público. Assim, o documento precisará tratar diretamente de mais possı́veis perguntas.
Em um mundo ideal, o resultado dos dois lados dessa sequência contı́nua seria totalmente diferente — poucos slides para uma apresentação ao vivo (pois você está lá para explicar tudo com mais detalhes, conforme necessário) e documentos mais densos quando o público tiver que absorver tudo sozinho.
Mas, na realidade — devido ao tempo e a outras restrições —, muitas vezes o mesmo produto é criado para tentar satisfazer ambas as necessidades. Isso faz surgir o slidemento, um único documento destinado a atender a essas duas necessidades. Isso apresenta alguns desa ios, por causa das necessidades diversas que precisam ser satisfeitas, mas vamos analisar as estratégias para tratar desses desa ios e superá-los, mais adiante no livro.
Neste começo do processo de comunicação, é importante identi icar o principal veı́culo de comunicação a ser utilizado: apresentação ao vivo, documento escrito ou outro. Considerações sobre o controle que você terá sobre como seu público absorverá a informação e o nı́vel de detalhe necessário se tornarão muito importantes uma vez que o conteúdo comece a ser gerado.